Estado reúne 299 mil pessoas com deficiência, segundo o IBGE, mas registra a segunda menor taxa de ocupação do país; apenas 42 dos 224 municípios têm conselhos de PCD em funcionamento
O Piauí está entre os estados brasileiros com a maior proporção de pessoas com deficiência, mas também registra um dos menores índices de participação desse público no mercado de trabalho. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta terça-feira (22), mostram que 299 mil pessoas com deficiência viviam no estado em 2022, o equivalente a 9,3% da população com dois anos ou mais de idade.

O percentual coloca o Piauí na segunda posição do país, atrás apenas de Alagoas, que registrou 9,6% da população com deficiência.
O cenário muda quando o levantamento considera a inserção no mercado de trabalho. Em 2022, apenas 22,1% das pessoas com deficiência em idade ativa estavam ocupadas no Piauí, considerando tanto trabalhadores formais quanto informais.
A taxa foi a segunda menor entre os estados brasileiros, ficando à frente somente da Paraíba, com 22%. Entre as pessoas sem deficiência no Piauí, a taxa de ocupação chegou a 45,5%, mais que o dobro do índice registrado entre a população PCD.
Apenas 42 municípios têm conselhos de PCD em funcionamento
Além da baixa participação no mercado de trabalho, os dados mostram que a estrutura municipal voltada à defesa dos direitos das pessoas com deficiência ainda é limitada no estado.
Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do IBGE, 52 dos 224 municípios piauienses possuíam, em 2023, Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência formalmente registrados.
Na prática, porém, apenas 42 municípios mantinham esses conselhos em funcionamento. O número representa somente 18,75% das cidades do Piauí.
Nesses 42 municípios vivem aproximadamente 159 mil pessoas com deficiência, o equivalente a 46,6% da população PCD do estado. Com isso, mais da metade das pessoas com deficiência do Piauí vive em municípios que não possuem um conselho ativo para acompanhar e defender políticas voltadas a esse público.
Os conselhos municipais funcionam como espaços de participação social e acompanhamento das ações e políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência.
Rede pública tem mais estrutura para atendimento especializado
A educação também aparece entre os pontos importantes para a inclusão das pessoas com deficiência. Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que as escolas públicas do Piauí possuem maior presença de estruturas e profissionais voltados ao atendimento de estudantes com deficiência do que a rede privada.
Entre as escolas públicas, 25,2% possuem salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Na rede privada, o percentual é de 17,2%.
A diferença também aparece entre os profissionais de apoio pedagógico. Eles estão presentes em 32,1% das escolas estaduais do Piauí, enquanto o percentual chega a apenas 3,3% nas escolas particulares.
Os números indicam uma presença maior de estruturas de inclusão na rede pública, embora ainda existam diferenças importantes entre os sistemas de ensino.
Inclusão escolar ainda precisa chegar ao mercado de trabalho
Os dados reunidos pelo IBGE mostram que o Piauí possui uma parcela expressiva da população com deficiência, mas enfrenta dificuldades para garantir que essas pessoas tenham maior participação econômica e autonomia financeira.
Apesar dos avanços na estrutura de atendimento especializado nas escolas públicas, a baixa taxa de ocupação entre pessoas com deficiência permanece como um dos principais desafios.
O fortalecimento das políticas municipais, a atuação dos conselhos de direitos e a criação de melhores condições para a transição entre a escola, a qualificação profissional e o mercado de trabalho são pontos centrais para ampliar a inclusão das pessoas com deficiência no estado.





