Estudo mostra que exercícios físicos reduzem em até 31% risco de morte; saiba quanto tempo de atividade é preciso

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Análise de mais de 100 mil americanos durante três décadas constatou qual a frequência necessária para atingir os melhores desfechos para a saúde.

Entre os inúmeros benefícios que acompanham uma rotina de exercícios físicos, está a queda no risco de morte. Para isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um cronograma de 150 a 300 minutos por semana de atividades consideradas moderadas, ou de 75 a 150 daquelas chamadas de vigorosas, que são mais intensas. No entanto, não se sabia com clareza se aumentar a frequência para além do orientado pelas diretrizes poderia trazer mais benefícios. Agora, um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, junto a especialistas de outros países, descobriu até quanto tempo vale a pena aumentar os exercícios.

Publicado na revista científica Circulation, o trabalho analisou dados de mais de 100 mil americanos durante um período de três décadas, de 1998 a 2018. Em relação às quantidades de atividades físicas já recomendados pela OMS, os responsáveis pelo estudo confirmaram que promovem de fato uma redução considerável na mortalidade.

Imagem: iStock

Essa queda ficou entre 20% a 21% para a rotina com atividades moderadas, e em cerca de 19% para a de exercícios vigorosos. O professor de medicina preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Leandro Rezende, um dos autores do estudo, explica como diferenciar de forma simples cada modalidade.

De forma resumida, atividade moderada é basicamente aquela em que você consegue conversar com outra pessoa durante o exercício — afirma Rezende.

Apesar de os benefícios já serem altos, ele conta que os pesquisadores desejavam entender até que ponto eles poderiam aumentar a carga de exercícios com uma elevação também nos benefícios – e descobrir se teria algum momento em que eles passariam a trazer prejuízos ao organismo. Com a análise dos dados, eles descobriram que adotar uma rotina de duas a quatro vezes além do recomendado pela OMS pode sim diminuir ainda mais esse risco de morte, sem consequências negativas.

Nossos achados comprovam que as atividades reduzem a mortalidade por todas as causas, com uma redução de 19% a 21%, para quem cumpre as recomendações da OMS. Mas vimos que pessoas que relataram uma frequência de duas a quatro vezes maior que o orientado apresentaram ainda mais benefícios, chegando a uma redução de 31% — explica o professor da Unifesp.

Ele explica que uma rotina de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada aumentou o percentual para 26% a 31%. Já adotar uma frequência de 300 a 600 minutos por semana de exercícios vigorosos levou a um risco de morte de 21% a 23% menor. Não foram observados benefícios maiores nos grupos que foram além desses períodos, mas também não foram constatados efeitos negativos.

Leandro acrescenta, no entanto, que embora o benefício seja ainda maior para quem adota rotinas com mais atividades físicas, o mais importante é tentar cumprir ao menos a recomendação da OMS – algo que muitas pessoas ainda não fazem.

Na análise era um número pequeno de pessoas que realizavam os exercícios de duas a quatro vezes além do recomendado. Porque hoje já é difícil que as pessoas atinjam essa recomendação — diz o médico.

Por Bernardo Yoneshigue/O GLOBO

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