Produtores estão há 20 anos recuperando rodovia por conta própria no Sul do Piauí

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A estrada precisa de reparos todos os anos por conta das chuvas, contudo, os recursos para viabilizar essas obras estão saindo do bolso dos próprios agricultores.

Produtores de grãos do cerrado piauiense, mais especificamente da região de Baixa Grande do Ribeiro, a quase 600km de Teresina, enfrentam um dilema há pelo menos 20 anos: um trecho da PI-392, estrada de terra que liga as cidades de Baixa Grande do Ribeiro, Ribeiro Gonçalves, Bom Jesus e Uruçuí, precisa de reparos todos os anos por conta das chuvas que a deixam intrafegáveis.

No entanto, os recursos para viabilizar essas obras de reparação estão saindo do bolso dos próprios agricultores.

Foto: Ascom

A estrada que liga as cidades de Baixa Grande do Ribeiro, Ribeiro Gonçalves, Bom Jesus e Uruçuí, precisa de reparos todos os anos por conta das chuvas, contudo, os recursos para viabilizar essas obras estão saindo do bolso dos próprios agricultores.

O trecho de 16 km, que todos os anos se transforma em um grande gargalo para o produtor agrícola, é uma obra já licitada há pelo menos sete anos, contudo, a pavimentação ainda não se concretizou. Assim, a estruturação tem que ser realizada pelos produtores, para garantir o transporte da super safra de soja, milho e algodão do Piauí.

Produção de grãos no sul do Piauí – Foto: Ascom

Em 2020, o trabalho de recuperação do trecho já foi feito, como relata o produtor Karl Milla, que atua no Piauí há quase 20 anos. “A gente chegou no Piauí em 2001, estamos aqui há 19 anos, investindo no sul do Piauí. O transporte da safra é feito por uma estrada que passa por Baixa Grande do Ribeiro, e é uma estrada que há uns oito anos foi licitada para ser asfaltada e até agora não saiu nada. Todo ano a gente faz a estrada por conta própria, a gente junta as máquinas que cada um tem e arruma como dá, mas quando chove, a estrada é muito utilizada e esse serviço acaba sendo jogado fora, todo ano você tem que refazer para deixar ela minimamente transitável”, informou.

Karl Milla conta que os produtores da região já procuraram os órgãos competentes para sanar o problema. “Através de alguns órgãos de representação a gente já tentou contato, o empreiteiro que ganhou a licitação já se instalou lá, mas ainda não foram liberados recursos para iniciar a obra, estamos com bastante receio que não saia de novo, é difícil ter uma resposta clara de políticos”, destacou.

O produtor argumenta que a falta de infraestrutura em estradas gera impactos diretos no preço do produto final que chega na mesa do consumidor. “Claro que a gente perde também, mas esse alimento vai chegar mais caro na mesa dos brasileiros, vai chegar com mais dificuldade nas cidades, vai se perder no caminho, porque é caminhão que tomba, que estraga, esse custo que eu e todo mundo tem. Um investimento em infraestrutura no Brasil não é para ajudar o agricultor, uma empresa, isso é essencial para o desenvolvimento do país”, enfatizou.

“Custo Brasil”

Segundo Karl Milla, os prejuízos causados por essa precarização fazem parte do chamado “Custo Brasil”, que seria o dinheiro que deixa de entrar na economia de uma região pela falta de infraestrutura. “A gente vai pagar mais caro pelos produtos que vai receber, porque o frete sai muito mais caro. Vamos receber menos pelo produto que a gente produz, soja, milho arroz, para abastecer todo o Nordeste, o produto acaba saindo com mais dificuldade, se perdendo no caminho. Esse custo entra nos milhões de reais de todo ano, porque é um valor que fica embutido dentro daquilo que a gente chama de Custo Brasil, que é um dinheiro que deixa de entrar na região, deixa de entrar como imposto no estado”, explica.

“Não vamos parar de produzir”

Por fim, o produtor ressaltou que a produção de grãos na região não vai parar, contudo, ele lamentou as dificuldades que permanecem atrapalhando o peno desenvolvimento do setor no Sul do Piauí.

“A gente não vai parar de produzir porque não tem a estrada, a gente vai continuar produzindo, o que acontece é que é uma pena que um país onde se faz uma licitação, onde se tem Lei de Responsabilidade Fiscal, as coisas não são levadas a sério, o dinheiro é jogado fora de um jeito absurdo” concluiu.

Com informações do GP1

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

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