Um trabalho arqueológico realizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, tem revelado parte da história do Brasil Imperial escondida sob o solo da antiga Vila de Iguassú. Desde o início das pesquisas, há três anos, cerca de 100 mil objetos e fragmentos já foram encontrados no local, que no passado funcionou como um dos principais pontos de passagem para o Rio de Janeiro.
As escavações acontecem na área onde existiu a chamada Iguassú Velha, cidade que prosperou durante o ciclo do café graças à localização estratégica entre as rotas terrestres e o transporte fluvial. O local servia como ligação entre o interior produtor e a antiga capital do país.

Entre os materiais encontrados estão peças de louça, utensílios domésticos, objetos importados e itens ligados ao período imperial. Um dos achados que mais chamam atenção é um botão com o símbolo do imperador, além de recipientes vindos da Europa, como potes de pasta de dente fabricados em Paris.
Os arqueólogos destacam que os vestígios ajudam a reconstruir o cotidiano da época e mostram que a antiga vila mantinha padrões de consumo semelhantes aos de outros centros urbanos importantes do país.
“Em Vila de Iguassú, a gente tem uma sociedade estruturada com o mesmo padrão de consumo de outros centros”, afirmou a arqueóloga Cleide Trindade.
O arqueólogo Diogo Borges explica que a importância econômica da vila estava diretamente ligada à logística do café. Segundo ele, o trajeto pela região reduzia drasticamente o tempo de viagem em comparação a outras rotas terrestres da época.

Com o avanço das ferrovias, o transporte do café deixou de depender do antigo caminho fluvial e a vila acabou sendo abandonada. A população se deslocou para uma nova área próxima à estação de trem, a cerca de 15 quilômetros dali.
Mesmo após décadas de abandono, estruturas de pedra, tijolos e diversos objetos permaneceram soterrados. Parte desse material agora está sendo restaurada e exposta em um museu inaugurado pela cidade em abril deste ano.
Os trabalhos também contam com apoio da população local. O morador Allan Ferreira de Lucena, dono de um dos terrenos onde ocorrem as escavações, contou que a família sempre encontrou peças antigas durante pequenas obras realizadas no local.
“A gente ia cavar para colocar um mourão e encontrava algum objeto. Meu pai sempre dizia para preservar”, relatou.
As equipes acreditam que ainda há muito material enterrado na antiga vila. As pesquisas continuam em busca de novos vestígios que ajudem a reconstruir a história da região e do período imperial brasileiro.





