A trajetória da saída do Brasil do Mapa da Fome

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Programas de transferência de renda, apoio à agricultura familiar e cooperação internacional foram fundamentais para mudar a realidade de milhões de famílias brasileiras

Nos lares brasileiros, a incerteza se haveria alimentos suficientes para a próxima refeição começou a dar lugar a um novo sentimento: o de alívio. Pratos mais completos, refeições mais variadas e a certeza de que não faltará comida para a família se tornou parte da rotina há dois anos. A mesa cheia se traduz no anúncio de que o Brasil não está mais no Mapa da Fome.

Em julho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) atestou que o Brasil atingiu a marca de menos de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.

Fotos: Paulo Miorando/ Arquivo PMBC

O resultado reflete a média trienal 2022/2023/2024 e foi alcançado em apenas dois anos, tendo em vista que 2022 foi um período considerado crítico para a fome no Brasil, com 33,1 milhões de pessoas vivendo nesta situação. Se consideramos o ano de 2024 de forma isolada, o índice á ainda mais baixo: 1,7%.

As mudanças são vivenciadas de forma intensa por pessoas como Luana Araújo, moradora do Sol Nascente, na Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal. “Abrir a despensa e ver que tem coisa hoje para dar para meus filhos, é um alívio”, afirmou.

Casada e mãe de dois filhos, Luana Araújo vivenciou a fome durante a infância e agora, na vida adulta, viu os filhos passarem pela mesma situação. Emocionada, ela relatou as dificuldades enfrentadas pela família quando o marido ficou desempregado e eles passaram a sobreviver com ajuda de outras pessoas. “A gente vê criança com fome e dói. A gente passou fome e tinha dia que a gente ficava preocupado porque não tinha como dar comida para os meninos”, recordou.

Histórias como a de Luana se repetem em dezenas de cidades e pelo meio rural brasileiro. Cada número divulgado reflete uma história, uma mudança de vida, que só foi possível por causa do esforço e investimento do Governo do Brasil em políticas públicas eficazes.

Foi por meio do incentivo do Programa Bolsa Família que, agora, a casa de Luana vive outra realidade. As compras do mês são garantidas com o valor mensal do benefício. “Hoje está bem melhor que antes. Hoje a gente tem o que dar para eles [filhos]. A gente não tem que se preocupar com o dia de amanhã. Hoje meu marido está trabalhando e eu também recebo o Bolsa Família”, destacou.

Políticas integradas

A saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado de um conjunto de 80 ações e programas articulados sob o guarda-chuva do Plano Brasil Sem Fome, lançado em 2023. A estratégia do Governo Federal inclui o aumento da renda disponível para comprar alimentos; a inclusão em políticas de proteção social; a ampliação da produção e do acesso à alimentos saudáveis e sustentáveis; e a informação e mobilização da sociedade, de outros poderes e de outros entes federativos para erradicação da fome.

Neste sentido, a valorização do salário mínimo, a retomada do Programa Bolsa Família, o reajuste do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e investimentos recordes nos Planos Safra da Agricultura Familiar foram políticas essenciais para a saída do Brasil do Mapa da Fome, assim como ocorreu na primeira vez em que o país alcançou o feito, em 2014.

O Plano Brasil Sem Fome também trouxe novas soluções, como o apoio às cozinhas solidárias, o mapeamento do risco de insegurança alimentar por município, a Política Nacional de Abastecimento Alimentar, o Programa de Alimentação do Sistema Único de Assistência Social, entre outros.

“Esse resultado confirma algo essencial: quando há participação social, políticas públicas robustas para os mais vulnerabilizados, cooperação internacional e, sobretudo, vontade política, é possível mudar vidas e oferecer esperança. A luta contra a fome e a pobreza é, antes de tudo, uma decisão política”, destacou Wellington Dias, titular do MDS.

Além da saída do Mapa da Fome, em dois anos o número de famílias em situação de pobreza no Cadastro Único caiu 25%. Eram 26,1 milhões de domicílios nesta situação em maio de 2023 e 19,56 milhões em julho de 2025. Isso significa que 6,55 milhões de famílias aumentaram o patamar de renda no Brasil acima de R$ 218 mensais por pessoa, no período. Se for considerado o número de indivíduos, 14,17 milhões de pessoas melhoraram de vida.

Fotos: Lyon Santos e João Caetano (acima à dir.)/ MDS

Fotos: Lyon Santos e João Caetano (acima à dir.)/ MDS

Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza

A preocupação do Governo do Brasil com a fome ultrapassa os limites territoriais. No cenário internacional, o país passou a integrar e liderar iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, copresidida pelo ministro Wellington Dias e lançada em 2024 durante a presidência brasileira do G20.

A Aliança tem o objetivo de unir esforços de países, organizações internacionais e instituições financeiras para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco na erradicação da fome e da pobreza até 2030.

Atualmente, a Aliança conta com mais de 197 membros, sendo 102 países, além de diversas fundações, instituições e organizações financeiras internacionais.

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