PIS/PASEP: Governo Federal estima que 25,8 milhões têm direito ao abono salarial em 2025

-

Economistas criticam alto custo do repasse, que pode atingir R$ 30,6 bilhões em 2025. Benefício é gasto obrigatório, ou seja, só pode ser alterado ou extinto com uma PEC.

O governo federal estima que 25,8 milhões de trabalhadores terão direito a receber o abono salarial em 2025. A informação consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025, enviada ao Congresso Nacional na semana passada.

O benefício está na Constituição e prevê o pagamento de até um salário mínimo (R$ 1.412, hoje) por ano a trabalhadores que recebem, em média, até dois salários mínimos mensais (R$ 2.428, pelo valor atual).

Divulgação

Para receber, é preciso que o trabalhador:

  • tenha trabalhado pelo menos 30 dias no ano anterior;
  • estejam cadastrados no PIS ou no Pasep há pelo menos cinco anos.

O abono salarial é alvo de críticas por alguns economistas, por conta de seu alto custo — projetado em R$ 30,6 bilhões em 2025 — e por não ser focado na parcela mais pobre da população.

O benefício é classificado como um gasto obrigatório – ou seja, que só pode ser alterado ou extinto mediante Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Projetos desse tipo têm uma tramitação mais extensa e precisam de mais votos de deputados e senadores para serem aprovados.

  • Se encerrado o benefício, o espaço liberado para outras despesas superaria R$ 300 bilhões em dez anos – pois o valor é corrigido anualmente.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou ao g1 que há discussões dentro do governo sobre eventuais aprimoramentos no abono salarial, mas não sobre sua extinção.

Sem espaço no orçamento

A avaliação de analistas é de que a limitação ou o fim do abono salarial ajudariam a evitar a compressão dos gastos livres dos ministérios.

Entre esses gastos livres, estão: luz, telefone, bolsas de estudo, fiscalização ambiental e do trabalho e emissão de passaporte.

Sem limitação de despesas obrigatórias, o Tesouro Nacional espera que os gastos livres dos ministérios não tenham mais espaço a partir de 2030.

A explicação é que o arcabouço fiscal – as novas regras para as contas públicas, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado – fixou um teto para as despesas do governo federal.

  • Elas não podem subir mais do que 70% da alta da receita, e não podem avançar mais do que 2,5% por ano, acima da inflação (foi proposto um intervalo de alta real de 0,6% a 2,5%).
  • Estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara mostra que, entre 2009 e 2016, antes do teto de gastos, as despesas totais do governo (sem contar o orçamento financeiro, da dívida pública) cresceram em média 4,6% ao ano em termos reais (acima da inflação). Ou seja, acima do limite de 2,5% em termos reais da nova regra fiscal. Isso porque despesas previdenciárias, por exemplo, sobem mais do que 2,5% por ano.
  • Por conta do limite de gastos do arcabouço fiscal, economistas avaliam que é importante cortar despesas obrigatórias, por meio de mudanças em leis, para evitar que os gastos livres dos ministérios fiquem sem espaço com o passar do tempo, e também para ajudar a cumprir as metas fiscais.

Em 2025, por exemplo, somente 7,4% das despesas do governo podem ser alocadas livremente pelo governo. Elas estão projetadas em R$ 173 bilhões, para uma despesa total de R$ 2,35 trilhões.

Em 2028, a projeção da área econômica é que o espaço para gastos livres cairá para 3,8% da despesa total.

Críticas ao abono salarial

De acordo com análise do economista Fabio Giambiagi publicada em 2022, o abono salarial:

  • não combate o desemprego, pois quem recebe o abono está empregado;
  • não combate a miséria, porque quem recebe o abono não está entre os 20% mais pobres do país.

“Ele [abono salarial] ajuda a reduzir a informalidade? Não, porque quem recebe o benefício já está no mercado formal”, concluiu, em artigo.
Estudo promovido pela equipe econômica de Paulo Guedes, que comandava a Economia na gestão Jair Bolsonaro, também apontou que, do ponto de vista distributivo, a maior parte do benefício tende a se concentrar nas camadas de renda média da população.

“Consequentemente, o abono tem pouco efeito sobre o nível geral de desigualdade e pobreza da economia, embora contribua para uma redução da desigualdade dentro do grupo de trabalhadores formais”, diz o estudo.

A equipe de Paulo Guedes chegou a cogitar mudanças no abono salarial para destinar mais recursos ao Renda Brasil, programa de transferência de renda, mas a iniciativa foi abortada por Bolsonaro.

O que diz o Tesouro Nacional

Em entrevista ao g1 e à TV Globo, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que há discussões sobre possíveis mudanças no abono salarial, mas não sua extinção.

“Muitos discutem se atrelar ele a um objetivo, uma ação, continuar destinando ele. Para ter algum norte específico que possa ter um efeito estrutural. Vincular à educação do filho, mas não há um debate maduro dentro do governo sobre isso. Na esteira de coisas que precisam ser enfrentadas, essa é uma matéria que há discussões e subsídios sobre isso. Não no sentido de cortar o abono, acho que não é esse. A postura do governo dificilmente seria nesse sentido”, disse o secretário do Tesouro, Rogério Ceron.
De acordo com ele, a vinculação do abono salarial a um objetivo específico é uma proposta já debatida dentro do governo.

“Que em algum momento pode ser discutido. Um aprimoramento que continue dando o benefício mas também junto com ele venha um objetivo claro de atendimento de política pública”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Alepi aprova audiência para debater isenção de ICMS na energia solar no Piauí

A realização da audiência pública deve ser no âmbito da Comissão de Fiscalização e Controle, Finanças e Tributação. Na última...

Prefeitura de Marcos Parente passa a ser investigada pelo Ministério Público do Trabalho

Investigação apura condições sanitárias, uso de EPIs e estrutura oferecida a servidores municipais. O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou...

Ação da Secretaria de Agricultura garante distribuição de 40 mil alevinos em Jerumenha

A Prefeitura de Jerumenha, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, distribuiu 40 mil alevinos nesta sexta-feira, 10 de...

Guadalupe avança no SAEPI com aumento de 107 pontos em Português e 66 em Matemática

Por Layne Mariana. O município de Guadalupe apresentou avanço nos resultados do Sistema de Avaliação Educacional do Piauí (SAEPI) 2025,...

Prefeito e vice de Cajueiro da Praia são cassados por abuso de poder

O prefeito de Cajueiro da Praia, Felipe Ribeiro (PT) e sua vice Nathália Regia de Carvalho foram cassados por...

Wellington Dias trabalha para viabilizar vinda de Lula ao Piauí

Presidente deve cumprir agenda em obras e programas federais; data ainda não foi definida. O ministro do Desenvolvimento e Assistência...

‘Estou emocionada!’, diz primeira francesa a ser vacinada contra a Covid-19

Mauricette, de 78 anos, recebeu dose da vacina da...

Megaoperação das policias do Rio de Janeiro termina com 64 mortos, 81 presos e 93 fuzis apreendidos

Segundo o governo do estado, trabalho foi resultado de...

Você também pode gostar
Recomendado para você