Trabalhadores em condições análogas às de escravidão são resgatado em pedreiras no Piauí

-

No ano passado, o estado ficou em terceiro lugar no Brasil que mais efetuou resgates, contabilizando 180 trabalhadores resgatados. Nesse ano, 78 trabalhadores piauienses já foram resgatados em situação análoga à de escravidão.

Onze trabalhadores piauienses foram resgatados em condições análogas às de escravidão em pedreiras nos municípios de Eliseu Martins e Elesbão Veloso. Além disso, outros dez trabalhadores foram encontrados atuando de forma irregular, sem o devido registro, pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel.

De acordo com o relatório de fiscalização, a pior situação foi encontrada em Eliseu Martins. Quatro trabalhadores estavam alojados em um barraco de lona sem condições mínimas de habitação. Eles foram contratados para a atividade de quebra de pedras, realizando os serviços a céu aberto. Os empregadores não haviam disponibilizado alojamento adequado, de modo que os trabalhadores tinham que pernoitar em redes penduradas na estrutura do barraco, sujeitos a sol e chuvas.

Além disso, não foi disponibilizado instalações sanitárias nas frentes de trabalho e nem no local onde pernoitavam, obrigando os trabalhadores a utilizarem o mato para realização das necessidades fisiológicas e a se banharem ao relento com a utilização de vasilhas.

“Os alojamentos tinham condições totalmente precárias. Não foi disponibilizado local adequado para o preparo e consumo dos alimentos, fazendo com que os trabalhadores tivessem que improvisar fogareiros para essa atividade. Como não havia estrutura nos alojamentos, até mesmo insetos foram encontrados nos alimentos dos trabalhadores. Condições totalmente precárias”, lamentou o procurador do Trabalho, José Wellington Soares, que acompanhou a Operação.

Já os outros sete trabalhadores da pedreira localizada em Elesbão Veloso estavam alojados no alpendre de um mercadinho, e no quintal, em um povoado próximo ao local de trabalho.

“A situação de alojamento também era degradante. Não havia instalações sanitárias adequadas, os trabalhadores dormiam em redes nesse alpendre sem privacidade e totalmente expostos a quem passava pela rua. Além disso, não havia local para armazenamento adequado dos objetos pessoais dos trabalhadores, que tinham que deixar em mochilas expostas no chão”, relata o procurador.

CONSEQUÊNCIAS CABÍVEIS

O Grupo Móvel conseguiu identificar os empregadores e, após os resgates, os trabalhadores foram encaminhados aos órgãos municipais de assistência social dos respectivos municípios. Além disso, os empregadores foram notificados a tomar uma série de providências, inclusive o pagamento de verbas rescisórias dos empregados resgatados num valor total de R$ 49.714,56, o que foi feito durante a fiscalização.

Além disso, foram firmados termos de ajustamento de condutas com o MPT e DPU, nos quais foram estabelecidos danos morais individuais e coletivos a serem pagos pelos responsáveis. Os trabalhadores resgatados terão direito a três parcelas de seguro-desemprego especial de trabalhador resgatado, emitidos pela auditoria fiscal do trabalho.

O procurador José Wellington ressalta que a atividade de pedreiras já vem chamando a atenção do MPT há algum tempo. No ano passado, a maioria dos resgates foram feitos nessa atividade.

“Tivemos um aumento na realização de obras de pavimentação por todo o Estado e, durante as fiscalizações, temos encontrado as irregularidades, não apenas da falta de registros, mas também a ausência das condições mínimas nos alojamentos. Vamos nos manter vigilantes até cessar essas irregularidades”, frisou o procurador, destacando que as pedreiras estavam atuando para fornecer material para obras públicas de pavimentação de ruas de cidades da região, como Eliseu Martins e Francinópolis.

PRIMEIRO RESGATE DO ANO

Esse é o primeiro resgate de trabalhadores que aconteceu no Piauí em 2023. No ano passado, o estado ficou em terceiro lugar no Brasil que mais efetuou resgates, contabilizando 180 trabalhadores resgatados. Nesse ano, 78 trabalhadores piauienses já foram resgatados em situação análoga à de escravidão em fazendas de cana-de-açúcar em Goiás.

Fonte: OitoMeia

Gleison Fernandes
Gleison Fernandeshttps://portalcidadeluz.com.br
Editor Chefe do Portal Cidade Luz

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Guadalupe ganhará Faculdade de Tecnologia e obras de lazer

Nova sede do PIT e investimentos em praças, pista de cooper e praça foram anunciadas pelo governador. Em Guadalupe, o...

“Time pronto para entrar em campo”: Ciro Nogueira lidera alinhamento nacional do Progressistas em Brasília

“Eu fico muito feliz de estar à frente dessa maior federação do nosso país, mas principalmente o que é...

Pena de Bolsonaro pode ter redução de 5 anos após derrubada de veto de Lula

Pena de Bolsonaro pode ser reduzida em 5 anos e 2 meses, segundo advogados; relator é Alexandre de Moraes Foi...

Lula anuncia liberação de até 20% do FGTS para pagamento de dívidas

O anúncio foi feito durante pronunciamento sobre o Dia do Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira, em 1º de maio. O...

Jesse James destaca ordem de serviço de R$ 2,7 milhões assinada por Rafael Fonteles para pista de cooper, praça e academia de saúde em...

Por Gleison Fernandes O prefeito Jesse James destacou, nesta quinta-feira, 30 de abril, a assinatura da ordem de serviço autorizada...

Gestão municipal recepciona Rafael Fonteles em Guadalupe durante entrega de pavimentação em 17 ruas

Por Gleison Fernandes. A gestão municipal de Guadalupe recepcionou, nesta quinta-feira, 30 de abril, o governador Rafael Fonteles durante agenda...

Relatórios com pedidos de indiciamento de Lulinha e Flávio Bolsonaro podem influenciar as eleições

Documentos apresentados na CPMI do INSS por governistas e...

Carregamento sem fio de celulares: o que realmente acontece

Tecnologia dispensa cabos, mas exige base conectada à tomada...

Você também pode gostar
Recomendado para você