Banco Central contraria Governo Lula e diz que juros ficarão a 15%

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Segundo o Relatório Focus, a expectativa para 2025 é de inflação em 4,55%, acima do limite ideal.

O Banco Central anunciou nesta terça-feira (11) que pretende manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano por um período “bastante prolongado”, contrariando as pressões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de integrantes do Governo Federal. A decisão foi detalhada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforça o compromisso de levar a inflação ao centro da meta de 3%. Segundo o Relatório Focus mais recente, a expectativa para 2025 é de inflação de 4,55%, acima do limite considerado ideal.

Foto: Ricardo Stuckert

Na ata, o Banco Central reconheceu uma “moderação gradual da atividade econômica” e uma leve melhora nas expectativas inflacionárias, mas ressaltou que o cenário ainda é desafiador, com a inflação operando acima do teto da meta, de 4,5%. O documento afirma que o colegiado optou por manter a taxa de juros inalterada por entender que o nível atual é suficiente para promover a convergência da inflação à meta, ainda que isso exija uma política monetária mais prolongada e restritiva.

A decisão do Copom vai na contramão dos pedidos do presidente Lula, que nas últimas semanas voltou a cobrar publicamente a redução dos juros, afirmando que o Banco Central “precisa começar a baixar a Selic”. Mesmo diante das críticas, o comitê manteve a taxa no maior patamar desde 2006, quando o próprio Lula comandava o país. Segundo o BC, a manutenção destaca a necessidade de preservar uma postura “significativamente contracionista”, diante de pressões no mercado de trabalho e de expectativas inflacionárias “desancoradas”.

As projeções do Banco Central indicam que a inflação deve permanecer acima do teto da meta em 2025 e começar a recuar de forma mais consistente apenas em 2026, com expectativa de 3,6%, chegando a 3,3% no segundo trimestre de 2027. O cenário considera a Selic mantida em 15% até o fim de 2025 e uma redução gradual para 12,25% no final de 2026. O Copom destaca que, diante da resiliência da economia e das incertezas no ambiente fiscal, será necessário manter os juros elevados por mais tempo do que o previsto anteriormente.

O documento também aponta que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa uma nova incerteza fiscal e pode pressionar o consumo e os preços. O comitê afirmou que continuará acompanhando os efeitos da medida e não descarta retomar o ciclo de alta de juros, caso julgue necessário. Além disso, o Banco Central revisou sua projeção para as tarifas de energia elétrica, prevendo bandeira amarela com cobrança adicional em 2025 e 2026, o que tende a elevar ligeiramente o custo de vida no curto prazo. Mesmo com alguma melhora nas expectativas do mercado, o BC pontuou que o ambiente segue “desancorado”, exigindo uma política monetária mais rigorosa e duradoura.

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