Ministro do Meio Ambiente diz que queimadas no Amazonas são mais graves do que imaginava após sobrevoo

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João Paulo Capobianco identificou focos de incêndio em áreas de floresta preservada e apontou indícios de ação criminosa. Governo Federal mobilizou 11 aeronaves para combater as chamas, enquanto 36 municípios estão em situação de emergência.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou neste domingo (11) que a situação dos incêndios florestais no Amazonas é mais grave do que imaginava. A declaração foi feita após um sobrevoo na região de Autazes, onde a comitiva do Governo Federal identificou diversos focos de incêndio em áreas de floresta preservada.

Comitiva sobrevoa áreas afetadas por incêndios em Manaus — Foto: Paulo Roberto/Rede Amazônica

Durante entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus (BAMN), Capobianco relatou que parte dos incêndios foi identificada em locais distantes de pastagens, o que, segundo ele, indica a possibilidade de ações criminosas para destruir a vegetação e preparar áreas para futuros desmatamentos.

“Eu diria, mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta. Nesse caso, além do fogo que vem da pastagem, nós vimos focos no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, declarou.

O ministro cobrou maior participação das forças de segurança na identificação e punição dos responsáveis pelas queimadas. Ele defendeu que a Polícia Militar atue em conjunto com o Corpo de Bombeiros nas operações de combate ao fogo e na investigação de possíveis crimes ambientais.

“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, afirmou.

A viagem da comitiva sofreu atraso devido à intensa fumaça que encobria Manaus durante a manhã de domingo. A baixa visibilidade comprometeu as condições de voo, e a aeronave só conseguiu decolar após uma melhora do tempo.

Além de Capobianco, participaram das atividades o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; o governador do Amazonas, Roberto Cidade; o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt; e o secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff.

Antes do sobrevoo, os representantes dos governos federal e estadual participaram de reuniões no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), onde discutiram as medidas emergenciais para enfrentar os incêndios.

Amazonas registra aumento expressivo dos focos de incêndio

Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 372 registros, o que representa um aumento de 271%.

Foto: Raphael Alves

Do total identificado neste ano, 1.186 focos ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em áreas sem situação fundiária definida.

O levantamento também identificou ocorrências em assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação. Parte dos focos foi classificada como relacionada ao desmatamento.

Governo Federal mobiliza 11 aeronaves para combater as chamas

Para ampliar as operações de combate aos incêndios, o Governo Federal anunciou a mobilização de 11 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor, helicópteros e dois cargueiros KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB).

As aeronaves da FAB chegaram ao Amazonas no domingo (11), com previsão de início das operações nesta segunda-feira (12). Os equipamentos serão utilizados no apoio logístico e no combate direto aos focos de incêndio.

Os aviões Air Tractor já atuam no lançamento de água sobre áreas atingidas. A operação também conta com aproximadamente 290 brigadistas federais, além de bombeiros e equipes de órgãos ambientais.

Segundo o ministro João Paulo Capobianco, as equipes permanecerão no estado enquanto houver focos de incêndio que estejam provocando danos à população.

O Governo de São Paulo também enviou uma força-tarefa com 30 profissionais para reforçar as operações. O grupo é formado por 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil estadual.

A equipe embarcou neste domingo (11), levando drones, equipamentos especializados e 11 mil litros de retardante de chamas. Os profissionais atuarão em conjunto com as equipes locais, principalmente no combate direto ao fogo e na proteção das áreas ameaçadas.

Fumaça deixa qualidade do ar péssima e provoca problemas respiratórios

A fumaça provocada pelos incêndios florestais continua afetando a população do Amazonas. Pelo quarto dia consecutivo, Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de poluição neste domingo (11).

Fumaça cobre o céu do bairro Ponta Negra, em Manaus. — Foto: Luciane Marques/Rede Amazônica

O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou qualidade do ar classificada como “péssima” na capital e em outros cinco municípios da Região Metropolitana.

Em Careiro, a concentração de partículas poluentes chegou a 301,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³), indicando condições prejudiciais à saúde.

A Defesa Civil emitiu alerta severo, recomendando o uso de máscaras e a redução da exposição ao ar livre. A orientação é especialmente relevante para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

A Prefeitura de Manaus também suspendeu todas as atividades e eventos públicos ao ar livre programados para domingo (11) e segunda-feira (12).

Os efeitos da fumaça já são registrados nas unidades de saúde. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), foram contabilizados 82 atendimentos de urgência relacionados a problemas respiratórios decorrentes da poluição entre os dias 1º e 8 de outubro.

Governo Federal reconhece situação de emergência em 36 municípios

O Governo Federal reconheceu, no sábado (10), a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas atingidos pelos incêndios florestais. A medida foi oficializada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), poucas horas após a publicação do decreto estadual.

O reconhecimento permite a liberação de recursos federais para ações de combate aos incêndios, assistência humanitária e atendimento às famílias afetadas.

Durante a entrevista coletiva, o ministro Waldez Góes afirmou que a atuação do Governo Federal não ficará restrita ao combate às chamas, incluindo também assistência médica e apoio às comunidades prejudicadas.

“Uma coisa é enfrentar em todas as frentes e empregar toda a força que puder, Governo Federal junto com o Estado e municípios, para apagar o fogo. A outra é assistir pessoas que já estão, de alguma forma, precisando de ajuda humanitária, de assistência médica como resultado do incêndio”, declarou.

Equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) também foram mobilizadas para reforçar os atendimentos nas áreas afetadas.

Em Manaus, a prefeitura mantém o estado de atenção decretado em 24 de setembro, diante dos riscos provocados pela fumaça e da possibilidade de agravamento das condições ambientais.

Municípios atingidos pelo decreto de emergência

A medida estadual abrange cidades da Região Metropolitana de Manaus, do sul do Amazonas e de outras regiões.

Região Metropolitana de Manaus e municípios próximos: Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Silves.

Sul do Amazonas: Apuí, Boca do Acre, Borba, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Tapauá.

Demais municípios: Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Coari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Tefé e Urucurituba.

Com o reconhecimento federal da situação de emergência, os municípios poderão solicitar recursos para enfrentar os incêndios e prestar assistência à população.

As operações continuam com a participação de equipes federais, estaduais e municipais. Além do combate aos focos ativos, as autoridades trabalham para reduzir os efeitos da fumaça sobre a população e identificar os responsáveis pelos incêndios de origem criminosa.

Coletiva realizada na Base Aérea de Manaus — Foto: Paulo Roberto/Rede Amazônica

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