Tadalafila aumenta o tempo da ereção e o tamanho do pênis? Veja mitos e verdades sobre os efeitos do medicamento

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Tadalafila vira moda entre jovens, mas médicos alertam para riscos: sem indicação, pode criar dependência e causar disfunção.

A venda de tadalafila é quase 20 vezes maior agora do que há dez anos no Brasil, segundo um levantamento exclusivo feito pelo g1. Para se ter uma ideia, de cada 1 comprimido que era vendido antes, hoje são vendidos 20. (Veja os números abaixo)

A tadalafila é um medicamento usado para tratar a disfunção erétil e está no mercado desde os anos 2000. Ela veio para substituir a sildenafila, o popular viagra, com uma ação prolongada e com menos efeito colateral.

Divulgação

O medicamento saiu de tabu para destaque nas farmácias com a fama que ganhou nas redes sociais.

Número de vendas de medicamentos à base de tadalafila no Brasil — Foto: Arte/g1

Número de vendas de medicamentos à base de tadalafila no Brasil — Foto: Arte/g1

As redes sociais ajudam a explicar esse aumento. São milhares de vídeos de jovens e adolescentes O número recorde, segundo especialistas, tem a ver com o ‘hype’ que o me medicamento ganhou nas redes sociais, sendo divulgado como um potencializador para relações sexuais, pré-treino e até como “tratamento” para aumentar o pênis. Mas, será que isso tudo é mesmo verdade?

O g1 conversou com médicos e explica o que é mito e o que verdade nas promessas feitas sobre o medicamento nas redes sociais.

Veja abaixo:

  • Aumenta o tempo de duração da ereção?
  • Aumenta o tamanho do pênis?
  • O remédio torna possível transar mais em um intervalo menor de tempo?
  • Não tem efeito colateral?
  • Serve para potencializar os exercícios físicos?
  • Funciona para mulheres?

Tadalafila aumenta o tempo de duração da ereção?

É mito! Apesar das centenas de vídeos de homens dizendo que, com a tadalafila, aguentam mais de 40 minutos de sexo, o médico explica que o medicamento não é capaz de prolongar o tempo de ereção até a ejaculação.

Segundo ele, o que acontece é que, como o remédio garante que o pênis fique ereto com firmeza suficiente, o homem se sente mais seguro e relaxado durante o ato.

“A pessoa consegue focar no prazer sem precisar ficar controlando se o pênis está ereto ou não, não gera a ansiedade que pode fazer com que termine mais rápido”, explica.

E o médico alerta: é preciso cuidado com o referencial. O tempo médio natural de ereção até a ejaculação, em homens sem disfunção, é de cinco a seis minutos.

“A gente quer que a doença de disfunção erétil não seja um tabu porque o tratamento pode dar qualidade de vida para as pessoas. Mas é preciso estar alerta para não desnaturalizar o que é natural. Perder a referência de si, e isso pode trazer inseguranças, ansiedade, que são gatilhos para disfunção”, explica Bertero.

Tadalafila aumenta o tamanho do pênis?

É mito! A “tadala” não é capaz de aumentar o tamanho do pênis. Como vasodilatadora, ela aumenta o fluxo de sangue na região ao longo do período de efeito — que pode durar até 36 horas — e isso pode dar a impressão de aumento.

Ou seja, o uso prolongado de tadalafila, como é indicado nas redes, como forma de manter a circulação de sangue constante sob a promessa de aumentar o pênis não é possível.

“A pessoa pode sentir um aumento no volume na roupa, por exemplo. Isso porque, mesmo flácido, vai ter mais volume de sangue na região e causa essa impressão”, explica o médico.

Mas é importante não perder de vista o referencial. O tamanho médio do pênis do brasileiro, ereto, é de 13,12 centímetros. Um número dentro dessa média — pouco mais ou pouco menos — é completamente normal.

O remédio torna possível transar mais em um intervalo menor de tempo?

É verdade! O médico urologista explica que a tadalafila diminui o tempo de recuperação, que normalmente varia de 30 minutos a uma hora. Ou seja, assim que uma transa termina, é possível emendar outra com mais facilidade.

Isso acontece porque ela tem uma ação prolongada em manter a circulação de sangue na região íntima.

Não tem efeito colateral?

Mais ou menos. A tadalafila é, de fato, um medicamento com poucos efeitos colaterais. Diferente de outras pílulas, que traziam riscos maiores, como ataques cardíacos, ela é considerada mais segura.

No entanto, o uso da tadalafila pode causar:

  • Dor de cabeça, dor nas costas, rubor facial, dores musculares, congestão nasal e indigestão;
  • Efeitos graves como priapismo, perda de audição ou visão, queda de pressão arterial e eventos cardiovasculares.

Há registros de que alguns pacientes relataram complicações na visão e audição. Um dos casos, publicado na revista científica “Nature”, uma das mais importantes do mundo, descreve um homem que teve uma neuropatia óptica isquêmica anterior — algo como um AVC nos olhos — e perdeu parte da visão.

Outro ponto citado pelos especialistas é que a substância não causa dependência química, mas o suo da tadalafila como “muleta” para as inseguranças pode causar dependência emocional, fazendo a pessoa achar que só é possível transar com a ajuda do comprimido.

“A disfunção pode ter uma raiz física, alguma questão em que o homem não consegue manter o pênis ereto, ou emocional. A falta de confiança em que vai conseguir, a ansiedade, podem fazer com que a pessoa, de fato, não consiga. O uso disso a longo prazo, principalmente no começo da vida sexual, é um risco”, explica o médico.

Serve para potencializar os exercícios físicos?

É mito! Não há comprovação científica de que a substância ajude nos treinos de musculação. Até foram feitos estudos, mas eles mostraram que não é eficaz para esse fim.

“Como é um medicamento vasodilatador, ele deixa as veias mais aparentes e isso pode dar essa impressão de que teve mais resultado. Mas de novo, é tudo percepção, não realidade. Tadalafila não tem nada a ver com treino”, explica o urologista.

Funciona para mulheres?

É mito! Nas redes, há mulheres relatando o uso do medicamento como estimulante sexual. Já foram feitas pesquisas para entender se poderia ter efeito em mulheres, mas os resultados não trouxeram evidências que provem que funciona.

O médico recomenda que mulheres não tomem o medicamento.

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