O Piauí tem dez empregadores inscritos atualmente no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. A atualização foi divulgada nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os casos registrados no estado envolvem 101 trabalhadores.
Na atualização nacional, 82 empregadores foram incluídos no cadastro, quatro deles do Piauí. Segundo o MTE, os novos registros são resultado de ações da Inspeção do Trabalho realizadas entre 2024 e 2026 e envolvem 553 trabalhadores em todo o país.

Entre os dez registros atualmente relacionados ao Piauí, o maior número de trabalhadores aparece no caso de Savio Brito de Pinho, em Cajueiro da Praia, com 25 pessoas. Na sequência estão a WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda., em Palmeira do Piauí, com 23 trabalhadores, e a F T S Construtora Ltda., em Francinópolis, com 20.
Quatro empregadores do Piauí entraram na nova atualização
Dos dez empregadores piauienses que constam no cadastro, quatro foram incluídos na atualização desta terça-feira: Francisco Firmino de Oliveira Junior, F T S Construtora Ltda., José de Jesus Pereira da Rocha e WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda.
Os outros seis já estavam em edições anteriores e permanecem no cadastro durante o período previsto pelas regras do Ministério do Trabalho e Emprego.
A “Lista Suja” é atualizada semestralmente e reúne empregadores responsabilizados administrativamente pela submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão. A inclusão ocorre somente após a conclusão do processo administrativo e decisão definitiva sobre a autuação. Os nomes permanecem publicados por dois anos.
O que caracteriza trabalho análogo à escravidão
Segundo o MTE, a caracterização do trabalho análogo à escravidão não se limita à restrição física da liberdade do trabalhador. A legislação também considera situações de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições degradantes.
Também podem ser enquadradas situações de restrição da locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto, além de vigilância ostensiva e retenção de documentos ou objetos pessoais para impedir que o trabalhador deixe o local.
No Piauí, os casos relacionados no cadastro estão distribuídos entre atividades como agropecuária, pedreiras e construção civil.
O procurador do Trabalho Edno Moura, coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete) no MPT-PI, comentou os números registrados no estado.
“A presença de dez empregadores do Piauí nesse cadastro, envolvendo mais de uma centena de trabalhadores, reforça que o enfrentamento ao trabalho em condições análogas à escravidão precisa ser permanente.”
Os registros do Piauí estão relacionados aos municípios de Batalha, Currais, Monte Alegre do Piauí, Caldeirão Grande do Piauí, Francinópolis, Uruçuí, Piripiri, Altos, Cajueiro da Praia e Palmeira do Piauí.
Confira os 10 empregadores do Piauí que constam no cadastro
- Domingos Laurentino Neto — Batalha — 13 trabalhadores;
- Eduardo Martins Rosal — Currais — 2 trabalhadores;
- Francisco das Chagas Dias Rosal Junior — Monte Alegre do Piauí — 5 trabalhadores;
- Francisco Firmino de Oliveira Junior — Caldeirão Grande do Piauí — 5 trabalhadores;
- F T S Construtora Ltda. — Francinópolis — 20 trabalhadores;
- José de Jesus Pereira da Rocha — Uruçuí — 2 trabalhadores;
- Ludjalma de Sousa Araujo — Piripiri — 4 trabalhadores;
- P Felix de Andrade Ltda. — Altos — 2 trabalhadores;
- Savio Brito de Pinho — Cajueiro da Praia — 25 trabalhadores;
- WP Prestadora de Serviços Gerais Ltda. — Palmeira do Piauí — 23 trabalhadores.





