NacionalMinistro do STF, Luís Barroso, libera pagamento do piso...

Ministro do STF, Luís Barroso, libera pagamento do piso nacional da enfermagem

-

Decisão do ministro ocorre após a entrada em vigor da lei que estabelece o repasse de recursos para custeio do benefício. Suspensão havia sido determinada pelo próprio Barroso em setembro.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou nesta segunda-feira (15) a suspensão do piso salarial da enfermagem – aprovado em lei pelo Congresso Nacional no ano passado. Com isso, fica liberado o pagamento do valor.

Foto:Carlos Moura/SCO/STF
  • Em setembro do ano passado, Barroso atendeu a pedido da Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos de Serviços (CNSaúde) e suspendeu a lei que determinava o piso salarial nacional da enfermagem. Barroso entendeu que deveria estar claro de onde sairia o dinheiro.
  • Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou lei que liberou R$ 7,3 bilhões a serem enviados para estados e municípios e permitir o pagamento do piso.
  • Diante da sanção da lei, o ministro considerou haver valores mínimos a permitir o pagamento e suspendeu sua decisão de setembro, restabelecendo a validade da lei que criou o piso.

A decisão de Barroso será analisada pelos demais ministros no plenário virtual, em sessão que começa no dia 19 de maio.

No caso de estados e municípios, a remuneração deve ser feita dentro dos limites da verba repassada pela União. Já no caso das unidades particulares, o ministro previu a possibilidade de negociação coletiva, mantendo suspenso o trecho da lei que impedia o procedimento.

Decisão

Barroso considerou que é possível liberar o pagamento da remuneração mínima porque o governo e o Congresso viabilizaram a transferência dos recursos.

“A situação aqui analisada torna-se mais próxima à de outros pisos salariais nacionais aplicáveis a servidores públicos que tiveram a sua constitucionalidade reconhecida por este Supremo Tribunal Federal”, escreveu.

O ministro ponderou, contudo, que o montante reservado para a medida não parece ser suficiente para o custeio do piso. Informações apresentadas no processo por instituições do setor estimam impacto financeiro, no primeiro ano, de R$ 10,5 bilhões somente para os municípios.

Barroso ressaltou que uma lei federal não pode impor a gestões locais o piso sem prever, de forma integral, a verba para cobrir os novos custos. Isso poderia comprometer a autonomia financeira de estados e municípios, violando o princípio federativo, que é cláusula pétrea da Constituição.

O ministro também pontuou que, para o setor privado, “subsistem os riscos dos efeitos nocivos mencionados na medida cautelar; quais sejam, a probabilidade de demissões em massa de profissionais da enfermagem, notadamente no setor privado e o prejuízo à manutenção da oferta de leitos e demais serviços hospitalares”.

Mas concluiu que não contemplar os profissionais dessa área poderia gerar questionamentos com base no princípio da igualdade. Por isso, para este setor permitiu as negociações coletivas e deu prazo para a implementação da decisão, com efeitos a partir de 1o de julho deste ano.

Histórico

Em julho do ano passado, o Congresso Nacional aprovou uma mudança na Constituição para estabelecer uma remuneração mínima para o enfermeiro, o técnico de enfermagem, o auxiliar de enfermagem e a parteira, a ser seguida tanto pelo setor público quanto empresas privadas.

Em agosto, o Poder Legislativo também aprovou a lei citada pela emenda constitucional, fixando o valor de R$ 4.750 para os enfermeiros – técnicos de enfermagem ganharão 70% deste valor; já auxiliares e parteiras terão o correspondente a 50% do piso.

Em setembro, o tema chegou ao Supremo. Relator da ação que questionou a medida, o ministro Barroso decidiu pela suspensão da norma até que fossem analisados os impactos financeiros das medidas para estados, municípios, órgãos do governo federal. A decisão individual foi posteriormente confirmada pela Corte.

Em dezembro, uma nova emenda constitucional definiu que caberia à União, por meio de lei, prestar assistência financeira complementar aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios e às entidades filantrópicas para custear o piso.

Neste ano, o Congresso aprovou a lei com a definição do valor de repasse da União às gestões locais. Esta medida foi sancionada pelo presidente e está em vigor.

Por Fernanda Vivas e Márcio Falcão, TV Globo — Brasília

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Clínica de estética é interditada em Teresina após fiscalização encontrar medicamentos vencidos e produtos sem registro na Anvisa

Estabelecimento também funcionava sem licença sanitária e apresentava irregularidades no descarte de resíduos de serviços de saúde. Uma clínica de...

Georgiano Neto é cotado para assumir o Ministério da Agricultura no novo governo Lula

Deputado federal eleito pelo Piauí aparece entre os possíveis nomes do PSD para comandar a pasta a partir de...

Manutenção preventiva reforça segurança do abastecimento de água em Floriano

O sistema de tratamento de água de Floriano recebeu mais um reforço operacional com a conclusão da modernização de...

Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria da seleção de Portugal após 23 anos e 146 gols

Atacante comunicou a decisão nas redes sociais após desentendimentos com o técnico Jorge Jesus; jogador soma 234 partidas e...

Menina piauiense de 6 anos conquista medalha de ouro em campeonato internacional de Kung Fu

Lunna Alencar estreou em competições durante torneio realizado em São Paulo; delegação piauiense conquistou 12 medalhas, sendo quatro de...

DRACO prende suspeito de condenar o próprio irmão no ‘tribunal do crime’ em Teresina

Dois homens foram presos preventivamente na manhã desta sexta-feira (6), durante uma operação da Polícia Civil do Piauí contra...

Mais Lidos

Governo Lula lança edital com 5,9 mil vagas para o novo Programa Mais Médicos

Inscrições começam sexta-feira (26), o prazo vai até 31...

Prefeitura de Guadalupe recupera iluminação pública da Avenida Manoel Ribeiro.

Depois de dois anos de instalada, a nova iluminação...

Você também pode gostarRECOMENDADO