Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta que a cadeia produtiva do mel foi a mais afetada no estado pelas tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano.
As exportações do Piauí para os Estados Unidos registraram queda de 45,6% em um período de 12 meses, provocando perdas estimadas em R$ 110,2 milhões para a economia estadual. Os dados fazem parte de um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), divulgado na segunda-feira (19), que analisou os efeitos das tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano sobre os produtos brasileiros.

O estudo comparou dois períodos de 12 meses. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, antes da aplicação das tarifas, o Piauí exportou US$ 38,8 milhões para os Estados Unidos. Já entre agosto de 2025 e julho de 2026, com as medidas em vigor, as vendas caíram para US$ 21,1 milhões, uma redução de US$ 17,7 milhões.
A cadeia produtiva do mel foi a mais prejudicada no estado. Segundo a CNM, 62% dos 13 municípios piauienses que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano registraram queda nas exportações durante o período analisado.
Prejuízo nacional chega a R$ 66,8 bilhões
Em todo o país, o levantamento identificou perdas de R$ 66,8 bilhões nas economias de 1.135 municípios brasileiros. Os setores mais atingidos foram os de petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura.
De acordo com a CNM, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível desde 2021. A participação do mercado norte-americano no total das exportações do Brasil caiu de 12,3% para 9,4%.
O levantamento também identificou que 271 municípios brasileiros deixaram de exportar para os Estados Unidos durante o período analisado. Antes da aplicação das tarifas, essas localidades movimentavam R$ 588 milhões em vendas ao país. Outros 864 municípios tiveram redução média de 30% no valor exportado.
Além disso, 58% dos municípios afetados não conseguiram compensar as perdas com exportações destinadas a outros países.
Petróleo, café e suco de laranja também foram afetados
Entre os produtos brasileiros atingidos pelas medidas comerciais, o petróleo apresentou redução de 28% no volume exportado, enquanto o café registrou queda de 43%.
No setor de suco de laranja, o prejuízo ocorreu principalmente pela redução de 33,7% no preço médio do produto. Mesmo com aumento de 13,6% no volume comercializado, a queda nos preços comprometeu o resultado das exportações.
CNM defende diversificação dos mercados
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, defendeu a ampliação das relações comerciais do Brasil com outros países como alternativa para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
Segundo ele, a diversificação dos destinos das exportações é necessária para proteger a arrecadação municipal e preservar os empregos nas localidades que dependem das atividades exportadoras.
“Esse caminho é fundamental para as economias municipais, que já enfrentam tantas dificuldades, construam a resiliência necessária no enfrentamento às incertezas do comércio global”, avaliou Ziulkoski.
A avaliação da CNM é de que a busca por novos parceiros comerciais pode ajudar os municípios brasileiros a reduzir os prejuízos provocados pelas restrições comerciais e diminuir a exposição das economias locais às mudanças no comércio internacional.





