Levantamento mostra que as dívidas das empresas somaram R$ 244,4 bilhões em agosto de 2026, com maior concentração entre micro e pequenos negócios.
O Brasil atingiu a marca de 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, o maior número já registrado na série histórica da Serasa Experian. O resultado representa um crescimento de 14,3% em comparação com o mesmo mês de 2025, segundo levantamento divulgado na terça-feira (20).
As empresas negativadas acumulavam 68,2 milhões de dívidas, que totalizavam R$ 244,4 bilhões. Em média, cada CNPJ inadimplente tinha 7,4 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 26.355,13.

As micro e pequenas empresas concentraram a maior parte da inadimplência. Ao todo, 8,8 milhões de negócios desse porte estavam negativados, acumulando 61,4 milhões de dívidas, no valor total de R$ 211 bilhões. A média foi de sete contas em atraso por empresa.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os pequenos negócios enfrentam maiores dificuldades para manter o equilíbrio financeiro, principalmente pela menor capacidade de enfrentar oscilações econômicas. Entre os principais desafios estão os custos operacionais, a necessidade de capital de giro e a desaceleração da atividade econômica.
A economista aponta que a recuperação dessas empresas depende de medidas como reorganização do fluxo de caixa, controle das despesas e planejamento financeiro.
Setor de serviços concentra mais da metade das empresas inadimplentes
O levantamento também identificou que o setor de serviços respondeu por 56% das empresas inadimplentes no país. O comércio apareceu na segunda posição, com 32%, seguido pela indústria, com 8%. Outros segmentos representaram os 4% restantes.
Entre os estados, São Paulo apresentou o maior número de empresas negativadas, com 3.173.156 CNPJs. Minas Gerais ocupou a segunda posição, com 927.374, seguido pelo Rio de Janeiro, com 879.915.
Empresas recorrem ao crédito para manter atividades
O custo elevado do crédito continua entre os fatores que pressionam as finanças das empresas brasileiras. Segundo a Serasa Experian, mesmo com a redução dos juros, as condições de financiamento ainda dificultam a recuperação financeira dos negócios, especialmente os de menor porte.
A pesquisa também apontou crescimento de 11,2% na procura por crédito empresarial no acumulado de 12 meses até agosto de 2026.
De acordo com Camila Abdelmalack, o aumento da busca por empréstimos de curto prazo para capital de giro indica que parte das empresas está recorrendo ao crédito para pagar despesas e manter suas operações, em vez de investir na ampliação das atividades.





