Exame será integrado ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), terá mais de 5 milhões de participantes e manterá o formato das provas.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 terá uma nova função na avaliação da educação brasileira. Além de continuar sendo utilizado para o ingresso no ensino superior, o exame também servirá para medir a qualidade da aprendizagem dos estudantes que concluem o ensino médio. A mudança foi anunciada pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, na quinta-feira (5).

Com mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, o Enem será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro em todo o país. A partir desta edição, os resultados também passarão a integrar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), utilizado pelo Ministério da Educação (MEC) para acompanhar o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino no Brasil.
Segundo o ministro, a integração permitirá uma análise mais abrangente da aprendizagem no ensino médio. Atualmente, as avaliações do Saeb concentram parte de seus indicadores em língua portuguesa e matemática. Com a utilização dos resultados do Enem, será possível acompanhar também o desempenho dos estudantes em outras áreas do conhecimento.
As informações obtidas deverão auxiliar o MEC e as redes estaduais de ensino na identificação de dificuldades de aprendizagem, no planejamento de políticas educacionais e na análise dos resultados alcançados pelas escolas.
Apesar da mudança, o formato das provas e as regras para os candidatos permanecerão os mesmos. De acordo com Barchini, a alteração ocorrerá na utilização dos dados, que passarão a compor a série histórica de avaliação da educação básica.
Enem mantém acesso ao ensino superior
O Enem continuará sendo uma das principais formas de ingresso no ensino superior brasileiro. As notas obtidas pelos participantes poderão ser utilizadas em programas federais que oferecem vagas, bolsas de estudo e financiamento para cursos de graduação.
Entre eles estão o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), com mais de 275 mil vagas; o Programa Universidade para Todos (Prouni), com mais de 590 mil bolsas; e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), com mais de 100 mil oportunidades de financiamento, conforme os números apresentados durante a entrevista.
O ministro também apresentou o aplicativo gratuito MEC Enem, desenvolvido para auxiliar os candidatos na preparação para as provas. A ferramenta reúne questões de edições anteriores, aulas interativas e recursos de inteligência artificial que permitem avaliar redações e orientar os estudantes durante os estudos.
Pé-de-Meia registra redução no abandono escolar
Durante a entrevista, Leonardo Barchini também apresentou dados relacionados ao programa Pé-de-Meia, criado pelo governo federal para incentivar a permanência e a conclusão dos estudos por alunos do ensino médio da rede pública.
Segundo os números divulgados pelo ministro, o programa contribuiu para uma redução de 61% no abandono escolar e de 62% na reprovação. Os dados também apontam uma queda de 28% na distorção idade-série, indicador que identifica estudantes matriculados em séries incompatíveis com a idade esperada.
Com a inclusão do Enem no Saeb, o Ministério da Educação pretende ampliar o acompanhamento dos resultados do ensino médio, utilizando o desempenho dos participantes como uma das referências para avaliar a aprendizagem e orientar as políticas públicas voltadas à educação básica.





