Primeiro dia oficial de campanha leva candidatos às ruas; discursos falaram sobre segurança pública, crime organizado, soberania nacional e STF
Embora partidos e candidatos já estejam há muitos meses trabalhando o diálogo com o eleitor e fazendo articulações políticas, neste domingo, 16, foi dada a largada oficial das campanhas para as eleições de 2026. Vários candidatos aproveitaram o dia para fazerem atos públicos de grande repercussão, para mostrar ao público quais são as pautas das suas campanhas. A partir de agora, está permitido pedir votos de forma explícita e fazer propaganda eleitoral na TV, no rádio e nas redes sociais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, um local simbólico para o movimento sindical, berço político de Lula. No discurso, falou sobre soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres, exploração de terras raras e combate ao crime organizado.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, homenageou Marisa Letícia, esposa de Lula que faleceu em 2017. “Ela, que junto a outras tantas mulheres que não estavam no chão da fábrica em 79, que não eram líderes sindicais naquele momento, tiveram um papel essencial nos bastidores”, disse Janja no evento deste domingo.
O principal adversário do petista, Flávio Bolsonaro (PL), também escolheu um terreno seguro: a praia de Copacabana, na capital fluminense, berço do bolsonarismo. Ele tocou áudios antigos com a voz do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e buscou se colocar como uma continuidade ao projeto político dele. “Não dá para comparar o filho do Pelé com o Pelé, mas eu aceitei essa missão”, disse o senador.
Flávio disse que o bolsonarismo é o “último obstáculo para que o país não vire uma ditadura” e mencionou o fato de que o próximo presidente da República vai indicar quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele prometeu que, se vencer, vai indicar magistrados “contra o aborto, contra as drogas, que não vão perseguir adversários políticos”.
Os outros candidatos a presidente também se dedicaram a fazer atos públicos para oficializar o começo da campanha. Renan Santos (Missão) escolheu o Largo do São Francisco, que abriga a Faculdade de Direito da USP, da qual ele foi aluno, mas não concluiu o curso. Usando um colete à prova de balas, ele tocou e cantou para os apoiadores. Um dos apelos mais fortes dele no discurso foi o enfrentamento às facções. “Nós vamos tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos”, disse.
O ex-governador do Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), participou de uma missa e fez uma carreata no entorno da capital federal, começando por Águas Lindas de Goiás e passando por várias outras cidades cumprimentando apoiadores. Assim como os adversários, ele também falou da segurança pública. “Estamos aqui em Valparaíso. Era a cidade mais violenta do Brasil em 2018, Caiado assumiu em 2019. Transitando o povo na rua, passeando nas praças, todo mundo alegre, tranquilo, restaurante aberto, uma vida normal que só se tem aonde se tem segurança pública”, disse.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, escolheu o norte de seu estado para começar a campanha. Ele também participou de uma missa na cidade de Montes Claros, no norte do estado, e visitou pontos da cidade. O ex-governador voltou a defender a criação de um superpresídio na Amazônia. “Vamos levar todos os líderes de organizações e facções criminosas”, falou o candidato.
Por Isabella Alonso Panho- VEJA





