Investigação aponta manipulação de balanços para ocultar a situação financeira do banco e apura operações consideradas irregulares em benefício da controladora
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraudes no Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do banco Digimais, instituição controlada pelo grupo do bispo Edir Macedo. A ação ocorre em São Paulo e inclui o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Também foram autorizados o bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a PF, a investigação teve como base relatórios produzidos pelo Banco Central que apontaram indícios de graves irregularidades na condução dos negócios da instituição financeira. A apuração busca esclarecer a atuação dos administradores do banco e a existência de um esquema para mascarar sua situação patrimonial.
De acordo com os investigadores, o grupo teria manipulado balanços e demonstrações contábeis para ocultar a real condição econômico-financeira da instituição e transmitir aos órgãos de fiscalização uma aparência de solvência. As suspeitas incluem ainda a superavaliação de ativos e o reconhecimento artificial de receitas que, somadas, alcançariam centenas de milhões de reais.
A Polícia Federal também apura operações financeiras supostamente realizadas de forma irregular em benefício da empresa controladora do banco, além da possível inserção de informações falsas ou manipuladas em sistemas oficiais utilizados pelo órgão regulador do setor financeiro
Até o momento, a PF não divulgou detalhes sobre o material apreendido durante o cumprimento dos mandados nem informou se houve prisões relacionadas à Operação Miragem.
Por Jônatas Levi, Luiz Eduardo de Castro e Anna Júlia Steckelberg — Rio de Janeiro





