Golpes com anúncios falsos aumentam nas redes e afetam usuários

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Especialistas afirmam que esses golpes se tornaram um problema não só de segurança, mas também de saúde pública.

Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes. As empresas que controlam as plataformas afirmam que tentam conter as fraudes, mas os conteúdos enganosos continuam circulando.

Os golpes on-line estão cada vez mais sofisticados. Bandidos usam a inteligência artificial para criar anúncios prometendo, por exemplo, facilidades inexistentes para acesso a serviços públicos; e para criar vídeos também falsos com imagem e voz de pessoas conhecidas, com credibilidade.

O médico Drauzio Varella diz que tem a imagem usada em fraudes na internet há pelo menos dez anos e que, agora, o uso da IA tornou esses golpes ainda mais perigosos:

Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes — Foto: Reprodução/TV Globo
“Mesmo pessoas que me conhecem falam: 'não, era você falando, eu vi você falando'. Eu digo: não era, é falsa a propaganda. E desde que isso começou, a gente tentou entrar em contato com eles, explicar que isso era propaganda falsa. Eles simplesmente ignoram. Por que eles ignoram? Eles ganham dinheiro para fazer isso”.

Marie Santini, especialista em manipulação e desinformação em redes sociais, afirma que todos nós estamos cada vez mais vulneráveis:

“A gente não pode transferir para o consumidor e para o usuário a responsabilidade de se proteger das fraudes e golpes. A gente não pode pedir para que as pessoas passem a ser especialistas em identificação de inteligência artificial, ou checadores de informação, ou até médicos. E, por isso, a gente precisa de uma solução coletiva que passa pela regulamentação, passa pela fiscalização e passa pelo desincentivo econômico e em última instância na punição”, afirma.

A última edição do Anuário de Segurança Pública revela que houve uma forte migração do crime do ambiente real para o virtual. Em um período de seis anos, o índice de roubos de todo tipo teve queda de 51% no país, enquanto os crimes na internet aumentaram 408%.

Para um anúncio ser impulsionado e atingir um grande número de usuários na rede social, e-mail ou aplicativo de bate-papo, o contratante paga à big tech – geralmente com cartão de crédito. Ele precisa fazer um cadastro com apresentação de CPF ou CNPJ, no caso de empresa. O anúncio é então direcionado para o usuário com base em seus interesses, faixa etária, sexo: informações que as empresas de tecnologia têm.

“Essas empresas de tecnologia não têm feito o suficiente para evitar golpes e fraudes na rede, principalmente em relação aos anúncios, à publicidade, que é um serviço que elas vendem. Se uma empresa não tem condições de verificar o cadastro e os dados bancários de seus clientes, ela não pode nem operar, porque não garante segurança nem para o sistema financeiro nem para os próprios consumidores”, diz Marie Santini.
Quem tem a responsabilidade de proteger o usuário nas redes? Especialistas afirmam que esses golpes se tornaram um problema não só de segurança, mas também de saúde pública. As big techs, as grandes empresas de tecnologia que controlam as redes sociais, dizem que têm criado e tomado medidas para evitar a publicação e derrubar os anúncios fraudulentos.

Uma reportagem da agência de notícias Reuters, com base em documentos da Meta – dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp – diz que a companhia estima que 10% de sua receita em 2024 vieram de anúncios fraudulentos: US$ 16 bilhões.

No Brasil, a Meta informa que o combate a fraudes e golpes on-line é uma prioridade; que está utilizando tecnologia de reconhecimento facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas; que em 2025 removeu 159 milhões de anúncios fraudulentos, 92% deles antes de serem denunciados; e que está acionando a Justiça contra anunciantes que usam imagens de figuras públicas indevidamente.

O Google diz que proíbe anúncios com representações fraudulentas e comércio de substâncias não aprovadas; que em 2024, 201 milhões de anúncios foram removidos e 1,3 milhão de contas de anunciantes suspensas; e que oferece uma ferramenta para que usuários denunciem possíveis violações.

A assessoria do X nos Estados Unidos afirmou que proíbe globalmente a promoção de conteúdos fraudulentos, incluindo anúncios.

Também por nota, o TikTok declarou que não permite anúncios ou conteúdos manipulados, incluindo os gerados por inteligência artificial; e que os conteúdos que violavam as diretrizes da empresa foram removidos.

Só em 2025, a Advocacia-Geral da União abriu mais de 150 processos pedindo a retirada de anúncios fraudulentos da internet. Em quase 90% dos casos conseguiu, mas reconhece que isso ainda é muito pouco diante da gravidade do problema.

“Hoje, a AGU tem uma equipe dedicada a isso. A gente poderia ter pessoas dedicadas a outras políticas públicas se não tivesse que ficar buscando informação errada na internet que leva a prejuízos financeiros aos contribuintes”, diz Flávio José Roman.
“Elas são capazes de diariamente retirar da plataforma conteúdo de pornografia, de mutilação, conteúdos muito tóxicos e pesados, e elas retiram realmente. Então, se elas têm condições de retirar esse tipo de conteúdo, elas têm condições de tirar qualquer tipo de conteúdo que esteja prejudicando a sociedade, o consumidor e o usuário que está ali dentro”, afirma Marie Santini.

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