Programa Cisternas supera 100 mil entregas desde 2023, 88% no Nordeste

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Iniciativa do Governo do Brasil garante captação e armazenamento de água para períodos de estiagem, estimula a agricultura familiar, abastece escolas e movimenta a economia do Semiárido e da Região Amazônica ao priorizar mão de obra local nas construções

Programa Cisternas mudou cenários, criou oportunidades e significou melhoria de renda para milhares de famílias. Em 2023, a iniciativa voltou a ser prioridade do Governo do Brasil, fechando 2025 com a marca de 104,3 mil cisternas entregues no período. Na comparação entre o ano passado, quando 48,9 mil tecnologias foram construídas e 2022, com 6,7 mil unidades, o crescimento é de 630%.

Do total de estruturas finalizadas entre 2023 e 2025, 88,6% estão nos nove estados do Nordeste. Só em 2025, das 48,9 mil entregas, 43 mil foram na região. Em algumas Unidades Federativas, a evolução é mais acentuada. Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4,4 mil em 2025, crescimento de 29.000%. Outros estados com avanços expressivos são o Rio Grande do Norte, de 218 para 2.300 (955%), a Bahia, de 870 para 9.000 (934%) e o Maranhão, que saltou de 19 para 701 (3.500%).

Divulgação

A agricultora Iolanda Santos vive na comunidade Paiol, em Parnarama (MA), e sente no cotidiano os resultados do programa coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). “Antes, a gente plantava uma quantidade pequena, só para consumo. Hoje, a gente consegue plantar uma quantidade maior para consumir e vender. Isso gera renda para a nossa família”, relatou.

Ela lembra que era comum a comunidade passar até 30 dias seguidos sem água. Hoje, há 238 cisternas no município maranhense, 124 entregues entre 2024 e 2025.

Um estudo divulgado pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA, na sigla em inglês) apontou que em áreas em que houve a expansão do Programa Cisternas, 30% dos beneficiários do Bolsa Família deixaram de necessitar da transferência de renda do programa. Além disso, houve aumento de 12% dos empregos formais e 20% da renda do trabalho, índices diretamente relacionados à instalação das cisternas.

A pesquisa divulgada no início deste mês, também destacou os impactos na saúde. Houve queda de 16% das internações hospitalares entre adultos e 37% menos internações infantis de doenças relacionadas à qualidade da água.

Para o coordenador do programa no MDS, Vitor Santana, ao longo dos anos a iniciativa tem se mostrado efetiva não apenas por levar acesso à água para famílias em vulnerabilidade social, mas por outros diversos benefícios. “O programa tem impactos significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação da produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda às famílias beneficiárias”.

Tecnologia social

Criado em 2003, o Programa Cisternas apresenta um conjunto de tecnologias sociais de baixo custo para o acesso à água de qualidade. Uma tecnologia social é quando as pessoas impactadas participam dos processos de execução da iniciativa. No caso do programa, a mão de obra para construir as estruturas é formada e escolhida na própria comunidade, o que gera oportunidades de trabalho e movimenta a economia local.

“A colaboração com a sociedade civil e organizações sociais é essencial para alcançar áreas onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa Cisternas é um exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na convivência com o Semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma”, afirmou a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal.

O público-alvo é composto por famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil.

“Nós, como Governo do Brasil, seguimos juntos para continuar esse processo participativo que nos fez chegar alcançar mais de um milhão de cisternas no Semiárido e a expandir o programa para a Amazônia”, prosseguiu Rahal.

Pelo Novo PAC, são mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma meta de 219 mil. Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que somam R$ 1,7 bilhão em aportes. Desde 2003, são 1,34 milhão de unidades entregues.

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Vertentes

Voltada para o consumo humano, a água captada pelas cisternas de 16 mil litros é utilizada para beber, cozinhar e para higiene pessoal. Já tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de animais. Há ainda vertentes específicas para escolas públicas rurais e sistemas multiuso, comunitários, adequados a populações tradicionais.

Ambiente escolar

Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas mudaram a realidade do ambiente de ensino no município de Salvaterra. Abastecidas por poços artesianos, as escolas da região ficavam muitas vezes sem água quando faltava energia para as bombas d’água, o que dificultava a limpeza das salas, o preparo de alimentos e a higiene. Com isso, crianças e professores eram obrigados a voltar para casa.

Com as cisternas, a captação no período chuvoso passou a garantir o fornecimento de água e não apenas para os estabelecimentos de ensino. “Essa água garante higiene pessoal, limpeza da escola, irrigação da horta, para o nosso consumo e da comunidade, quando falta energia aqui”, explicou Siane Cristina Lopes, merendeira que recebeu capacitação para o uso das cisternas. “Aprendemos a limpar a cisterna, usar os equipamentos e garantir água segura”, contou.

Produção

No município cearense de Morada Nova, Francisco Regivaldo Assunção viu o cotidiano mudar diante das tecnologias sociais do Programa Cisternas. Antes, nos períodos secos, ele disputava espaço no açude com os animais. Atualmente, tem a cisterna que armazena água para o consumo cotidiano e outra cisterna de enxurrada para captar água de um córrego e acumular em outro reservatório para garantir a produção de frutas e hortaliças.

“A água do córrego vem para cá, filtrando. Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir. E assim as coisas vão melhorando”, explicou o agricultor.

Assessoria de Comunicação – MDS

Leonidas Amorim
Leonidas Amorimhttps://portalcidadeluz.com.br
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