O que é a Web3 e por que ela mudará a forma como nos relacionamos com a tecnologia?

-

Nova rede mais aberta e transparente promete utilizar blockchain e inteligência artificial para democratizar a internet e a economia.

Cada dia mais integrada às nossas rotinas, a internet está sob um contínuo processo de transformação. Desde a popularização dos computadores domésticos, a forma como utilizamos e interagimos com a rede mudou significativamente; e a chegada de uma nova fase que oferece mais transparência e segurança de dados deve remodelar a tecnologia e a economia como as conhecemos.

Na prática, a terceira fase da internet, também conhecida como Web3, é gerida por meio de blockchains, que são plataformas de acesso público que armazenam os dados e transações dos usuários. Por meio delas, a Web3 promete descentralizar a rede e limitar a influência das grandes empresas de tecnologia, permitindo que as pessoas possam escolher em qual centro de dados suas informações serão armazenadas. Em suma, o objetivo dos desenvolvedores da Web3 é retomar o protocolo aberto e descentralizado da internet.

Quando apresentada ao grande público, a World Wide Web permitia pouca interação e as informações ainda eram centralizadas – ou seja, as pessoas tinham acesso, mas não produziam conteúdos. Isso mudou com a revolução da web 2.0, que permitiu a interação entre os usuários a partir de blogs, chats e redes sociais. Apesar da inovação, essa fase trouxe consigo uma problemática: os usuários fornecem suas informações pessoais para personalizar as experiências de uso, mas ficam suscetíveis ao vazamento ou venda de seus dados.

Divulgação

Essa centralização da internet na forma em que a utilizamos hoje foi exemplificada em um levantamento da Synergy Research Group. Segundo a pesquisa, Amazon, Google e Microsoft controlam mais de 73% do mercado de armazenamento de dados em nuvem.

A revolução proposta pela Web3 tem potencial para alterar os mais variados aspectos do nosso cotidiano. A expansão do metaverso, por exemplo, deve influenciar a forma como nos entretemos e interagimos, o que já tem sido observado e, em certo nível, capitalizado pelas empresas. Outro setor que deve ser fortemente impactado pela nova fase da internet é o financeiro.

Web3 e a economia descentralizada

Um dos conceitos fundamentais da Web3 é a tokenização. Esse processo consiste no registro digital de dados em uma rede blockchain. Em outras palavras, as informações são criptografadas e armazenadas em um banco de dados que pode ser verificado publicamente, mas não pode ser alterado sem que haja um novo registro.

A partir desse processo surgiram novas modalidades de administrar negócios e de adquirir bens e serviços. Como exemplo, podemos citar as populares NFTs, ou token não fungíveis na sigla em inglês, que representam a posse específica e individual de obras de arte e objetos raros que são comercializados por meio de criptomoedas – outra vertente fundamental da Web3. O mercado cripto, tal qual a nova fase da internet, é baseado no registro público de dados mutuamente intercambiáveis entre os usuários.

Outro exemplo são as DAOs, ou organizações autônomas descentralizadas. Essas entidades funcionam da seguinte forma: a) os fundadores criam uma criptomoeda, chamada de token de governança; b) esses ativos digitais são distribuídos entre os usuários, apoiadores e outros stakeholders da organização; c) cada token corresponde a uma quantidade definida de poder de voto dentro da DAO, e podem ser comprados ou vendidos conforme a vontade do proprietário.

Todos os exemplos citados acima tem como premissa o descarte de figuras intermediadoras da economia, como bancos e outras organizações financeiras. Esse tipo de transação, também conhecido como “peer-to-peer” (P2P), é baseado na troca de recursos e informações entre os usuários de igual para igual.

A que passo está a Web3?

As mudanças trazidas pela nova fase da rede devem se consolidar lentamente. A transição da web 1.0 para a web 2.0, por exemplo, levou anos para acontecer. Ainda estamos em processo de construção, mas a popularização das criptomoedas e dos NFTs já indica um terreno fértil para o crescimento da Web3.

Segundo dados do Web3 Report, elaborado pela Chainalysis, mais de US$ 40 bilhões em criptomoedas foram enviados para contratos inteligentes associados a coleções de NFTs em 2021. Neste ano, esse número está perto de ser superado – até o dia 15 de abril foram movimentados mais de US$ 30 bilhões.

A consolidação desse mercado, entretanto, está sujeita a testes e falhas. Os desenvolvedores estão olhando cuidadosamente para projetos que fracassaram, a fim de não repetir seus erros. Podemos citar, por exemplo, o colapso da stablecoin UST-Terra, que perdeu sua paridade com o dólar, extinguindo cerca de US$ 60 bilhões de carteiras digitais em um único dia, de acordo com um levantamento da Bloomberg.

Apesar de casos como este, é evidente que as mudanças provocadas pela descentralização vieram para ficar. Sabendo disso, as bigtechs têm criado grupos de trabalho e aplicado milhões em recursos para se preparem para o cenário que se instala – o que pode ser exemplificado pela mudança no nome do Facebook para ‘Meta’, em alusão à nova fase do grupo com foco no metaverso.

Além das empresas privadas, entidades públicas também têm se preparado para a consolidação Web3. Recentemente, o Banco Central do Brasil (BC) anunciou que o Real Digital, moeda virtual emitida pela autarquia, tem grande potencial para funcionalidades de DeF, ou Finanças Descentralizadas – como são conhecidas as transações que descartam intermediários financeiros centrais, como corretoras, exchanges e bancos.

Segundo o BC, os ativos digitais poderão ser programados e liberados mediante regras estabelecidas em contratos inteligentes, uma ferramenta da descentralização da economia que descarta a mediação de operações financeiras por terceiros. Ainda em testes, o Real Digital deve ser lançado em 2023.

Com isso, é perceptível que as empresas e governos que se prepararem para essa nova fase da tecnologia e da economia estarão melhor posicionadas na corrida por esse mercado que demonstra, cada dia mais, seu poder disruptivo.

Por Brianna Kernan

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Whindersson Nunes revela que gastou mais de R$ 40 milhões com drogas

Whindersson Nunes voltou a movimentar as redes sociais após revelar detalhes sobre o período mais turbulento da própria vida...

Daniel Vorcaro também financiou filmes de Lula e Temer

Banqueiro teria destinado recursos para a produção de documentário sobre os políticos. Nesta quarta-feira (13), supostos áudios do senador Flávio...

Flávio Bolsonaro assume que mentiu ao negar conexão com Daniel Vorcaro e alega confidencialidade

O pré-candidato à presidência da República não explicou, contudo, os termos desse contrato. Ele justificou que investidores não querem...

Brasil tem alta de Síndrome Respiratória Aguda Grave em bebês

Principal causa da doença é infecção pelo vírus sincicial respiratório Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em crianças...

PIS/Pasep: novo pagamento acontece hoje; confira os beneficiários

Benefício no valor de até um salário-mínimo é concedido anualmente a trabalhadores e servidores que atendem aos requisitos do...

Júlio César Filho confirma unidade da base de Rafael Fonteles para as eleições de 2026

Pré-candidato à Assembleia Legislativa destaca diálogo como solução de impasses e reafirma unidade do grupo para 2026 Em entrevista ao...

Governador sanciona lei que declara Bumba Meu Boi como Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí

A lei nº 8.170 inclui todas as manifestações culturais...

Anvisa deve derrubar fim da obrigatoriedade de máscara em avião e aeroportos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve determinar...

Você também pode gostar
Recomendado para você