Brasil registra recorde de transplantes, mas recusa familiar mantém filas em alta

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País ultrapassou 31 mil transplantes em 2025, enquanto número de pacientes à espera de órgãos cresceu e chegou a quase 74 mil; Piauí tem 4ª maior fila de espera.

O Brasil registrou em 2025 o maior número de transplantes da história, com mais de 31 mil procedimentos realizados em todo o país. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram crescimento de 21% em relação a 2022, impulsionado principalmente pelos transplantes de córnea, rim e fígado.

Apesar do avanço nos números gerais, a recusa familiar para doação de órgãos ainda é considerada um dos principais entraves do sistema e contribui para o aumento das filas de espera.

Segundo o levantamento, o Sistema Único de Saúde (SUS) financiou cerca de 86% dos transplantes feitos no país em 2025. O investimento federal destinado ao setor passou de R$ 1,1 bilhão em 2022 para R$ 1,5 bilhão neste ano.

O transplante de córnea liderou o número de procedimentos, com 17.790 cirurgias realizadas. Em seguida aparecem os transplantes de rim, com 6.697 casos, medula óssea, com 3.993, fígado, com 2.573, e coração, com 427.

Os dados do Registro Brasileiro de Transplantes apontam ainda que o país teve 4.335 doadores efetivos em 2025, equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes, o maior índice já registrado no Brasil. Também houve recorde no número de notificações de potenciais doadores, que chegou a 15.940.

Apesar disso, cerca de 45% das famílias consultadas recusaram a autorização para doação de órgãos após a confirmação da morte encefálica. A contraindicação médica respondeu por outros 19% dos casos em que a doação não foi efetivada.

Filas cresceram em 2025
Mesmo com o aumento dos transplantes, a fila de espera por órgãos continuou crescendo. Em dezembro de 2025, havia 73.877 pacientes aguardando um transplante no país, alta de 12% em comparação com o ano anterior.

Ao longo do ano, 4.102 pessoas morreram enquanto aguardavam um órgão, número 9% maior do que o registrado em 2024. Além disso, atualmente, apenas 27,2% das notificações de potenciais doadores resultam efetivamente em transplantes.

As diferenças regionais também permanecem expressivas. A região Sul apresentou a maior taxa de doadores efetivos, com 34,8 por milhão de habitantes. Santa Catarina e Paraná lideraram o ranking nacional. Já a região Norte registrou apenas 8,5 doadores por milhão, e estados como Roraima e Amapá não tiveram nenhum doador efetivo durante o ano.

O Piauí, por sua vez, reflete o crescimento nacional no número de transplantes. Em 2025, o estado bateu recorde de procedimentos do tipo, registrando um aumento expressivo em transplantes renais e de córneas. Ainda assim, o estado é o 4º com maior número de pacientes na fila de espera para passar pelo procedimento.

O aumento do transporte aéreo de órgãos e equipes médicas foi um dos fatores apontados para o crescimento dos transplantes. Em 2025, foram realizados 4.808 voos para deslocamento de órgãos, pacientes e profissionais de saúde, aumento de 22% em relação a 2022.

O governo federal também atribui os resultados à modernização do Sistema Nacional de Transplantes, incluindo o uso da chamada “prova cruzada virtual”, tecnologia que permite verificar previamente a compatibilidade entre doador e receptor.

Além disso, mais de mil profissionais de saúde participaram de programas de capacitação voltados à identificação de potenciais doadores e ao acolhimento de famílias.

Apesar do recorde geral de transplantes, alguns procedimentos apresentaram queda ou permaneceram abaixo dos níveis registrados antes da pandemia. Os transplantes cardíacos recuaram 4,3% em relação a 2024, enquanto os transplantes de pulmão e pâncreas continuam abaixo dos patamares observados em 2018 e 2019.

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