O governo federal e a Universidade Federal de Minas Gerais anunciaram o início da preparação documental e clínica para o início dos testes da Calixcoca em seres humanos, a primeira vacina contra a dependência em cocaína e crack do mundo.
Este avanço marca o estágio mais aguardado do projeto, que agora foca na seleção de voluntários e nos protocolos de segurança para as primeiras aplicações clínicas. A autorização permite que os pesquisadores verifiquem se a resposta imunológica positiva observada nos animais se repete de forma segura em pacientes reais.

O imunizante funciona de uma forma inovadora ao criar uma espécie de barreira no sangue do paciente. Ao receber a dose, o sistema imunológico começa a produzir anticorpos que se conectam às moléculas da droga assim que ela entra no organismo. Segundo os pesquisadores, esse processo faz com que a cocaína ou o crack se tornem grandes demais para atravessar a proteção natural do cérebro. Como a droga não chega ao sistema nervoso central, o usuário não sente os efeitos de euforia ou prazer, o que desestimula o consumo e ajuda a quebrar o ciclo químico da dependência durante o processo de recuperação.
Além do impacto direto no tratamento de adultos, as fases anteriores de pesquisa revelaram um benefício adicional significativo no campo da obstetrícia. Em testes laboratoriais, a vacina demonstrou proteção aos fetos de fêmeas expostas à droga, sugerindo que o tratamento poderia prevenir complicações graves e malformações em bebês de mães dependentes. Esse diferencial deu ao projeto reconhecimento internacional e acelerou o aporte de recursos públicos e privados para que o cronograma de testes humanos fosse viabilizado este ano.
Apesar do otimismo com o início desta nova etapa, os especialistas reforçam que a Calixcoca não deve ser vista como uma solução isolada ou uma cura imediata. A vacina é projetada para ser uma ferramenta de suporte dentro de um tratamento mais amplo, que envolve acompanhamento psicológico e social. Se os ensaios clínicos que começam agora mantiverem o sucesso esperado, a previsão é que o tratamento possa ser integrado ao Sistema Único de Saúde em um prazo estimado de quatro anos, oferecendo uma nova perspectiva de vida para milhares de famílias afetadas pelo vício.
Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais





