Celso Amorim deve visitar a Ucrânia, após Brasil ter recebido chanceler russo

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Márcio Mâcedo, ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ainda defendeu a neutralidade brasileira no conflito do Leste Europeu

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Mâcedo, declarou, nesta sexta-feira (21), que Celso Amorim, chefe da assessoria especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viajará em breve para a Ucrânia.

Divulgação

A declaração de Mâcedo aconteceu em Lisboa, onde Lula cumpre agenda oficial.

Na ocasião, ele ainda defendeu que o Brasil mantenha neutralidade no conflito que acontece no Leste Europeu. O ministro se encontrou com um grupo de ucranianos que fez uma carta de protesto às recentes declarações do chefe do Executivo brasileiro.

“Encaminhei a carta ao presidente Lula que prontamente leu, e reforçou a posição do governo brasileiro de promover esforços internacionais para uma paz mediada entre Rússia e Ucrânia”, explicou Mâcedo.

“Por determinação do presidente da República, o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, vai a Kiev para um encontro com o presidente Volodymyr Zelensky. A pedido do presidente Lula, que o Brasil está empenhado em contribuir para a promoção do diálogo e da paz, e o fim deste conflito.”, continuou.

Durante viagem aos Emirados Árabes Unidos no último domingo (16), Lula afirmou que “a construção da guerra foi mais fácil do que será a saída da guerra. Porque a decisão da guerra foi tomada por dois países”.

Ele avaliou que a paz é a melhor forma de estabelecer um processo de conversação, mas “do jeito que está a coisa, a paz está muito difícil”. Ainda defendendo as conversas, expôs ser necessário envolver também Estados Unidos e União Europeia.

Lula também ponderou que “o presidente [Vladimir] Putin não toma iniciativa de paz. O [Volodymyr] Zelensky não toma iniciativa de paz. A Europa e os Estados Unidos terminam dando contribuição para a continuidade dessa guerra”.

Encontros de Celso Amorim

No começo deste mês, Celso Amorim viajou para Moscou e esteve no Kremlin para discutir a guerra. À CNN ele explicou que não estão “totalmente fechadas” as portas para uma negociação de paz com a Rússia.

Amorim esteve junto do presidente russo Vladimir Putin por cerca de uma hora na mesma mesa em que Putin tem recebido chefes de Estado, mantendo uma enigmática distância. “Ficamos a uns oito metros um do outro”, brincou o conselheiro de Lula, em conversa com a CNN.

Os dois conversaram por meio de intérprete — o brasileiro em inglês, o anfitrião em russo.

Quando a viagem foi organizada, com máxima discrição, não havia certeza — e nem expectativa firme — de um encontro com Putin. Amorim foi recebido pelo secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev, e pelo principal assessor do Kremlin para assuntos internacionais, Yuri Ushakov.

Também teve um almoço com o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

“Quando eu saí daqui [de Brasília], não havia nenhuma certeza se falaria com Putin. Aliás, isso não estava nem previsto”, disse Amorim.

No começo da reunião, os dois falaram um pouco sobre temas bilaterais: o fluxo comercial entre Brasil e Rússia, o fornecimento de fertilizantes, a possibilidade de uso das moedas locais para compensar exportações e importações. Depois, entraram nas questões relativas à guerra.

“Dizer que as portas estão abertas [para uma negociação de paz] seria exagero, mas dizer que elas estão totalmente fechadas também não é verdade”, afirmou Amorim à CNN.

“Não há solução mágica [para interromper o conflito]. Mas haverá um momento em que, de um lado ou de outro, surgirá uma percepção de que o custo da guerra — não só o custo político, mas humano e econômico — será maior que o custo das concessões necessárias para a paz.”

Amorim continuou: “Minha sensação é de que esse momento ainda não chegou, mas pode chegar mais rápido do que se pensa. E aí a existência de um grupo de países ‘neutros’ — nisso é necessário colocar aspas — pode ajudar”.

De Putin, diretamente, o ex-chanceler brasileiro disse ter percebido claramente a visão de que os impasses que levaram à guerra e mantêm o conflito foram causados pelas potências ocidentais. “Mas havia o desejo de deixar alguma margem para que, em uma situação futura, haja algum tipo de negociação”, ponderou.

Para Amorim, pode haver uma percepção dos dois lados de que é possível vencer a guerra. No entanto, ele vê algo mais amplo.

“Às vezes, sentimos do lado ocidental um certo cansaço de algumas forças [com a guerra]. Lá na Rússia, isso é menos perceptível. Em Moscou, não há a sensação de um país em guerra”, relatou.

Sergei Lavrov no Brasil

Sergei Lavrov esteve nessa semana no Brasil. Na segunda-feira (17) ele agradeceu o Brasil pela contribuição para a solução do conflito na Ucrânia, comentário que vem em meio aos repetidos pedidos do presidente Lula pela criação de um grupo de países para negociar o fim da guerra.

Em entrevista coletiva após reunião com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, em Brasília, Lavrov disse ainda que a Rússia vai se manifestar a favor da participação do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na ocasião, Vieira reiterou a posição brasileira a favor do cessar-fogo e de uma solução pacífica para a guerra na Ucrânia em reunião com o chanceler russo.

O chanceler brasileiro reafirmou na conversa a disposição brasileira de facilitar a formação de um grupo de países amigos para negociar o cessar-fogo, ao mesmo tempo que voltou a dizer que o Brasil é contra sanções unilaterais.

Vieira afirmou ainda que Lavrov reiterou o convite para que Lula faça uma visita oficial à Rússia.

(*Publicado por Douglas Porto com informações de Daniel Rittner, da CNN e da Reuters)

Priscila Yazbekda CNN

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