Baixa natalidade e busca por economia melhor afetam crescimento populacional do Piauí

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Uma pesquisa realizada pelo IBGE revelou que o Piauí foi o estado com menor crescimento populacional de 2012 a 2021.

O Piauí foi o estado que registrou a menor taxa de crescimento da população entre os anos de 2012 e 2021, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população do estado, que era de 3,213 milhões de pessoas em 2012, chegou a 3,289 milhões em 2021, um crescimento de apenas 2,4%.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostram que, além da menor taxa de crescimento do país, o Piauí tem saldo migratório negativo, indicando que o estado perde mais pessoas para outros locais do que recebe novos moradores.

Conforme o levantamento, cerca de 13,9 mil habitantes – em média – saem do Piauí para morar em outros lugares todos os anos. A taxa líquida de migração chegou a -3,81 em 2021, o que significa que a cada mil habitantes, cerca de 3,81 deixam o estado anualmente.

Segundo o geógrafo e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Lucas Monte, o baixo crescimento da população piauiense e o saldo migratório negativo podem ser explicados por dois fatores: a taxa de natalidade estar em queda desde os anos 1980 e o aumento de pessoas que buscam por melhores condições de vida fora do estado.

“A taxa de natalidade está sofrendo uma baixa desde a década de 80 no Brasil todo, porque a mulher está cada vez mais inserida no mercado de trabalho e tende a ter cada vez menos filhos. Com isso, acabamos tendo um déficit do crescimento populacional no estado. Uma outra explicação é justamente os processos migratórios. É muito comum cada vez mais pessoas não só em Teresina, mas principalmente no interior do Piauí se deslocarem para outros estados em busca de melhores condições de vida”, explicou.

O professor cita que muitas pessoas que vão tentar a vida fora do Piauí acabam não retornando depois de se estabelecer, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

“Uma pessoa que vive no meio do sertão piauiense pode passar necessidade de água, de comida, porque as condições climáticas e ambientais daquele local acabam se tornando um pouco desfavoráveis para que ela tenha acesso à água e comida. Isso afeta também os animais, que acabam morrendo também por sede e fome. A pessoa sai daquele local e vai em busca de melhores condições de vida, se muda para o Sul e Sudeste, em busca de emprego, em busca de dinheiro, pensando em, talvez, retornar no futuro, mas muitas vezes ela não retorna mais”, comentou.

Lucas Monte menciona que esse processo migratório afeta o estado não só na questão populacional, mas também econômica.

“A maioria das pessoas que fazem essa migração compõem outro indicador demográfico: o indicador de população economicamente ativa, que são aquelas pessoas aptas a fazer a economia girar. O Piauí perde essas pessoas que poderiam estar gerando renda e movimentando a economia local, apenas por não oferecer condições melhores de vida para essas pessoas. Enquanto isso, a economia de outros estados ganha com a força de trabalho desses piauienses que migram para outros lugares”, completou.

O especialista ainda declarou que, para manter o crescimento populacional estável e a economia crescendo, é necessário ver quais os fatores que estão causando essa migração.

“Não é simplesmente ver a taxa, mas sim o que está por trás daquilo e, caso necessário, tentar corrigir esses problemas. É preciso pensar na perspectiva de fazer com que o número de habitantes se mantenha igual ou em nível normalizado dentro daquele estado, de modo a favorecer o próprio estado economicamente”, finalizou.

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

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