Líder Supremo do Irã faz aparição rara e ameaça Israel: ‘Não durará muito’

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Aiatolá Ali Khamenei, autoridade máxima do país, defendeu ataque do Irã a Tel Aviv e pediu que todos os muçulmanos lutem contra Israel. Em gesto raro, ele comandou orações semanais nesta sexta-feira (4) em Teerã.

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, comanda orações de sexta-feira em um gesto raro, em memória do líder do Hezbollah morto no Líbano, Hassan Nasrallah — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Handout via Reuters

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse nesta sexta-feira (5) que Israel “não durará muito” e convocou “todos os muçulmanos” a lutar contra o país.

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, comanda orações de sexta-feira em um gesto raro, em memória do líder do Hezbollah morto no Líbano, Hassan Nasrallah — Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Handout via Reuters

Khamenei falou pela primeira vez desde a escalada de tensões entre Israel e Irã. Ele defendeu o ataque com mísseis do Irã ao território israelense nesta semana e a invasão do Hamas ao sul de Israel há um ano, quando os terroristas mataram 1.200 pessoas, dando início à guerra em Gaza.

O líder supremo classificou os dois ataques de “atos legítimos” e disse que “a nação palestina tem o direito de se defender”. Também chamou Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah morto por Israel em um ataque ao Líbano no fim de semana, de “irmão”.

“A resistência da região não vai recuar, mesmo com a morte de nossos líderes”, declarou.
Khamenei discursou durante as orações semanais do islã em Teerã. Pela primeira vez em cinco anos, ele comandou a cerimônia, em homenagem Nasrallah — a última havia sido em 2020, por conta da morte do general iraniano Qassem Soleimani, ex-comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã. Soleimani morreu em um ataque com drone dos Estados Unidos.

Apesar de não ser o chefe de governo do Irã — cargo exercido pelo presidente —, Khamenei é a autoridade máxima do país. Além de chefiar as Forças Armadas, ele decide sobre questões de guerra e paz e da política externa, além de ser uma espécie de guia espiritual.

Líder há mais tempo no poder no Oriente Médio, ele é um dos principais atores políticos da região, e, portanto, sua posição sobre o atual conflito com Israel era bastante esperada.

Irã e Israel, as principais potências do Oriente Médio, passaram a se enfrentar de forma direta nesta semana, depois da escalada dos conflitos na região nos últimos dias.

Os dois países vinham se enfrentando de forma indireta: há duas semanas, Israel mudou o foco de sua guerra em Gaza para o norte do país, na fronteira com o Líbano, para enfrentar o Hezbollah. O grupo extremista, assim como o Hamas, é financiado pelo Irã com o objetivo de lutar contra Israel.
Após bombardear a capital libanesa, Beirute, e de matar o líder do Hezbollah, as forças israelenses invadiram nesta semana o sul do Líbano para uma incursão por terra que resultou no primeiro combate direto entre soldados israelenses e do Hezbollah.

As ações geraram uma resposta do Irã, que na terça-feira (1º) lançou 180 mísseis sobre o território israelense.

O Líbano também acabou entrando diretamenteo no confilto. Na quinta-feira (3), as Forças Armadas do Líbano reagiram pela primeira vez à ofensiva israelense em seu território e dispararam contra soldados israelenses, em resposta ao ataque a um posto militar, segundo Beirute.

Desestruturado e enfraquecido após duas guerras e em meio a uma das maiores crises econômicas internas no mundo atualmente, o Exército do Líbano sofre com falta de equipamentos, fundos e contingentes. Por isso, tem poucas condições de enfrentar o Exército israelense, na avaliação de especialistas.

Já o Hezbollah, financiado pelo Irã, tem um arsenal maior que o do Exército libanês.

Enquanto isso, os bombardeios de Israel seguem e os bombardeios de Israel ao Líbano já deixaram 1.974 pessoas mortas, afirmou nesta quinta-feira (3) o Ministério da Saúde libanês. Desse total, 127 eram crianças, ainda de acordo com o ministério.

O número ultrapassou o balanço total de mortos na guerra do Líbano em 2006 — quando Israel também invadiu o país vizinho para lutar contra o Hezbollah. Em pouco mais de um mês, o conflito teve um total de 1.191 mortos, entre civis, soldados e membros do Hezbollah.

Entenda o conflito

  • Nos dias 17 e 18 de setembro, centenas de pagers e walkie-talkies usados pelo Hezbollah explodiram em uma ação militar coordenada.
  • A imprensa norte-americana afirmou que os Estados Unidos foram avisados por Israel de que uma operação do tipo seria realizada. Entretanto, o governo israelense não assumiu a autoria.
  • Após as explosões, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, disse que estava começando “uma nova fase na guerra”.
  • Enquanto isso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu que levará de volta para casa os moradores do norte do país, na região de fronteira, que precisaram deixar a área por causa dos bombardeios do Hezbollah.
  • Segundo o governo, esse retorno de moradores ao norte do país só seria possível por meio de uma ação militar.
  • Em 23 de setembro, Israel bombardeou diversas áreas do Líbano. O dia foi o mais sangrento desde a guerra de 2006.
  • Em 27 de setembro, Israel matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, por meio de um bombardeio em Beirute.
  • Em 30 de setembro, Israel lançou uma operação terrestre no Líbano “limitada e precisa” contra alvos do Hezbollah.
  • Em 1º de outubro, o Irã atacou Israel com mísseis como resposta à morte de Nasrallah e outros aliados do governo iraniano. Os mísseis iranianos, no entanto, foram interceptados pelo sistema de defesa israelense, o chamado Domo de Ferro.
Veja onde fica o Líbano — Foto: Arte/g1
Veja onde fica o Líbano — Foto: Arte/g1

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