Democrata Zohran Mamdani é eleito prefeito de Nova York e impõe derrota para Donald Trump

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Mamdani gerou terremoto dentro do próprio partido por ser ‘muito de esquerda’ e quebrar com padrão tradicional. Aos 34 anos, ele será o 1º prefeito muçulmano da história da cidade.

Zohran Mamdani foi eleito prefeito de Nova York nesta terça-feira (4), segundo projeções da imprensa americana. O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que tentou interferir na disputa ao pregar voto contra o democrata e ameaçar cortar verbas federais caso ele fosse eleito.

Com 90% dos votos apurados, Mamdani aparece em primeiro lugar com 50,4% dos votos. Em segundo está o ex-governador Andrew Cuomo, com 41,6%. O republicano Curtis Sliwa tem 7,1%. Diante deste cenário, a Associated Press projetou a vitória do democrata.

EFE/ Equipo de Campaña Zohran Mamadani

Aos 34 anos, Mamdani fará história ao se tornar o primeiro muçulmano a comandar a maior cidade dos Estados Unidos.

  • A vitória de Mamdani foi marcada por reviravoltas, com o democrata liderando tanto em áreas nobres quanto em bairros de imigrantes.
  • Durante a campanha, ele se destacou pelo discurso contra o alto custo de vida em Nova York.
  • Mamdani será o prefeito mais jovem da cidade desde o século 19. Ele assumirá o cargo no dia 1º de janeiro de 2026.
  • A cidade de Nova York tem 8,4 milhões de habitantes e é governada pelo Partido Democrata desde 2014.

Em discurso, Mamdani exaltou os imigrantes que vivem em Nova York e mandou recado ao presidente Trump. “Se tem alguém que pode mostrar para uma nação traída por Trump como o derrotar, esse alguém é a cidade que o criou, Nova York”, disse o político.

Nascido em Uganda, na África Oriental, Mamdani é filho de mãe indiana e pai ugandês. Mudou-se para os Estados Unidos ainda na infância e construiu carreira política no estado de Nova York. Desde 2021, é deputado estadual.

De perfil socialista e progressista, Mamdani ganhou destaque nacional pelos discursos em defesa da Palestina e pelas críticas às ações de Israel na Faixa de Gaza durante a guerra contra o Hamas.

O democrata venceu as eleições prometendo reduzir o custo de vida dos nova-iorquinos e ampliar a oferta de serviços públicos gratuitos. Especialistas e a imprensa americana questionam a viabilidade econômica do plano dele, que inclui o congelamento dos aluguéis e a criação de mercados municipais com produtos mais baratos.

Em 2020, ele gerou controvérsia ao chamar a polícia de Nova York de “racista” e de “grande ameaça à segurança pública”. O agora prefeito eleito pediu desculpas pelas declarações no mês passado, durante a reta final da campanha.

Carismático e com linguagem próxima dos jovens, Mamdani se projetou como um candidato popular nas redes sociais, especialmente no TikTok. Sua ascensão, no entanto, provocou divisões internas entre os democratas.

  • Setores mais tradicionais do partido consideram o novo prefeito “muito à esquerda” e distante do pragmatismo tradicional e histórico da legenda.
  • Lideranças democratas demonstraram certa resistência em apoiá-lo na campanha.
  • O ex-presidente Barack Obama, por exemplo, não declarou apoio público, mas telefonou para Mamdani dias antes da votação para elogiar a campanha.

Em uma rede social, Trump afirmou que as pesquisas indicam que os republicanos perderam porque ele não estava nas urnas e por causa da paralisação no governo. Já a Casa Branca divulgou uma arte que imitava o brasão do time de basquete New York Knicks, com a frase “Trump é seu presidente”.

Reviravoltas

A eleição de Nova York foi marcada por uma série de reviravoltas. A primeira delas veio ainda nas primárias democratas, quando Mamdani superou o ex-governador Andrew Cuomo — então favorito nas pesquisas — e garantiu a vaga do partido na corrida pela prefeitura.

  • Mamdani começou a campanha mal posicionado nas pesquisas e cresceu aos poucos ao focar no alto custo de vida em Nova York.
  • A virada começou após ele viralizar na internet e ganhar destaque como um candidato “tiktoker”, carismático e com linguagem próxima dos mais jovens.
  • Nas vésperas da votação das primárias, Mamdani ainda aparecia em segundo lugar nas pesquisas, com Cuomo mantendo certa vantagem.

Após a derrota, Cuomo decidiu concorrer como independente e recebeu o apoio do atual prefeito, Eric Adams, que desistiu de disputar a reeleição.

Durante a campanha, Trump também tentou interferir na disputa, declarando apoio a Cuomo mesmo com um republicano, Curtis Sliwa, entre os candidatos.

Mesmo enfrentando resistência dentro do próprio partido e ataques de Trump, Mamdani manteve o ritmo e liderou as pesquisas nas últimas semanas. Levantamentos mostravam vantagens que variavam de 5 a mais de 20 pontos percentuais sobre Cuomo.

Disputa nacionalizada

A rápida ascensão de Mamdani na política americana fez com que os olhos dos Estados Unidos e do mundo se voltassem para a eleição para a Prefeitura de Nova York.

O perfil carismático e popular do democrata chamou a atenção do público, com ele usando uma linguagem mais acessível e propondo soluções compreensíveis aos eleitores em problemas envolvendo moradia, transporte público e custo de vida.

O crescimento de Mamdani incomodou adversários. Republicanos passaram a chamá-lo de “comunista” e “radical”, e a campanha foi marcada por ataques de cunho religioso, relacionando Mamdani ao extremismo islâmico e aos ataques terroristas de 11 de setembro.

Logo, Trump também passou a criticá-lo. O presidente usou as redes sociais para chamar o candidato de “comunista” e “radical”. Na véspera da eleição, afirmou que, se Mamdani fosse eleito, ele cortaria recursos federais destinados a Nova York.

“É minha obrigação governar a nação, e tenho a firme convicção de que a cidade de Nova York será um completo desastre econômico e social caso Mamdani vença”, publicou.

“Prefiro muito mais ver um democrata com histórico de sucesso vencer do que um comunista sem experiência e com histórico de fracasso total”, disse, ao anunciar apoio a Cuomo.

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