Especialistas descobrem neurônios responsáveis pela tomada de decisão

-

Células específicas reúnem questões sobre possíveis resultados de diversas escolhas, e estudo abre caminho para novos cuidados de distúrbios neuropsiquiátricos.

Do momento em que o despertador toca, até a hora de voltar a dormir, boa parte do dia é preenchida pelo processo de tomar decisões. A ação, de forma consciente, envolve calcular riscos, benefícios, ponderar uma série de fatores e decidir o que trará os melhores resultados. Agora, cientistas descobriram quais são os neurônios responsáveis por agir nesse momento a nível celular.

O estudo, recém-publicado na revista científica Nature Communications, foi conduzido por pesquisadores do departamento de Cérebro e Ciências Cognitivas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Em experimento com camundongos, eles encontraram um grupo de neurônios numa região do cérebro chamada estriado que codifica as informações sobre os possíveis resultados de diferentes decisões.

Essas células tornaram-se especialmente ativas quando um determinado comportamento provocou uma reação diferente daquela esperada, o que, segundo os cientistas, ajuda o cérebro a se adaptar às mudanças de circunstâncias e guardar informações que serão úteis para decisões posteriores.

“Muita dessa atividade cerebral lida com resultados surpreendentes, porque se um resultado é esperado, não há realmente nada a ser aprendido. O que vemos é que há uma forte codificação de recompensas inesperadas e resultados negativos inesperados nessas células”, disse, em comunicado, o pós-doutor pelo MIT Bernard Bloem, um dos principais autores do novo estudo.
Para os pesquisadores, as novas descobertas sugerem que pequenas modificações na atividade desses neurônios poderiam levar o cérebro a tomar decisões impulsivas ou a ficar completamente paralisado pela indecisão. Eles destacam ainda que esses danos podem ser associados a muitos distúrbios neuropsiquiátricos, como ansiedade e depressão.

O experimento
Para entender melhor como funciona a base neuronal da avaliação de custo-benefício que envolve a tomada de uma decisão, os cientistas utilizaram camundongos. No experimento, os animais foram treinados e aprenderam a girar uma roda para um lado ou para o outro e, a cada vez que se completava a volta, eles recebiam a combinação de uma recompensa – água com açúcar – ou uma punição – um pequeno jato de ar.

Enquanto realizavam a tarefa, os camundongos aprenderam a maximizar as recompensas e diminuir os desfechos negativos. Os responsáveis pelo estudo alteravam, então, as probabilidades de cada resultado, forçando os animais a ajustarem o comportamento. Durante esse processo de mudanças nas decisões, os pesquisadores monitoraram a atividade neuronal na região do estriado.

Eles esperavam que os neurônios atuassem indicando apenas quais atitudes são boas e devem ser repetidas e quais são negativas e, portanto, devem ser evitadas. Porém, o que os pesquisadores descobriram é que as células codificavam detalhes sobre a relação entre as ações e as possibilidades de consequências, tanto positivas, como negativas. Ou seja, as células guardavam todas as potenciais consequências das atitudes, tanto as boas, quanto as ruins.

Além disso, eles perceberam que esses neurônios da região do estriado respondiam de forma mais intensa quando um comportamento provocava um desfecho inesperado. Esses “sinais de erro”, como foram chamados, ajudaram o cérebro a entender que é hora de mudar a estratégia e foram principalmente codificados nos estriossomas – aglomerados de neurônios localizados no estriado.

Levando as descobertas para a vida real, os cientistas explicam que o processo é observado durante escolhas comuns do dia a dia, como, por exemplo, comer um chocolate. Você sabe que o alimento trará prazer, mas fará mal à sua saúde. Da mesma forma, deixar de ingeri-lo pode provocar um grau de frustração, ao mesmo tempo em que é bom para o organismo.

“De uma perspectiva de valor, elas (as duas opções) podem ser consideradas igualmente boas. O que descobrimos é que o corpo estriado também sabe por que elas são boas e sabe quais são os benefícios e o custo de cada uma. De certa forma, a atividade reflete muito mais sobre o resultado em potencial do que apenas a probabilidade de você escolhê-lo”, explica Bloem.

Com informações da Agência O Globo

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Surto de hantavírus em cruzeiro acende alerta global e OMS investiga possível transmissão

Entre os infectados, um paciente segue internado em estado grave na África do Sul, mas já apresenta sinais de...

Decisão do STF que reconheceu uniões homoafetivas completa 15 anos

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal completa 15 anos nesta segunda-feira (5). Em 2011, por unanimidade, a Corte reconheceu...

Volkswagen faz recall de 118 mil veículos no Brasil; confira quais são

Segundo a empresa Volkswagen, o problema está relacionado ao painel digital de instrumentos. A Volkswagen anunciou, nessa segunda-feira (4), um...

Júlio César reforça articulação em Brasília durante análise dos royalties no STF

O julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a redistribuição dos royalties do petróleo voltou ao centro das discussões nacionais...

Casos de dengue passam de 8 mil no Piauí e municípios do interior entram em alerta

O Piauí contabiliza 8.237 casos de dengue em 2026 até o início de maio, com avanço da doença principalmente...

Rafael comemora aniversário nesta quarta (6) com missa e arrecadação para instituições de acolhimento de idosos

Missa em Ação de Graças incentiva doações para o Lar de Santana e a Casa Frederico Ozanam, em Teresina. O...

Alemanha decide enviar modernos tanques à Ucrânia, que podem dar mais capacidade ofensiva às suas tropas

Imprensa alemã diz que Berlim removeu objeções para o...

Vinícolas devem pagar R$ 7 milhões de indenização após caso de trabalho escravo no RS

Uma parte é por danos morais coletivos e outra,...

Você também pode gostar
Recomendado para você