Uma análise publicada pela agência Reuters aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta dificuldades para manter o apoio da Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, e dos jovens adultos.
De acordo com pesquisas citadas pela agência, os eleitores entre 16 e 34 anos são o único grupo etário em que a desaprovação ao governo supera a aprovação. O dado consta em levantamento da Quaest divulgado em junho. Apesar desse cenário, Lula mantém índices gerais de popularidade elevados e aparece à frente de adversários em simulações de disputa eleitoral.

A Reuters também destaca que os jovens brasileiros estão entre os mais identificados com a direita na América Latina. Levantamento da AtlasIntel citado pela reportagem indica que os eleitores mais velhos demonstram maior identificação com a esquerda e o centro-esquerda.
Segundo a análise, essa tendência é mais acentuada entre os homens jovens e acompanha um movimento observado em países como Alemanha, Estados Unidos, Coreia do Sul e outras nações europeias. Um exemplo citado é uma pesquisa realizada em 2024 por uma fundação ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha, segundo a qual 38% dos jovens entrevistados se declararam de direita.
A reportagem atribui esse comportamento, em parte, às frustrações econômicas acumuladas nos últimos anos. Muitos jovens que ingressaram no ensino superior e posteriormente entraram no mercado de trabalho afirmam não ter encontrado a melhora econômica esperada.
“Os jovens foram para a universidade e, quando voltaram ao mercado de trabalho, não viram resultados econômicos reais”, afirmou Felipe Nunes, diretor da Quaest, em entrevista à Reuters.
Segundo o pesquisador, a ausência do retorno econômico esperado após a formação acadêmica levou parte desse eleitorado a buscar alternativas políticas.
“A busca por respostas levou muitos jovens eleitores a se inclinarem para plataformas mais voltadas ao mercado, representadas por candidatos de direita e de centro do espectro político”, acrescentou.
Apesar do distanciamento em relação à esquerda, a análise ressalta que os dados não indicam, necessariamente, uma geração mais conservadora. De acordo com Felipe Nunes, os jovens continuam demonstrando apoio a políticas públicas, como a ampliação do acesso ao ensino superior.





