Reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin termina sem acordo sobre a Ucrânia e com troca de elogios

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Sem dar qualquer detalhe da negociação, presidente americano falou em ‘grande progresso’ após se encontrar com presidente da Rússia durante 3 horas no Alasca.

Terminou sem acordo para um cessar-fogo na guerra da Ucrânia a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, realizada nesta sexta-feira (15) no Alasca.

“Muitos pontos foram acordados. Restam apenas alguns poucos – alguns não são tão significativos. Um é provavelmente o mais significativo. Ainda não chegamos lá, mas fizemos algum progresso. Há boas chances de chegar lá. Putin quer parar de ver pessoas serem mortas”, disse Trump, sem entrar em detalhes.

Putin e Trump na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, em Anchorage (Alasca) — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, não participou. Trump disse que ligaria para ele.

A reunião, que durou três horas, começou às 16h30 no horário de Brasília, após os dois protagonizarem um cumprimento efusivo após chegarem ao Alasca.

Em pronunciamento rápido, ambos trocaram elogios. Putin foi o primeiro a falar, agradeceu o convite de Trump e chamou a conversa de “construtiva”, mas apontou a necessidade de as preocupações da Rússia serem levadas em conta.

"A Ucrânia foi um dos principais tópicos. Vemos o desejo de Trump de entender a essência do conflito e estamos sinceramente interessados em acabar com ele, mas todas as causas fundamentais devem ser eliminadas, e todas as preocupações da Rússia devem ser levadas em conta. Concordo com Trump que a segurança da Ucrânia deve ser garantida. Espero que a compreensão mútua traga paz à Ucrânia", declarou.

A guerra da Ucrânia começou em 2022.

O russo também afirmou que os dois países conversaram sobre parcerias comerciais: “A parceria de investimento entre Rússia e Estados Unidos tem enorme potencial. Esperamos que a Ucrânia e a Europa não tentem sabotar as negociações. Esperamos que os acordos de hoje sirvam de ponto de partida para a restauração das relações entre nossos países”.

Depois de Putin foi a vez de Trump se pronunciar. Ele afirmou que ainda não há um acordo de cessar-fogo para a guerra, mas que a reunião foi “muito produtiva” e que ele e o presidente russo concordaram “na maioria dos pontos”.

Agora, segundo o presidente dos EUA, ele irá conversar por telefone com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e com os membros da Otan, e um encontro com Putin deve acontecer muito em breve.

Putin, então, encerrou a coletiva convidando o americano a ir à Rússia para o próximo encontro.

"Da próxima vez em Moscou", disse em inglês.

Em declaração à TV estatal russa, o enviado especial russo, Kirill Dmitriev, disse que as negociações ocorreram “notavelmente” bem.

Sorrisos na chegada

Com sorrisos no rosto, os dois se cumprimentaram e tiraram fotos para a imprensa antes de se encaminharem para a base militar Elmendorf-Richardson, em Anchorage, palco da reunião.

Trump bateu palmas para Putin enquanto o aguardava chegar a seu lado após descer do avião presidencial russo e recebeu sinais de ‘joinha’ em retribuição.

Ao chegarem na base militar, os dois posaram novamente para fotos, ao lado de assessores e secretários, mas não deram declarações.

Bombardeado de perguntas por jornalistas, Putin protagonizou um momento engraçado: atordoado, fez caras e bocas e acabou virando meme.

Essa foi a primeira cúpula entre os dois países desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, e o primeiro encontro a sós entre os dois líderes desde 2018.

A avaliação da imprensa norte-americana antes do encontro era de que, desta vez, um Trump mais autoritário e experiente poderia bater de frente com o russo, que é ex-chefe da KGB, a antiga agência de inteligência russa, e está no poder há 25 anos no total.

Embora tenham trocado críticas e ameaças nos últimos meses, tanto Trump como Putin sinalizaram, na véspera da reunião, estar esperançosos.

O líder russo elogiou os “esforços sinceros” de Washington para solucionar a guerra na Ucrânia e disse achar que o cara a cara com Trump pode selar a “paz mundial”. Mas ponderou que isso só ocorrerá caso haja um acordo para restringir o uso de armas estratégicas, incluindo as nucleares, já sugerindo uma tentativa de barganhar algo em troca de um cessar-fogo na Ucrânia.

Trump também enviou mensagens dúbias nos últimos dias: se mostrou esperançoso e disse que “acho que ele (Putin) fará um acordo”, mas admitiu que “nada está garantido. Será como uma partida de xadrez”. E, mesmo munido de autoconfiança como negociador, o líder norte-americano e seu governo foram baixando as expectativas ao longo dos últimos dias.

Ele afirmou ter calculado em 25% as chances de o encontro “terminar mal” e já fala na necessidade de uma segunda reunião com o mandatário russo antes mesmo da a primeira acontecer. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, também afirmou que, embora esperançoso, “em última instância, caberá à Ucrânia e à Rússia concordar pela paz”.

Uma certeza que ambos os lados apontavam é que o debate pelas regiões ucranianas atualmente ocupadas por tropas russas seria o ponto central das negociações. Segundo o Instituto para o Estado da Guerra (ISW, na sigla em inglês), Moscou controla militarmente cerca de 20% de todo o território ucraniano.

E nenhum dos lados sinalizou querer abrir mão dessas regiões.

Entenda a ocupação russa na Ucrânia — Foto: Arte/g1

Entenda a ocupação russa na Ucrânia — Foto: Arte/g1

Leonidas Amorim
Leonidas Amorimhttps://portalcidadeluz.com.br
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