Em café da manhã com jornalistas, presidente da Câmara fez balanço do ano de 2025, marcado por embates entre os Poderes
Apesar de conflitos que permearam grande parte do ano de 2025, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que o respeito pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), “não se perdeu” e avaliou que a relação com o governo está “estabilizada”.
“Esse respeito não se perdeu, mesmo quando existiu essa divergência. Continuamos conversando”, disse. “A relação [com o Executivo], na minha avaliação, termina o ano estabilizada, com uma perspectiva de que entremos em 2026 conversando mais, dialogando mais, superando as divergências que aconteceram aí ao longo do ano e isso, na minha avaliação, é importante.”
O presidente da Câmara também afirmou que nunca deixou de conversar com a equipe econômica perante projetos e pautas de interesse da Fazenda para se tentar chegar a consensos. Citou, por exemplo, que o governo conseguiu aprovar praticamente toda a agenda econômica proposta.

“Como todas as relações de nossas vidas, você tem altos e baixos. E isso é muito natural porque cada Poder tem a sua independência, sua maneira de agir, sua dinâmica interna. Não está escrito na Constituição que um Poder tem que concordar com o outro em 100% dos pontos. Tem que ter harmonia e diálogo – e na hora de divergir, um Poder precisa compreender o outro”, disse;
Motta recebeu jornalistas que trabalham na cobertura da Câmara para um café da manhã de final de ano nesta sexta-feira (19). Ele fez um balanço geral de seu primeiro ano no comando da Casa, comentou acontecimentos recentes e fez algumas perspectivas em relação a 2026.
Ele buscou ressaltar que mantém uma boa relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apesar de embates que as Casas tiveram em 2025 – como a aprovação da chamada PEC da Blindagem pela Câmara, que acabou arquivada pelo Senado.
“Não me recordo, nesses quatro mandatos que estou aqui como deputado federal, de um momento em que Câmara e Senado tiveram uma relação tão boa entre seus presidentes”, declarou o presidente da Casa Legislativa.
Motta ainda destacou o respeito com independência ao Judiciário – alguns dos principais conflitos entre os Poderes aconteceram entre Congresso e STF, como perante a autorização de operações contra suspeitas de corrupção, cobrança de maior transparência de emendas parlamentares, condenação e cassação de deputados, julgamento favorável ao governo no caso do aumento parcial do IOF após disputa do Executivo com o Legislativo.
O presidente da Câmara disse que a Casa só votou o projeto da dosimetria após o Supremo concluir o julgamento dos então réus pela trama golpista, inclusive com o prazo dos recursos.
“Importante registrar que será o próprio Judiciário que vai analisar esses pedidos [de revisão de penas]. Não quer dizer que todos [os condenados] terão direito, não quer dizer que será automático”, disse.
“Foi uma decisão política até também de avançarmos numa descompressão de tudo o que tem acontecido no país ao longo deste ano. Acho que é uma oportunidade de avançarmos, quem sabe, para uma situação de pacificação do país, respeitando as instituições”, completou.
O presidente Lula já disse que irá vetar o projeto da dosimetria. Motta evitou tecer críticas diretas ou dizer como vai se comportar em se oficializando a decisão do mandatário.
“Dependendo da decisão do presidente [Lula], vamos reunir os líderes. Quem pauta o veto é o presidente do Congresso Nacional. Aí tem que aguardar qual vai ser esse posicionamento”, afirmou.
Luciana Amaral, Carol Rosito e Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília







