Pandemia faz preço do barril de petróleo fechar ano 20% mais barato

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O barril do petróleo encerrou 2020 mais barato do que começou.

Os contratos futuros do petróleo Brent (referência do Mar do Norte, na costa do Reino Unido) fecharam nesta quinta-feira (31.dez.2020) em US$ 51,80, uma queda de 21,5% em comparação ao preço de 2019 (US$ 66,00). Já o petróleo dos Estados Unidos (WTI) concluiu as operações a US$ 48,52 o barril, redução de 20,5% em relação ao valor de referência do fim do ano passado (US$ 61,06).

A desvalorização do insumo é uma das marcas de um ano difícil para o setor petroleiro. Levantamento divulgado pelo The Wall Street Journal mostra que o segmento sofreu depreciação de aproximadamente US$ 145 bilhões nos 3 primeiros trimestres de 2020, a maior na comparação com os setores financeiro, industrial, de telecomunicações e saúde, por exemplo. Os dados coletados pelo S&P Global Market Intelligence consideram empresas que valem mais de US$ 1 bilhão nos Estados Unidos, Canadá e Europa.

A redução pela demanda em consequência do isolamento social –principal medida para evitar a disseminação do novo coronavírus– e seus impactos econômicos foram sentidos, principalmente, em fevereiro na Europa e em março nos Estados Unidos. Na comparação dos fechamentos anuais, porém, observa-se que a tendência não é de alta equivalente à do início da década.

O Poder360 preparou um infográfico com a variação do preço do barril de petróleo ao longo de 2020 e também nos últimos 10 anos:

Segundo o presidente da Inter.B Consultoria, Cláudio Frischtak, isso se explica, em parte, pelo processo de transição energética. O que significa uma crescente busca por fontes de energia limpas, em especial a solar e a eólica, em detrimento dos combustíveis fósseis, como o petróleo.

“Há várias razões, mas claro que a mais explícita é o fato de que já existe em grande medida um consenso na comunidade científica e crescentemente na comunidade empresarial de que nós estamos vivendo nas próximas décadas um grande risco dos efeitos climáticos em razão de gases de efeito estufa”, afirma.

Outro fator é que, com a cotação atual, muitas áreas de exploração deixam de ser viáveis economicamente quando se considera o risco associado à atividade. “A reação racional de muitas empresas é diversificar e progressivamente sair dessa área. Não vai ser da noite do dia, isso vai demorar provavelmente umas duas décadas”, pondera.

O ex-diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras e sócio-fundador da MC2Solutions, Jorge Celestino Ramos, avalia que a pandemia acelerou o processo de transição. Para ele, o cenário em 2021 será de dúvidas para o setor.

“Ainda há muita incerteza do que vai ser a mobilidade da sociedade e a antecipação da transição energética para o fim dessa década”, diz.

IMPACTO NO BRASIL

O governo federal aposta numa ampla agenda de concessões em 2021. No setor de óleo e gás, aguarda-se a realização da 17ª rodada de licitações de blocos prevista inicialmente para 2020, mas adiada por conta da pandemia de covid-19. O cronograma atual prevê que o certame será realizado em 7 de outubro de 2021.

Para Frischtak, mesmo com esse panorama mundial, o Brasil “continua sendo muito atraente para essa indústria”. E atribui isso a duas razões: a qualidade dos ativos que estão sendo ofertados e ao processo de reestruturação da Petrobras.

“O pré-sal é considerado um ativo de classe mundial tanto em termos de custo de extração quanto em termos de produtividade dos poços. Você tem poços que produzem 30 mil, 40 mil barris por dia. São altíssimos níveis produtivos”, explica. Em relação à estatal, que vem se desfazendo de ativos para focar sua atuação em águas profundas e ultra profundas, avalia que essa movimentação tornará a empresa “menor, mais eficiente e mais sustentável”.

Ramos ressalta a produtividade do pré-sal, mas afirma que as incertezas do setor podem, sim, afetar o resultado do certame por conta da revisão das estratégias das petroleiras no cenário atual.

Frischtak aponta ainda dois outros riscos: uma frustração do crescimento econômico mundial e a saída do país da trajetória de ajuste fiscal. O 1º poderia ser causado por eventuais novas ondas de covid-19 e o 2º por políticas públicas consideradas eleitoreiras.“Acabar com o teto de gastos e incentivar o populismo fiscal podem gerar uma nova recessão no nosso país e, nessa recessão, dependendo de como as forças políticas reagem, isso pode gerar, sim, uma percepção de risco muito mais elevada e afetar os investimentos, inclusive, no setor de óleo e gás”, conclui o economista.

Com informações do Poder 360

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

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