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Biden diz que recusa de Trump em cooperar com transição pode atrasar vacina em meses

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O presidente eleito dos Estados Unidos voltou a falar da falta de cooperação do governo Donald Trump com sua equipe de transição.

Durante evento online com trabalhadores da linha de frente no combate à pandemia, nesta quarta-feira (18), Biden disse que a gestão Trump falha ao não reconhecê-lo como vencedor da eleição e pressionou para que seu time tenha acesso a dados oficiais sobre a situação do país –os EUA enfrentam aumento no número de transmissões e hospitalizações e diversos estados voltaram a aplicar restrições nos últimos dias.

Joe Biden

“Tem muita coisa que não tem sido disponibilizada para nós. E, caso não sejam disponibilizadas em breve, estaremos atrasados em semanas ou meses para podermos montar a iniciativa relacionada à maior promessa que temos, com duas empresas farmacêuticas chegando com 95% de eficácia nas vacinas”, disse Biden.

Sob o argumento mentiroso de que a eleição foi fraudada, Trump se recusa a conceder a vitória ao adversário e seu governo bloqueou o acesso a informações e recursos à equipe do democrata ao não assinar carta oficial que é de praxe para que seja iniciada a transição formal de poder.

“Quando a vacina sair, precisamos saber como distribuir, o que vem primeiro no plano de prioridade para os 300 milhões de americanos e para além de nossas fronteiras”, completou Biden. “Só queria dizer que a única desaceleração que temos agora é essa.”

A declaração do democrata aconteceu no dia em que a farmacêutica Pfizer anunciou que sua vacina candidata contra a Covid-19 é segura e tem 95% de eficácia. O próximo passo será um pedido de autorização para uso de emergência à FDA (Food and Drugs Administration), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos. A Pfizer disse que isso será feito em “alguns dias”.

A empresa de biotecnologia Moderna também anunciou que sua vacina apresentou eficácia de 94,5% em uma análise interina dos dados.

Biden já havia dito no início da semana que a falta de cooperação por parte do governo Trump com sua transição poderia atrasar a distribuição de vacinas e que mais pessoas poderiam morrer no país por causa da postura do republicano.

Durante o evento online nesta quarta, o democrata se emocionou ao conversar com uma enfermeira e ouvir que muitos profissionais nos hospitais pelo país têm ficado doente e morrido porque não recebem a proteção e investimentos devidos do governo federal.

“Há uma coisa errada quando enfermeiros precisam implorar por proteção no meio de uma pandemia”, disse a enfermeira de Minnesota, chorando. “O governo federal não está lá.”

Biden tirou um lenço do bolso, limpou os olhos lacrimejados, e mostrou-se surpreso ao ouvir que a profissional nunca havia feito um teste para Covid-19, mesmo trabalhando desde fevereiro em hospitais. “Você só pode estar brincando”, disse o democrata.

Desde a campanha, Biden tem dito que quer começar a trabalhar no primeiro dia de governo no combate à pandemia e, assim que foi declarado presidente eleito, em 7 de novembro, anunciou a formação de uma força-tarefa com especialistas para atuar sobre o tema.

Há pelo menos sete meses, Biden faz reuniões de uma hora e meia, três vezes por semana, para se atualizar da situação da pandemia no país.

“Isso é como ir para a guerra, você precisa de um comandante em chefe”, afirmou o democrata, que disse que vai manter contato com os profissionais do encontro desta quarta para atualizá-los de seu trabalho.
Com mais de 11 milhões de casos e quase 250 mil mortes, os EUA assistem nos últimos dias ao aumento no número de diagnósticos e hospitalizações por Covid-19, o que indica que o vírus não está sob controle.

Biden insiste no investimento em teste rápido como forma de rastrear os focos de transmissão, mas voltou a repetir que, enquanto Trump não colaborar com a transição, ele não tem recursos para implementar nada antes de sua posse, em 20 de janeiro.

Nos EUA, assim que um novo presidente é eleito, a Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês) autoriza de maneira formal o início da transição. A agência assina uma carta que libera recursos para pagamento de salários e apoio administrativo aos novos funcionários, além do acesso à burocracia americana –neste ano, o valor total é estimado em US$ 9,9 milhões (R$ 52,97 milhões).

Fonte: Folhapress

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