O prefeito do Recife também afirmou que “não cabe um interlocutor” na relação entre o presidente e o vice.
Presidente do PSB e prefeito do Recife, João Campos disse ao presidente Lula (PT) que o partido quer manter Geraldo Alckmin como vice do petista na eleição de outubro. Lula avalia oferecer o posto para o MDB em uma tentativa de ampliar a aliança pela qual concorrerá à reeleição.
Campos falou a jornalistas nesta terça-feira (10) no Palácio do Planalto, depois de se reunir com Lula. “Foi reafirmado ao presidente o desejo do PSB de manter a Vice-Presidência e que isso é uma prioridade para o nosso partido”, declarou ele.

“A relação do presidente Lula com o vice-presidente Alckmin é muito boa. Ele sabe que para o nosso partido é importante essa construção, e tenho certeza que os dois vão construir isso da melhor forma”, declarou Campos.
O prefeito do Recife também afirmou que “não cabe um interlocutor” na relação entre o presidente e o vice.
Lula e Geraldo Alckmin foram adversários políticos por anos até se aproximarem e se tornarem aliados em 2021, já visando a eleição presidencial do ano seguinte –que foi vencida pelo petista. Um dos catalisadores da união foi a rejeição ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Alckmin foi um dos principais quadros da história do PSDB e transitava bem principalmente entre eleitores mais à direita. Já em 2022, filiou-se ao PSB para poder consumar sua aliança com Lula. O movimento foi um dos mais relevantes da candidatura do hoje presidente, que buscava formar uma frente ampla contra Bolsonaro.
Agora, Lula quer incluir ao menos mais um partido a sua coligação, e tem flertado com o MDB. A operação política é difícil de ser executada, uma vez que a maior parte da legenda é distante do presidente da República. A ideia é isolar seu provável principal adversário na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Lulistas do MDB disseram ao chefe do governo que a única possibilidade de, talvez, atrair o partido para sua coligação é oferecendo a cadeira de vice.
O presidente discutiu o assunto em dezembro com os senadores lulistas Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM). Ficou de marcar nova reunião, mas não o fez até agora.
Na quinta (5), Lula disse publicamente que Alckmin tem “um papel a cumprir” na eleição em São Paulo. A frase foi entendida como um sinal de que ele quer o vice concorrendo a algum cargo e reforçando seu palanque no estado com maior eleitorado.
Emedebistas a par da articulação avaliam que a declaração foi uma espécie de “ok” para avançarem na tentativa de formar uma maioria no partido em favor da aliança. Esse grupo, porém, ainda quer que o presidente faça gestos mais fortes.
Dois dias depois, durante celebração dos 46 anos do PT no sábado (7), em Salvador, o presidente afagou Alckmin dizendo que teve sorte com seus vices: “O Geraldo Alckmin foi uma dessas coisas que Deus fez acontecer na minha vida. É um homem extraordinário que eu respeito e admiro”. O vice esteve presente no evento.
Há três emedebistas cotados para a vice de Lula, caso a articulação dê certo: o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do Pará, Helder Barbalho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
O principal destino especulado para Tebet, porém, é uma candidatura a senadora por São Paulo. Existe a possibilidade de ela mudar de partido, uma vez que o MDB paulista apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Por Caio Spechoto – FOLHA S. PAULO







