Câmara salva mandato de Glauber Braga e suspende o parlamentar ao invés de cassá-lo

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Na terça-feira (9), o deputado foi retirado à força da cadeira da Presidência na Mesa Diretora após se negar a deixar o local em protesto contra o processo de cassação contra ele.

A Câmara dos Deputados decidiu suspender nesta quarta-feira (10) por seis meses o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) em um processo que pedia a cassação do mandato do parlamentar. Foram 318 votos a favor, 141 votos contrários e 3 abstenções.

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar havia aprovado uma proposta de cassação de Braga, mas os deputados no plenário decidiram pela punição menor.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Em uma articulação construída em plenário durante a tarde, aliados do deputado conseguiram reverter a sua cassação. A mudança foi uma grande vitória do psolista, dado que mesmo partidos da esquerda davam como quase certa a perda do mandato.

O episódio da ocupação da mesa diretora da Câmara, nesta terça-feira (9), incomodou deputados, que disseram que Braga poderia ter buscado diálogo com os colegas durante o último ano, mas preferiu ações midiáticas para contestar sua punição.

Articulação com o Centrão

Aliados do deputado Glauber Braga buscaram apoio de integrantes do Centrão em prol da pena alternativa. Dessa forma, articularam a aprovação de uma emenda que pudesse alterar a punição de perda de mandato, o que foi defendido por parte do centro.

"Não concordo com a perda de mandato. Sabemos que existe uma rivalidade, mas o parlamento é plural", disse o deputado Fausto Pinato (PP-SP) que defendeu uma pena de suspensão de 6 meses. "Ele não é meu amigo e não quero a amizade dele, mas muitos vem aqui para xingar deputado para se candidatar a deputado depois, muitas vezes provocando."

Deputados da direita afirmaram que a Secretaria de Relações Institucionais entrou na articulação pela manutenção do mandato de Glauber, prometendo liberação mais ágil de emendas. Os governistas negaram.

O secretário de Assuntos Parlamentares da SRI, André Ceciliano(PT-RJ), afirmou que ligou para parlamentares de “diversos partidos”, mas negou que tenha oferecido pagamento de emendas em troca de voto.

Durante a votação da suspensão, partidos da oposição se dividiram. O vice-líder do PL, deputado Bibo Nunes (RS) chegou a orientar que o partido votasse pela punição menor, afirmando que eles não teriam votos para garantir a cassação. Acabou destituído da vice-liderança pelo líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ).

O pedido de abertura de procedimento contra o deputado foi apresentado após o parlamentar protagonizar embates físicos com o membro do MBL Gabriel Costenaro e o deputado Kim Kataguiri (União-SP), um dos fundadores do movimento, em abril deste ano.

Glauber e Costenaro discutiram verbalmente em um dos anexos da Câmara. O desentendimento evoluiu para empurrões e chutes do parlamentar contra o militante do MBL, em tentativa de retirar à força Gabriel Costenaro das dependências da Casa.

A discussão seguiu no exterior do anexo da Casa e precisou ser apartada por policiais legislativos, que conduziram os dois para prestar depoimento no Departamento de Polícia Legislativa (Depol) da Câmara, onde se iniciou a discussão com Kim Kataguiri.

Glauber na cadeira de Motta

Na terça-feira (9), Glauber Braga ocupou por cerca de duas horas a Presidência da Mesa Diretora da Câmara em protesto contra a decisão do presidente da Casa Hugo Motta (Republicanos-PB) de pautar o pedido.

Por volta das 15h30, o Glauber Braga se sentou na cadeira de Motta. Conduziu a sessão normalmente, chamando outros deputados para discursar. Chegou a se levantar e voltou pouco depois das 16h voltou, ocupou novamente a cadeira e anunciou que não sairia mais. Ao fazer isso, desrespeitou o regimento interno da Câmara.

Em uma decisão inédita, a TV Câmara cortou a transmissão durante o tumulto. Jornalistas foram retirados do plenário pelos policiais do Congresso. As imagens da confusão foram registradas por celulares, muitos dos próprios parlamentares. Veja vídeos e fotos da confusão. (relembre o caso mais abaixo)

Na confusão, a deputada Célia Xakriabá, também do PSOL, chegou a cair. Sâmia Bomfim, deputada do PSOL e mulher de Glauber, tentou evitar que ele fosse retirado. O deputado teve o terno rasgado. Após a retirada, Motta disse que Braga desrespeitou a Câmara e mandou apurar “possíveis excessos” da segurança contra a imprensa.

  1. Às 16h04 – Glauber Braga ocupou a cadeira da presidência da Câmara e se recusou a deixar o local.
  2. Às 17h34 – o sinal da TV Câmara foi cortado. Em seguida, a polícia legislativa começou a esvaziar o plenário e retirou a imprensa do local.
  3. Às 18h08 – o deputado foi retirado à força pela polícia legislativa da cadeira da presidência.
"A cadeira não pertence a mim. Ela pertence à República, pertence à democracia, pertence ao povo brasileiro. E nenhum parlamentar está autorizado a transformar em instrumento de intimidação ou desordem. Deputado pode muito, mas não pode tudo", declarou Motta em sessão após retirada de Glauber.

Motta disse que Glauber é “reincidente”, lembrando que o deputado do PSOL já havia ocupado uma comissão por mais de uma semana em greve de fome. E afirmou que os atos de Glauber não encontram respaldo no regimento interno nem na “liturgia do cargo”.

O presidente da Câmara justificou a ação da Polícia Legislativa para retirar Glauber Braga da mesa diretora com base em um ato da própria mesa.

“O ato da mesa número 145, em seu artigo 7º, é claro: ‘O ingresso, a circulação e a permanência nos edifícios e locais sob responsabilidade da Câmara dos Deputados estarão sujeitos à interrupção ou à suspensão por questão de segurança'”, afirmou Motta.
Durante a sessão, deputados governistas criticaram o que classificaram como “violência dos seguranças” e “atitudes precipitadas e antidemocráticas” que teriam sido aprovadas por Motta. Outros parlamentares também reprovaram a retirada da imprensa do plenário durante o tumulto.

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