Senador derrotado por Lula no segundo turno agradeceu a Donald Trump e Javier Milei e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) em que se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A manifestação ocorreu após o parlamentar deixar o país e desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas.
No documento, Flávio contesta o resultado da eleição realizada no último domingo (25), acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e afirma que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. O senador também agradeceu aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido durante sua saída do Brasil.

A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e sua permanência no território nacional. A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio deixou o Brasil sem cumprir a determinação judicial.
Na carta, o senador afirmou que não considera sua saída do país uma fuga e justificou a decisão como uma forma de continuar sua atuação política. Ele também classificou o governo Lula como um “regime de exceção” e criticou decisões do Judiciário envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio declarou que pretende apresentar, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores e organizar a oposição ao governo federal. Segundo ele, a atuação ocorrerá a partir dos Estados Unidos, com mobilizações que classificou como pacíficas e legítimas.
Saída do Brasil e chegada aos Estados Unidos
De acordo com informações confirmadas pelas autoridades migratórias argentinas, Flávio Bolsonaro e seus familiares cruzaram a fronteira entre o Brasil e a Argentina na noite de terça-feira (27), às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Foz do Iguaçu (PR).
Em seguida, a família embarcou em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador, de onde seguiu para os Estados Unidos. O avião pousou no aeroporto de Opa-Locka, em Miami, por volta das 10h23 desta quarta-feira, no horário de Brasília.
Antes de deixar o Brasil, o senador havia afirmado publicamente que não pretendia sair do país e que cumpriria a determinação de entregar seus passaportes.
Senador questiona resultado eleitoral sem apresentar provas
Na carta, Flávio Bolsonaro também responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do STF, pela decisão que permitiu a continuidade da votação até as 19h em determinadas seções eleitorais no domingo (25).
A medida foi adotada após relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, incluindo problemas no transporte público em diferentes cidades. Inicialmente, a decisão previa a ampliação do horário em todo o país, mas posteriormente foi esclarecido que a prorrogação valeria apenas para as seções onde as urnas ainda estavam abertas.
As duas campanhas presidenciais apresentaram pedidos de ampliação do horário de votação, embora com abrangências diferentes.
Apesar das acusações feitas pelo senador, não foram apresentadas provas que comprovem fraude eleitoral ou alteração do resultado da eleição em decorrência da decisão judicial.
Lula venceu com mais de 4,4 milhões de votos de vantagem
Conforme o resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito presidente da República com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.
A apuração foi concluída com 100% das urnas totalizadas, e a vitória de Lula foi anunciada oficialmente pela Justiça Eleitoral na noite de domingo (25).
Apesar de Flávio Bolsonaro contestar o resultado e se apresentar como presidente eleito, a Justiça Eleitoral reconhece Luiz Inácio Lula da Silva como vencedor do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.





