Brasil registra 665 casos da doença em 2026. Aquisição busca reforçar os estoques e garantir a vacinação dos grupos prioritários atendidos pelo SUS.
O Ministério da Saúde autorizou, nesta quarta-feira (4), a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox. A aquisição será realizada pelo Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e tem como finalidade reforçar os estoques do imunizante e manter a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a pasta, a compra tem caráter preventivo e permitirá ampliar a disponibilidade de vacinas conforme a situação epidemiológica e as necessidades identificadas nos estados.
Dados do governo federal apontam que o Brasil registrou 665 casos confirmados de mpox em 2026. O número representa uma redução de 94% em comparação com 2022, quando o país contabilizou mais de 10 mil casos da doença.
Apesar da queda, o Ministério da Saúde informou que a circulação do vírus exige a continuidade das ações de vigilância, prevenção e controle, além da manutenção de estoques para atender possíveis demandas.
Quem pode receber a vacina?
A estratégia nacional de vacinação contra a mpox prioriza pessoas que vivem com HIV/aids e apresentam contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³. Esse grupo possui maior risco de desenvolver complicações graves da doença.
O esquema de vacinação é composto por duas doses, aplicadas com intervalo de 28 dias. As pessoas que atendem aos critérios devem procurar os Centros de Referência onde já realizam acompanhamento médico para efetuar o cadastro e agendar a imunização.
O Ministério da Saúde também prevê a utilização de doses remanescentes em outros grupos, incluindo pessoas com HIV/aids e contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
Para pessoas que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados, a vacinação pós-exposição é recomendada preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato. A aplicação ainda pode ocorrer em até 14 dias, período em que a proteção contra a infecção tende a ser menor, mas pode contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.
Como ocorre a transmissão da mpox?
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. A transmissão pode ocorrer de animais para seres humanos, mas atualmente o contágio entre pessoas é a principal forma de disseminação da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus pode ser transmitido pelo contato direto com lesões na pele, sangue, pus das feridas e outros fluidos corporais de pessoas infectadas.
A transmissão também pode acontecer pelo contato próximo e prolongado com secreções respiratórias ou pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
Quais são os principais sintomas?
Os primeiros sintomas da mpox costumam aparecer entre três e 16 dias após o contato com o vírus, embora o período de incubação possa chegar a 21 dias.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Lesões ou erupções na pele;
- Febre;
- Inchaço dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas;
- Dor de cabeça;
- Dores musculares e no corpo;
- Calafrios;
- Fraqueza.
As lesões podem surgir inicialmente como manchas avermelhadas, evoluindo para pequenas elevações, bolhas e feridas com pus. Durante a recuperação, formam-se crostas que se desprendem à medida que a pele cicatriza.
Em alguns pacientes, as lesões aparecem após o início da febre. Em outros, podem ser o primeiro sintoma da infecção.
Diagnóstico e cuidados
Como os sintomas da mpox podem ser semelhantes aos de outras doenças, como herpes, sífilis e sarampo, a confirmação depende de exames laboratoriais.
O principal método de diagnóstico é o teste de PCR, realizado a partir de amostras coletadas das lesões na pele.
Pessoas que apresentarem sintomas ou tiverem contato próximo com casos suspeitos ou confirmados devem procurar uma unidade de saúde para avaliação e orientação.
A transmissão do vírus pode ocorrer desde o início dos sintomas até a cicatrização completa de todas as lesões. Por isso, o acompanhamento médico e as medidas para evitar o contato com outras pessoas durante o período de transmissão são necessários para reduzir o risco de novos casos.





