Nova receita da Coca Cola com açúcar da cana gera debate: mudança afeta a saúde?

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Excesso de açúcar na alimentação está associado a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, acúmulo de gordura no fígado e até alterações no metabolismo cerebral.

A Coca-Cola anunciou nesta terça-feira (22) que passará a utilizar açúcar da cana-de-açúcar na fórmula da bebida comercializada nos Estados Unidos. A decisão veio após pressão do ex-presidente Donald Trump e marca uma mudança importante para o mercado norte-americano, que historicamente usa xarope de milho rico em frutose como adoçante.

Embora a mudança possa ter impacto econômico — inclusive com aumento da importação de açúcar, principalmente do Brasil —, especialistas alertam que os efeitos na saúde do consumidor são praticamente nulos.

James Yarema/Unsplash

Segundo a nutricionista Lívia Horácio, formada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ambos os tipos de açúcar são prejudiciais quando consumidos em excesso.

"Na prática, a troca de xarope de milho por açúcar da cana-de-açúcar não representa uma mudança significativa em termos de impacto nutricional. Ambos continuam sendo fontes de calorias vazias, com alto teor de açúcar e baixo valor nutritivo", explicou.

Diferenças entre os adoçantes

A principal diferença entre os dois adoçantes está em sua composição:

  • Xarope de milho: rico em frutose, com maior proporção desse tipo de açúcar em relação à glicose.
  • Açúcar da cana: contém sacarose, com partes iguais de glicose e frutose.

A nutricionista Isabela Gouveia, mestre em Ciências de Alimentos pela USP e pesquisadora do Food Research Center (FoRC), explica que a frutose em excesso tende a ser mais prejudicial, pois é metabolizada no fígado, o que pode favorecer o acúmulo de gordura no órgão e a resistência à insulina.

"Embora nenhum dos dois possa ser considerado saudável em grandes quantidades, há mais evidências ligando o consumo excessivo de frutose concentrada a alterações metabólicas", pontua Gouveia.

Riscos do consumo excessivo de açúcar

Independentemente do tipo de açúcar, os riscos do consumo excessivo são amplamente conhecidos. Entre os principais problemas de saúde associados estão:

  • Obesidade
  • Diabetes tipo 2
  • Doenças cardiovasculares
  • Gordura no fígado
  • Alterações no metabolismo cerebral

Além disso, um estudo recente apontou que quase 10% dos novos casos de diabetes tipo 2 no mundo estão relacionados ao consumo frequente de bebidas adoçadas.

E os açúcares “naturais”?

Segundo os especialistas, açúcares considerados naturais, como o mel ou o açúcar mascavo, também devem ser consumidos com moderação. Apesar de conterem pequenas quantidades de minerais e antioxidantes, não apresentam vantagens significativas para a saúde.

O mesmo vale para refrigerantes diet e adoçantes artificiais, que embora não contenham açúcar, ainda são alvo de estudos e debates sobre seus efeitos no metabolismo, no apetite e na microbiota intestinal.

Conclusão

A mudança na fórmula da Coca-Cola nos Estados Unidos representa uma alteração de origem industrial, sem reflexo prático na saúde dos consumidores. Para os nutricionistas, o foco deve continuar sendo a redução do consumo de açúcares adicionados, independente da fonte.

O verdadeiro vilão não é o tipo de açúcar, mas a quantidade consumida e sua presença constante em produtos ultraprocessados. A orientação segue sendo clara: moderação é essencial para preservar a saúde.

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