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PP comunica a Tereza Cristina que não será vice de Flávio e reforça neutralidade nas eleições

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Senadora havia comunicado disposição de integrar chapa do PL, o que levou partido a consultar estados; maioria foi contra

A direção nacional do PP decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial e barrou a tentativa da senadora Tereza Cristina (MS) de obter o aval do partido para ser candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada por maioria após uma consulta aos diretórios estaduais, feita depois de a parlamentar comunicar a aliados que estava disposta a aceitar o posto e tentar reverter a posição que já havia sido comunicada a Flávio pelo presidente da legenda, Ciro Nogueira (PP-PI), na semana passada.

Com o resultado, o PP também decidiu não convocar uma convenção nacional para discutir a entrada na chapa de Flávio. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a direção afirmou que a decisão já foi comunicada e “acatada” por Tereza.

“O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, diz a nota.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A consulta aos estados foi a última tentativa de abrir caminho para a composição. Depois de relutar em disputar a vice e negar a possibilidade em uma conversa com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Tereza comunicou nesta semana a integrantes do PP que estava disposta a integrar a chapa.

Diante da mudança, Ciro deu à própria senadora a missão de tentar convencer dirigentes do partido a rever a neutralidade. A articulação, porém, esbarrou na resistência de nomes influentes da legenda. O líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Eduardo da Fonte (PE), entre outros integrantes da cúpula, defenderam a manutenção da posição já acertada.

Reservadamente, dirigentes afirmam que prevaleceu a avaliação de que o PP não deveria abandonar o arranjo construído para embarcar em uma candidatura que ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua coalizão. Um deles resume que não fazia sentido “morrer na praia com Flávio”. Há também críticas à forma como o presidenciável conduziu as negociações com a legenda, considerada por integrantes da cúpula como “a pior maneira possível”.

O resultado representa um revés para a estratégia do PL de atrair a federação formada por PP e União Brasil e evitar que Flávio entre oficialmente na campanha presidencial sem o apoio de outros grandes partidos. Tereza era tratada pela cúpula do PL como o “nome ideal” para a vice, por seu trânsito com o Centrão e o agronegócio.

Além da decisão política, o PP também apontou um obstáculo estatutário para uma eventual reviravolta. O estatuto da legenda exige antecedência mínima de oito dias para a convocação de uma convenção nacional. Com o período de convenções terminando em 5 de agosto, dirigentes avaliam que uma mudança só seria possível em caso de consenso na direção — cenário que não existe.

PP vê ‘chantagem’ em pressão de Flávio

Nos bastidores, integrantes da cúpula do PP classificaram a movimentação de Flávio para ter Tereza Cristina como vice como uma espécie de “chantagem” para tentar forçar o partido a rever a neutralidade. A avaliação é que o senador buscou criar publicamente um fato consumado em torno do nome da parlamentar, aumentando o custo político para que a direção da legenda mantivesse a decisão de não apoiá-lo.

Dirigentes do PP comparam a estratégia à adotada por Flávio em relação ao Republicanos, quando passou a defender a ex-presidente da Caixa Daniella Marques para a vice mesmo sem ter o aval da cúpula da legenda. Na leitura desses integrantes, nos dois casos o presidenciável tentou avançar sobre um nome de outro partido para pressionar a direção a embarcar em sua candidatura.

No caso do Republicanos, porém, a pressão era ainda maior. Daniella havia se filiado à legenda sem o conhecimento do presidente do partido, Marcos Pereira. Como o prazo para troca de partido terminou em 4 de abril, ela já não poderia migrar para outra sigla para compor a chapa, o que colocava Pereira contra a parede diante da investida do PL.

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