O governo federal anunciou um novo tarifaço sobre produtos importados e elevou o Imposto de Importação de 1.252 itens dos setores de tecnologia, máquinas e equipamentos. A medida, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), entra em vigor em março e atinge diretamente produtos como computadores, smartphones, roteadores, servidores, equipamentos médicos, componentes eletrônicos, máquinas industriais, além de equipamentos agrícolas e de construção.

Com a recomposição das alíquotas, as tarifas passam a variar entre 7,2% e 25%, incluindo faixas intermediárias de 10%, 12,6%, 15% e 20%. Segundo o governo, o objetivo é proteger a indústria nacional diante do avanço das importações e estimular o fortalecimento da cadeia produtiva no país.
Apesar da repercussão no setor produtivo, o secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ualace Moreira, afirmou que não haverá impacto nos preços ao consumidor. Ele argumenta que a maior parte dos celulares vendidos no Brasil é fabricada no próprio país — inclusive modelos de iPhone — e que produtos sem produção nacional continuam com tarifa zero por meio do regime de ex-tarifário.
O secretário também destacou que segmentos estratégicos seguem amparados por incentivos fiscais, como a Lei de Informática, a Lei do Bem e benefícios da Zona Franca de Manaus. Segundo ele, a medida foi “amplamente estudada” para preservar empregos, garantir previsibilidade e evitar pressões sobre a inflação.
Já a Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP) contesta a avaliação do governo. A entidade afirma que o aumento, como no caso dos smartphones — cuja alíquota subiu de 16% para 20% em fevereiro de 2026 — tende a elevar custos imediatamente, impactando preços ao consumidor e a competitividade das empresas.
Para a associação, parte relevante dos itens afetados corresponde a bens intermediários e componentes usados na indústria nacional, o que pode gerar efeito em cascata na cadeia produtiva, pressionando margens, investimentos e exportações.
Enquanto o governo defende a medida como estratégia de fortalecimento industrial e equilíbrio das contas externas, importadores alertam para possível aumento de preços e encarecimento da tecnologia no país.





