Prefeito, vice e vereadores de cidade no Maranhão são presos por suspeita de desvio de mais de R$ 56 milhões

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Segundo o Gaeco-MA, há indícios da prática dos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais, ocorridos durante a gestão do prefeito Paulo Curió.

O prefeito de Turilândia (distante 157 km de São Luís), Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita Tânia Mendes e cinco vereadores do município, foram presos durante a Operação Tântalo II, fruto de uma investigação do Ministério Público do Maranhão, que revelou um esquema de corrupção que operava na Prefeitura, desviando mais de R$ 56 milhões de recursos públicos.

Divulgação/Gaeco-MA

A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizada em fevereiro deste ano. Os alvos foram presos na última segunda-feira (22). Em um único alvo, em São Luís, foram apreendidos quase R$ 2 milhões.

As ordens foram expedidas pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, por decisão da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim. O total apurado do dano causado ao erário soma R$ 56.328.937,59. O bloqueio do montante foi autorizado pela Justiça.

Cinco vereadores foram presos, mas outros cinco seguem foragidos: Gilmar Carlos, Mizael Soares, Inailce Nogueira e Ribinha Sampaio, do União Brasil e Savio Araújo, do PRD. São investigados também servidores e um secretário municipal de agricultura.

De acordo com procedimento investigatório instaurado no Gaeco, há indícios da prática dos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais, ocorridos durante a gestão do então prefeito José Paulo Dantas Filho (Paulo Curió).

O Ministério Público apurou que o prefeito Paulo Curió e seus aliados desviaram os recursos por meio da criação de empresas fictícias. Curió atuava como ordenador de despesas, direcionando licitações e autorizando pagamentos sem comprovação dos serviços.

Os desvios aconteciam quando as empresas simulavam a prestação de serviços, mas depois devolviam a maior parte do dinheiro ao núcleo político, por meio de “venda de notas fiscais”. As fraudes ocorreram entre os anos de 2021 e 2025.

A vice-prefeita, Tânia Karla Cardoso Mendes Mendonça, era responsável por movimentar os recursos desviados. Apesar de não liderar o grupo criminosos, ela dava “aparência de legalidade às contratações e facilitava a lavagem de capitais”.

A Câmara do município também participou do esquema. Os vereadores foram incorporados ao esquema e se omitiam do dever de fiscalização, após receberem pagamentos periódicos.

O prefeito e a vice estão presos na Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, na capital maranhense, enquanto os vereadores estão em prisão domiciliar, sob o uso de tornozeleira eletrônica.

Os documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos serão analisados pelo Gaeco e pelo Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), com o objetivo de compor o conjunto probatório necessário possivelmente para subsidiar o oferecimento da petição acusatória em desfavor dos investigados.

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