Jovem brasileira que começou faculdade aos 15 é aprovada para mestrado em Harvard

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A potiguar Layse Dias entrou no curso superior da UFRN em 2015, dois anos antes de concluir o ensino médio. Em agosto de 2025, trabalhando em um grande escritório de São Paulo, ela começará a especialização em uma das universidades americanas mais prestigiadas do mundo.

Em 2015, aos 15 anos, Layse Dias foi aprovada em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sim, bem antes de terminar o ensino médio, ela já havia passado em um dos cursos mais concorridos da instituição.

Nem a própria jovem imaginava este início precoce: prestou o Enem 2014 apenas como “treineira”, sem a expectativa de que sua nota fosse suficiente para conquistar uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Layse Dias entrou em Direito na UFRN aos 15 anos — Foto: Arquivo pessoal/BMA

Mas como fazer a matrícula de imediato, se ela só se formaria na escola dali a 2 anos? Na Justiça, Layse conseguiu o direito de, mesmo sem ter 18 anos, prestar o Encceja (exame que concede o diploma escolar a quem não se formou na idade correta).

“Com mandado de segurança, deu certo, e comecei o curso em 2015. Minha mãe ficava me esperando em um banquinho na frente da faculdade, todos os dias, porque eu tinha aula à noite e era basicamente uma pré-adolescente. Ela não queria que eu me sentisse desassistida”, conta Layse.

Dez anos depois, o apoio será o mesmo, apenas com ajustes pontuais: no próximo domingo (3), a mãe da jovem ficará sentada não em um banquinho, mas em uma poltrona do Aeroporto Internacional de Guarulhos, aguardando a filha embarcar para os Estados Unidos. Aos 25 anos, Layse foi aprovada na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo, para cursar o mestrado em Direito.

“Estou mais madura, até porque estar [na faculdade] com pessoas mais velhas que eu me fez amadurecer mais rápido”, diz. “E faculdade pública tem um perfil diverso: gente trabalhando, com filho, na segunda graduação… Foi uma diferença gigantesca em relação ao ensino médio.”

Apesar das restrições do governo Trump à presença de estudantes estrangeiros em Harvard, Layse conseguiu obter o visto sem transtornos. Agora, ela tem dois focos:

  • aprender nos EUA sobre os modos de funcionamento dos grandes escritórios e voltar ao Brasil com novas ideias e capacidade de liderança;
  • viabilizar sua permanência no curso, que custa US$ 80 mil (cerca de R$ 446 mil), e dar conta de pagar as despesas do dia a dia, como aluguel, livros e transporte.

“Consegui uma bolsa parcial de 5 mil dólares em Harvard e o direito de contratar um empréstimo com juros menores. Mas mesmo assim, com a bolsa-auxílio que ganhei no meu trabalho e com todas as minhas economias, não consigo cobrir tudo. Estou tentando”, diz.

Layse só não pulou de alegria quando recebeu a carta de Harvard porque estava com o dedo do pé quebrado — Foto: Arquivo pessoal

Layse só não pulou de alegria quando recebeu a carta de Harvard porque estava com o dedo do pé quebrado — Foto: Arquivo pessoal

De Natal a um escritório grande de São Paulo: como ela conseguiu a vaga?

Layse sonhava em ser advogada desde criança (inspirada pela mãe de um amiguinho da turma do caratê). Veja só o percurso dela para sair de Natal, onde a maioria dos colegas via como único caminho a aprovação em concursos públicos, e conseguir uma vaga no BMA – Barbosa Müssnich Aragão, escritório tradicional de São Paulo:

1- Participou do Capitólio, holding jurídica da UFRN, e propôs-se a apresentar aos alunos da universidade novos horizontes no Direito. Organizou palestras com advogados de outros estados na instituição de ensino.travel

2- Em 2017, fez um curso de francês na Universidade Sorbonne, em Paris. Na volta, passou a dar aula do idioma no Instituto Ágora, da UFRN. Era a única professora que não estudava Letras na universidade.

3- Em 2018, foi aprovada para o Conferência na Prática, um evento da Fundação Estudar em que representantes da BMA (e de outras empresas) descreveram as dinâmicas necessárias para um dia trabalhar lá. “Aproveitei para conversar com uma das sócias”, diz Layse.

4- Um ano depois, desenvolveu dentro do Capitólio um projeto na UFRN de viagens a São Paulo, para que os alunos conhecessem de perto a rotina de grandes escritórios.

“Uma das visitas foi à BMA. Reencontrei a sócia com quem tinha falado na conferência. Isso foi um divisor de águas, porque ela ficou com meu nome na cabeça”, conta.

5- Compareceu a uma palestra sobre Direito em Fortaleza… e viu que um dos palestrantes era justamente Paulo Aragão, outro sócio da BMA e um nome importante na área que mais interessava Layse: fusões e aquisições. Ele conversou com a jovem, testou o francês dela e encaminhou seu currículo para o RH da empresa.

Após todo o processo seletivo, Layse foi contratada e mudou-se para São Paulo em 2019, assim que se formou. Ela continuará trabalhando no escritório após voltar de Harvard — tirará uma licença de 1 ano para a especialização no exterior.

“É engraçado olhar para trás: eu estava em Natal e não conhecia ninguém que pudesse abrir as portas para mim. Tinha um plano ambicioso de ir para São Paulo. E deu certo”, diz.

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