Ao apresentar o Pacto Brasil contra o Feminicídio em Teresina, a primeira-dama Janja Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (30), que o feminicídio é uma cultura de destruição da história e identidade das mulheres. Em sua fala, ela se emocionou, lembrou do caso Janaíba Bezerra e disse que combater a violência a mulher é um dever de todos.
A cerimônia de mobilização contou com a presença de representantes dos três Poderes, da rede de apoio no hotel Blue Tree, zona Sul da capital.
Ao discursar, a primeira-dama iniciou a fala citando nomes de vítimas de feminicídio no Piauí. Janja citou os assassinatos de Francisca das Chagas Veras Martins, de 50 anos, morta a facadas pelo ex-marido, em Capitão de Campos e da jovem Larissa Cordeiro Pereira, de 21 anos, que foi assassinada a tiros em 21 de julho de 2026, enquanto trabalhava como operadora de caixa em um supermercado em Canto do Buriti.

“Cito o nome das vítimas para que a gente não esqueça. Existe um rosto, história, dor familiar que poderia ser evitado. O feminicídio é tentar destruir toda a história da mulher, desfigura seu rosto, eles querem anular o traço de existência da mulher. Essas mulheres que eu acabei de falar, elas perderam sua vida nos últimos meses no Piauí. Mulheres que deixam para trás famílias, amigos, sonhos, que deixam um vazio sem fim na vida dos seus filhos e filhas, de suas mães, tias e avós. Mulheres e meninas que não podemos esquecer e que precisamos sempre honrar e é isso que a gente está fazendo aqui hoje. Eu sempre digo que a gente está honrando essas mulheres”, disse Janja.
Ela afirmou que o Piauí é um exemplo a ser seguido e lembrou do assassinato de Janaína Bezerra, estuprada e morta em 2023 dentro da UFPI.
“Esse é o Brasil que eu quero, que eu nunca mais ter que ler o nome de uma mulher vítima de feminicídio. Esse é o país que eu sonho. Eu quero ler o nome de mulheres que conquistaram seu diploma, que viram seus filhos crescerem e se formarem, esse é o meu sonho, esse é o Brasil que eu acredito e é para isso que eu trabalho todos os dias”, disse.
A primeira-dama defendeu a integração de ação entre todas as instituições.
“É mais do que um acordo institucional, o pacto representa um compromisso com cada mulher desse país, um compromisso de não aceitar a violência como destino, de não naturalizar o medo e de afirmar todos os dias que a vida das mulheres importa. Sabemos que o feminicídio não é uma fatalidade, ele pode e deve ser prevenido”, disse.
“Eu falo o nome dessas mulheres porque normalmente quando os homens matam uma mulher, eles querem destruir não só uma vida, eles querem destruir toda uma história, eles querem destruir uma identidade”, disse Janja.
“Todos tem que se unir contra o feminicídio”, diz Chico Lucas
O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, defendeu a união de todas as instituições no combate a violência as mulheres.
“O pacto é dizer que o problema não é só de segurança, mas cultural, estrutural, precisa da conjunção de esforços. Todos tem que se unir. União é fundamental”, disse Chico Lucas.
Ele citou a luta da delegada Vilma Alves, primeira mulher delegada do estado, a Eugênia Villa, pioneira em lançar a delegacia de combate ao feminicídio e Esperança Garcia, que denunciou maus tratados e foi reconhecida como primeira advogada do Brasil.
Ele garantiu que o feminicídio foi reduzido no país, e que é área prioritária do governo federal.
“O presidente Lula se sensibilizou e trouxe para o centro do debate o enfrentamento ao feminicídio”, disse Chico Lucas atribuindo a luta da primeira-dama.
Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

O governador Rafael Fonteles disse que fez questão de participar da solenidade do pacto em Brasília, em fevereiro deste ano e que ficou “sensibilizado e marcou muito” o discurso de Janja.
No estado, Rafael Fonteles lembrou que nenhuma mulher monitorada pela Patrulha Maria da Penha foi vítima de feminicídio. “A denúncia em primeiro lugar e a medida protetiva na sequência, salva vidas”, disse.
Durante seu discurso, o governador defendeu a integração de forças contra a violência as mulheres.
”Só a vontade não resolve, por isso que a gente tem que ter as melhores técnicas, basear em dados e evidências, integrar as instituições. Problema difícil, não tem solução fácil, e a violência envolve vários fatores”, disse o governador.
A procuradora Geral de Justiça, Claúdia Seabra e o ministro Wellington Dias destacaram a importância do pacto para combater a cultura do ódio as mulheres e de ações preventivas que salvam vidas.
Três Poderes na solenidade
A solenidade contou com a presença da ministra das Mulheres, Marcia Lopes, do ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias, do Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, do governador Rafael Fonteles, da primeira-dama, Isabel Fonteles, do presidente da Alepi, Severo Eulálio e representantes do Tribunal de Justiça, da procuradora Claúdia Seabre e de representantes da rede de apoio as mulheres. Participaram do evento os senadores Marcelo Castro e Jussara Lima.
A secretaria estadual da Mulher, Diva Vasconcelos, ressaltou que o Piauí aderiu ao pacto em 2025 e a solenidade reafirma o compromisso pela vida das mulheres.
O lançamento do pacto acontece no auditório do hotel, que está com acesso restrito e com detectores de metal.
Antes do evento, previsto para acontecer às 15h, Janja se reúne com entidades ligada as mulheres.
A primeira-dama está visitando várias cidades do país em uma agenda de mobilização nacional em torno do combate ao feminicídio e da promoção da igualdade de gênero.
O Piauí é um dos estados que reduziu os índices de feminicídios. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o estado reduziu em 61% os feminicídios comparando o primeiro semestre de 2026 com 2025. O Anuário de Segurança Pública revelou que, no entanto, a violência sexual como estupro, importunação e violência psicológica registraram alta.
Delegada Nathália Figueiredo, do Núcleo de combate ao Feminicídio, destacou que o pacto é importante para combater a violência a mulher.
“O feminicídio é reflexo ainda de uma sociedade permeada pelo machismo. Essa redução dos números requer justamente uma mudança de mentalidade. É necessário um viés preventivo e repressivo realizados de forma coesa, conjunta”, disse a delegada.
A coordenadora da Casa da Mulher Brasileira, Andrea Bastos, participa do evento e informou que a instituição já atendeu cerca de 50 mil mulheres vítimas de violência no Piauí.
Foto: Benonias Cardoso/Cidadeverde.com

Por Yala Sena – Cidadeverde.com





