Violência sexual na internet afeta 20% dos adolescentes brasileiros

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Levantamento aponta que 3 milhões de menores foram vítimas em um ano; especialistas alertam para riscos em plataformas de jogos e redes sociais

Um levantamento da Unicef e da Interpol revela um cenário alarmante sobre a segurança digital de crianças e adolescentes no Brasil. Segundo os dados, um em cada cinco jovens entre 12 e 17 anos foi vítima de violência sexual online no período de um ano. Ao todo, cerca de 3 milhões de meninos e meninas foram atingidos por esse tipo de crime no país.

O estudo destaca que a percepção de segurança do ambiente doméstico é, muitas vezes, uma ilusão, já que dispositivos como celulares e plataformas de jogos online servem como porta de entrada para predadores. Imagens reais de plataformas de jogos mostram simulações de ambientes com bebidas e armas, onde o sistema de mensagens instantâneas facilita a abordagem dos criminosos.

Divulgação

Dinâmica do crime e sinais de alerta

A repórter Roberta Scherer detalha que os criminosos se aproveitam da vulnerabilidade desses espaços virtuais para iniciar conversas com menores. O contato geralmente evolui para pedidos de informações pessoais ou imagens sexualizadas, que posteriormente são utilizadas como ferramenta de chantagem contra as vítimas.

Casos recentes ilustram a gravidade da situação. No fim do ano passado, um youtuber foi detido após usar itens colecionáveis, como cartas e pelúcias, para atrair e abusar de crianças. Em outra operação policial, um homem foi preso por apologia ao crime e suspeita de utilizar jogos eletrônicos para cooptar menores.

Para a psiquiatra Danielle Admoni, da Unifesp, os danos ultrapassam o mundo virtual e podem causar graves prejuízos à saúde mental. “Vemos quadros de TOC, piora da ansiedade, depressão e até ideação suicida ou de autolesão”, afirma a especialista. Pais e responsáveis devem estar atentos a mudanças claras de comportamento, como:

  • Isolamento excessivo no quarto;
  • Comportamento reativo e irritabilidade;
  • Mudança na forma de filtrar ou responder a diálogos familiares.

Prevenção e controle parental

Especialistas reforçam a importância do monitoramento ativo por parte dos responsáveis. Um exemplo de boa prática é o de Cibele, que instalou a plataforma de jogos em seu próprio celular antes de permitir o uso pelo filho. A medida permitiu que ela compreendesse o funcionamento do ambiente digital e proibisse acessos considerados perigosos.

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