Queremos muito mais do que o direito ao casamento e à adoção, diz presidente da Parada do Orgulho LGBT+ 

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Cláudia Garcia luta por mais inclusão da comunidade LGBTQIA+ em programas sociais, entre eles Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família

Neste domingo, 11, a Avenida Paulista recebe a 27ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. O evento, considerado o maior evento do gênero do mundo, possibilita não apenas levar o orgulho às ruas, mas também colocar em pauta reivindicações necessárias para a comunidade LGBTQIA+.

Com o tema Queremos políticas sociais para LGBT+, por inteiro e não pela metade, a Parada do Orgulho desse ano “tem como foco aqueles que continuam invisibilizados”. É o que afirma Cláudia Garcia, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo (APOLGBT).

Parada do Orgulho LGBT (Divulgação)

“Direitos como casamento e adoção entre pessoas do mesmo gênero são grandes conquistas, mas querendo ou não, abrangem pessoas com algum tipo de acesso. Na edição deste ano, “o olhar é voltado para aqueles que seguem marginalizados, sem acesso a direitos básicos”, afirmou Cláudia.

Soninha Francine, Cláudia Garcia e Renato Viterbo Foto: Terra

De acordo com André Fischer, diretor da Associação da Parada, programas do atual governo como Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família devem receber atenção especial no que diz respeito à garantia da inclusão de pessoas da comunidade LGBTQIA+.

“Precisamos nos dar conta de que existe sim espaço para casais de pessoas do mesmo gênero e famílias homoparentais em programas como Minha Casa Minha Vida. Se na gestão anterior havia o receio de perder esses direitos – coisa que não aconteceu – hoje precisamos batalhar pela garantia e, principalmente, a inclusão.”

Organização da Parada defende inclusão em programas do governo, como Minha Casa Minha Vida
Organização da Parada defende inclusão em programas do governo, como Minha Casa Minha VidaFoto: Terra

O diretor lembra que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo pelo décimo quarto ano seguido. Segundo relatório divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2022, 131 trans e travestis foram assassinados no país. Como aponta Fischer, direitos relacionados a esta população são considerados mais urgentes pela e devem ser vistos com urgência pelo poder público.

“Não vou dizer que o direito de gays e lésbicas estão garantidos, mas a gente sabe que existe uma assimilação maior. Justamente por isso, precisamos focar não apenas no acesso de pessoas trans e travestis a programas como Minha Casa Minha Vida, mas também a programas de saúde, terapia hormonal e afins. Enquanto comunidade, precisamos entender o que deve ser privilegiado em um determinado momento”, defendeu Fischer.

Apesar da Parada do Orgulho de SP ser considerada uma grande festa, com shows e apresentações, Cláudia garante que o lado político e o potencial de reivindicação do evento seguem firmes em seu propósito.

“Muita gente diz que a Parada é ‘oba-oba’, bagunça, mas muitos direitos conquistados estão relacionados a nossa presença nas ruas.O uso do nome social é um exemplo. Estamos falando da maior Parada do mundo e, querendo ou não, existe um potencial enorme por trás disso.”

Segundo Diego Oliveira, que também é um dos membros da diretoria da Associação da Parada do Orgulho LGBT+, o envolvimento dos movimentos sociais também é fator importante para que as reinvindicações tomem as proporções necessárias. De acordo com ele, a “virada de governo” colaborou com um engajamento maior de pessoas ativistas.

“Os quatro anos do governo anterior foram muito cansativos. Muita gente ‘jogou a toalha’. Nesse ano, a gente notou que quando teve a virada do governo, os ativistas acordaram de novo. Então, estamos percebendo uma participação maior, mais engajamento, muitos grupos e movimentos que estavam meio que ‘stand by’, em pausa, voltaram com tudo”, opinou Diego. 

Posicionamento governo federal

De acordo com o Ministério das Cidades, desde a criação do Minha Casa Minha Vida (PMCMV), em 2009, cerca de 1,6 milhões de unidades habitacionais foram entregues às famílias de Faixa 1 (com renda bruta de até R$ 2.640), o que corresponde a aproximadamente 6,4 milhões de pessoas beneficiadas pelo Programa.

O órgão declarou, ainda, que não há um recorte específico sobre a orientação sexual e/ou gênero das pessoas beneficiárias do programa, o que impede mensurar a quantidade de pessoas LGBTQIA+ incluídas no benefício até o momento. 

O Terra também entrou em contato com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para obter informações sobre a inclusão de pessoas LGBTQIA+ no programa Bolsa Família, mas não houve resposta até o momento. 

Redação Terra

Leonidas Amorim
Leonidas Amorimhttps://portalcidadeluz.com.br
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