Acampamentos de apoiadores de Bolsonaro na Esplanada são desmontados

-

Mobilizações tiveram início em maio. Segundo GDF, grupos ocupavam área pública, ‘o que não é permitido’, além do descumprimento de decreto que proíbe aglomerações, devido à pandemia de coronavírus.

Os acampamentos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na Esplanada dos Ministérios, foram desmontados em uma operação coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP) e o DF Legal, órgão de fiscalização na capital. A Polícia Militar atuou na retirada dos grupos entre sexta-feira (12) e este sábado (13).

Foto: Sérgio Lima/Poder360

Imagens mostram corporação usando spray de pimenta contra militantes que ainda estavam no local nesta manhã. Segundo a PM, houve resistência por parte do grupo.

Em nota conjunta ao G1, o DF Legal e a SSP informaram que “os manifestantes ocupavam área pública, na Esplanada dos Ministérios, o que não é permitido” .

Ainda de acordo com as pastas, os grupos descumpriam decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB), que proíbe aglomerações com mais de 100 pessoas em eventos que demandem a autorização prévia do GDF, em razão da pandemia do novo coronavírus.

A operação pela retirada dos manifestantes ocorre mais de um mês após a instalação do acampamento. Entre eles o denominado pelos participantes como “300 do Brasil”. A mobilização, organizada por meio das redes sociais, foi iniciada no dia 1º de maio. Segundo o governo, desde então, o governo tentou negociar a saída do grupo.

“Houve diversas tentativas de negociação para a desocupação da área, mas não houve acordo. Os acampamentos foram desmontados sem confronto”, consta na nota.

Spray de pimenta

Um vídeo mostra manifestantes sentados em uma estrutura de ferro que seria do acampamento, em área de estacionamento da Esplanada. Eles começam a cantar o Hino da Independência, quando um dos policiais lança spray de pimenta contra eles.

De acordo com a Polícia Militar, trata-se de manifestantes que “se amarraram à estrutura de ferro, permanecendo resistentes por horas.” A corporação afirma que “não houve violência, mas sim o uso do spray de pimenta a fim de convencer os manifestantes a liberar o espaço, evitando o confronto físico”.

Reação

A militante Sara Winter, uma das coordenadoras do movimento em apoio ao presidente Bolsonaro, usou as redes sociais para criticar a ação do governo e cobrou de Bolsonaro uma posição. Segundo ela, a PMDF e a SSP “desmantelou” o acampamento com “gás de pimenta e agressões”.

Winter é uma das 17 pessoas que são alvo de uma operação da Polícia Federal contra a disseminação de fake news e ataques a instituições nas redes sociais. A ação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em 27 de maio.

Segundo as investigações, há suspeitas de que o grupo produz e dissemina as informações falsas, seguindo um padrão de mensagens e periodicidade.

Debate na Justiça

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) já havia pedido ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) a desmobilização do acampamento de apoiadores do presidente. O órgão compara o movimento a uma “milícia armada”. No entanto, a solicitação foi rejeitada.

Ao julgar o pedido do MP, o juiz Paulo Afonso Cavichioli Carmona entendeu que a restrição “não é idônea [íntegra] para garantir a sobrevivência da liberdade de pensamento, da liberdade de locomoção e ao direito de reunião”.

Os promotores chegaram a ingressar novos documentos em recurso para tentar, mais uma vez, desmobilizar o acampamento. A pedido do MP, a Polícia Civil passou a investigar integrantes.

O que diz o GDF

Nota da PMDF:

A Polícia Militar informa que alguns manifestantes apresentaram resistência para deixar o local e se amarraram a estrutura de ferro, permanecendo resistentes por horas. Não houve violência, mas sim o uso do spray de pimenta a fim de convencer os manifestantes a liberar o espaço, evitando o confronto físico.

Nota da SSP e DF Legal:

A Secretaria DF Legal informa que os manifestantes ocupavam área pública, na Esplanada dos Ministérios, o que não é permitido. Ainda, o Decreto nº 40.509/20, que trata de medidas de enfrentamento à pandemia, proíbe aglomerações com mais de 100 pessoas em eventos que demandem a autorização prévia do GDF.

A Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP/DF) esclarece que as forças de segurança atuaram em apoio ao DF legal para desmontar os acampamentos irregulares, de acordo com a legislação local.

Houve diversas tentativas de negociação para a desocupação da área, mas não houve acordo. Os acampamentos foram desmontados sem confronto.​

Por G1 DF

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Janela partidária termina com vice do PT e conflito entre MDB e PSD

A principal reviravolta ocorreu com o fim da fusão cruzada entre PSD e MDB Se encerrou nesta sexta-feira (3) a...

Ciro Nogueira prestigia evento com mais de 20 mil pessoas ao lado do Pastor Gessivaldo

O senador Ciro Nogueira (Progressistas) participou, na manhã desta do evento "Família ao Pé da Cruz", promovido pela Igreja...

Mortes por supergripe aumentam 36,9% em um mês e geram alerta no Brasil

Dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz, mostram salto nos óbitos por Influenza A e reforçam a importância da vacinação...

MEC divulga nova chamada da lista de espera para Fies do 1º semestre

Convocações pela lista de espera ocorrerão até 10 de abril O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta quinta-feira (2), uma...

Violência sexual na internet afeta 20% dos adolescentes brasileiros

Levantamento aponta que 3 milhões de menores foram vítimas em um ano; especialistas alertam para riscos em plataformas de...

Passagens aéreas sobem após alta de 54% no querosene de aviação

Reajuste da Petrobras impacta custos das companhias e preços ao consumidor; governo estuda zerar impostos federais sobre o combustível...

Brasil passa de 4 milhões de casos de dengue; mortes chegam a 1.937

Outros 2.345 óbitos estão sob investigação O Brasil passou de...

IBGE aponta que Safra 2024 terá produção maior de algodão, feijão, arroz e trigo

Produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve somar 300,7...

Você também pode gostar
Recomendado para você