Relações complicadas podem acelerar o envelhecimento e o surgimento de doenças crônicas

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Pesquisadores concluíram que cada pessoa desagradável na convivência corresponde aproximadamente a 1,5% no aumento do ritmo de envelhecimento e cerca de nove meses a mais de idade biológica.

É comum que relações difíceis gerem estresse e um certo cansaço pelos conflitos constantes. Mas uma nova pesquisa revelou que o efeito do convívio com pessoas desagradáveis pode ir muito além: faz com que a gente envelheça mais rápido.

O estudo, publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), relacionou informações das redes de convívio dos participantes com dados sobre o envelhecimento biológico obtidos a partir de amostras de saliva.

Diulgação

A conclusão foi que vínculos sociais negativos estão associados a um processo mais acelerado de ganho de idade e podem piorar problemas como inflamações e doenças crônicas.

Os resultados são preocupantes, já que relações negativas não são raras, mesmo entre vínculos próximos – quase 30% das pessoas relataram conviver com pelo menos uma pessoa difícil.

Byungkyu Lee, professor assistente de Sociologia na New York University e um dos autores principais do estudo, explica que o estresse envolvido nessas relações é um mecanismo que ajuda a explicar essa associação.

“Relações difíceis podem gerar experiências repetidas de tensão, críticas e desgaste emocional que mantêm os sistemas de resposta ao estresse do corpo ativados ao longo do tempo”, afirma o pesquisador em entrevista ao g1.
Ele detalha que, quando esse estresse se torna contínuo, isso pode contribuir para alterações na inflamação, na função imunológica e em outros processos biológicos que estão diretamente ligados ao envelhecimento.

É como se esses relacionamentos problemáticos se tornassem uma fonte de desgaste para o corpo, tanto para a saúde mental quanto física.

Os pesquisadores lembram que o estudo não prova uma relação direta de causalidade entre os dois fatores, mas sim uma associação consistente de que esse tipo de relação pode levar a uma aceleração do envelhecimento.

Quanto mais relações difíceis, pior

Além de mostrar essa associação entre o estresse do convívio com pessoas difíceis e o ganho de idade, o estudo também revelou que esse efeito é acumulativo. Ou seja, quanto maior o número de relacionamentos difíceis, mais acelerado se torna o envelhecimento.

A partir dos dados, os pesquisadores concluíram que cada pessoa desagradável na convivência corresponde aproximadamente a um aumento de 1,5% no ritmo de envelhecimento e cerca de nove meses a mais de idade biológica.

Outro ponto importante observado foi que nem todas as relações negativas têm o mesmo impacto.

"As associações mais fortes com envelhecimento acelerado apareceram quando a pessoa difícil era um familiar que ocupava uma posição central no círculo social próximo do participante", destaca Lee.

Segundo o pesquisador, isso sugere que os relacionamentos mais prejudiciais podem ser os que são ao mesmo tempo estressantes e difíceis de evitar, especialmente vínculos muito inseridos na vida cotidiana.

Nesse contexto, o contexto social também exerce uma influência significativa. Isso porque os fatores sociais ajudam a determinar se o estresse será ocasional ou crônico, e se a pessoa tem recursos para lidar com ele.

Um relacionamento difícil pode se tornar ainda mais prejudicial quando está ligado a obrigações familiares, rotinas compartilhadas ou dependência financeira, por exemplo.

“O equilíbrio da rede social de uma pessoa também importa: estar cercado por uma combinação de relações de apoio pode ajudar a amortecer os efeitos do estresse, enquanto uma rede com mais conflitos crônicos pode amplificá-los”, compara o pesquisador.

Como reduzir os efeitos das relações negativas?

Considerando que muitos dos relacionamentos estressantes com os quais temos contato no dia a dia não podem ser evitados, os pesquisadores defendem que o objetivo pode ser reduzir o impacto em vez de eliminá-lo.

Entre as medidas que podem ser tomadas, eles destacam:

  • Estabelecer limites mais claros
  • Reduzir a intensidade e/ou frequência dos conflitos
  • Buscar aconselhamento ou apoio externo
  • Fortalecer outros relacionamentos de apoio que possam amortecer o estresse
"Oportunidades comunitárias que ajudem as pessoas a ampliar suas redes sociais [...] também podem ajudar a compensar parte do desgaste causado pelo estresse interpessoal crônico", pontua Lee.

Próximos passos do estudo

Segundo os pesquisadores, os próximos passos do estudo incluem realizar pesquisas longitudinais, que acompanhem as pessoas ao longo do tempo, para entender se a mudança na exposição a pessoas difíceis altera os parâmetros de envelhecimento.

A ideia é também entender os padrões específicos de mudança no DNA ligados ao estresse crônico.

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