Bolsonaro critica Enem 2021 e sugere questão pró-ditadura na prova

-

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar nesta quarta-feira (24) a edição atual da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e disse que, se pudesse, incluiria pergunta pró-ditadura militar (1964-1985) na avaliação.

“Se eu pudesse interferir, pode ter certeza a prova estaria marcada para sempre com questões objetivas, não com questões ideológicas, como ainda vimos nessa prova”, disse o presidente durante evento sobre escolas cívico-militares, no Palácio do Planalto.

Bolsonaro é defensor da ditadura militar, bajula o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão e da tortura do período, e propôs que o Enem tratasse o golpe militar de 1964 como uma revolução, como revelou o jornal Folha de S.Paulo.

No evento, o presidente não confirmou nem negou que tentou interferir na prova deste ano, mas disse tem o desejo de inserir pergunta sobre o tema.

“Na imprensa saiu que eu queria botar matéria da ditadura militar. Não vou discutir se foi ou não foi ditadura, mas eu queria botar sim, uma questão”, disse o presidente.

Na sequência, ele afirmou que a pergunta seria sobre a escolha de Castello Branco à Presidência, em abril de 1964, pelo Congresso, sugerindo que a eleição ocorreu dentro da normalidade.

Bolsonaro já defendeu esta versão em outras ocasiões, mas ignora que antes do pleito indireto houve um golpe e diversos parlamentares foram cassados. O militar ainda era candidato único ao cargo.

“O que eu quero com isso não é discutir o período militar, é começar a história do zero”, disse Bolsonaro. “Isso a garotada tem de saber”, afirmou ainda.

Na terça-feira (23), Bolsonaro minimizou a censura à imprensa durante o governo militar e disse que são mais graves as ações recentes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra críticos da urna eletrônica. “Esse tipo de censura não existia no período militar. O que não era permitido, muitas vezes, era uma matéria ser publicada, daí o pessoal botava uma receita de bolo ou espaço vazio”, afirmou Bolsonaro.

O primeiro dia de prova do Enem ocorreu no domingo (21). O conteúdo da prova foi considerado equilibrado por especialistas.

No entanto, nenhuma pergunta falou sobre a ditadura militar no país. Desde o início do governo Bolsonaro, o período histórico, defendido pelo presidente, nunca mais apareceu na prova.

Às vésperas do início do Enem, servidores do Inep, órgão responsável pela elaboração da prova, fizeram uma série de denúncias sobre assédio moral que sofreram para suprimir perguntas com temas considerados inadequados pela gestão do órgão.

No mesmo discurso desta quarta-feira (24), o presidente disse que “não tem governo 100% certo”, também ao se referir ao período da ditadura.

“Eu sou mais acusado de desfeitos do que todos os governos nos últimos 100 anos”, afirmou Bolsonaro.

Em seguida, ele lembrou que o advogado Rodrigo Mudrovitsch foi eleito para ocupar uma vaga entre os juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos e disse esperar que o órgão arquive casos sobre o Brasil.

“Que uma vez passando por ele, se arquive isso aí, é um absurdo isso aí”, disse o presidente, sem indicar qual acusação ele deseja que seja arquivada. Em janeiro deste ano, a OAB denunciou o governo Bolsonaro à corte por omissão na pandemia.

A mesma corte já condenou o Brasil por detenção, tortura e desaparecimento de guerrilheiros no Araguaia durante a ditadura.

Em outro trecho do evento no Planalto, Bolsonaro voltou a criticar debates sobre direitos LGTBQIA+.

“O que queremos para nossos filhos. Que menino seja menino, menina seja menina. Não aquele lixo acumulado de 2003 para cá, onde se falava de quase tudo na escola, menos física, química e matemática”, disse Bolsonaro.

O presidente também minimizou castigos físicos a crianças para impor disciplina. “Concordo que não gostei na época, mas mal ou bem me ajudou a chegar aqui”, disse, ao citar a própria infância.

No mesmo evento, o presidente voltou a apostar na retórica anticomunista. “Se experimentarmos situação dessa de caos, como na Venezuela, a chance de se restabelecer a normalidade é próxima de zero”, declarou.

Estadão Conteúdo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Instituto Nacional de Meteorologia emite alertas de vendaval e baixa umidade do ar para o Piauí

Segundo o instituto, os ventos podem atingir até 60 quilômetros por hora. O Inmet emitiu dois alertas para o Piauí....

Pastor Ricardo Braz, líder da Juventude das Assembleias de Deus, é anunciado como suplente do senador Ciro Nogueira

Ciro Nogueira é pré-candidato à reeleição ao Senado pelo Progressistas O senador Ciro Nogueira (Progressistas), que confirmou sua candidatura à...

Funcionário mata três colegas a facadas dentro de fábrica da Bombril

Segundo o boletim de ocorrência, o agressor estava de folga e teria ido à empresa para atacar dois trabalhadores;...

Netflix compra direitos da Copa do Mundo Feminina por mais de R$ 1 bilhão

Plataforma exibirá os Mundiais de 2027 e 2031 nos EUA e Canadá e produzirá documentários sobre a competição. A Netflix...

UFPI abre seleção com 156 vagas remanescentes para indígenas, quilombolas e quebradeiras de coco babaçu

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) abriu processo seletivo para o preenchimento de 156 vagas remanescentes em cursos de...

Tecnologia 100% brasileira acelera cicatrização em diabéticos e pode reduzir amputações

Equipamento criado na UnB, o Rapha, combina látex natural e luz LED para tratar o pé diabético; aparelho já...

Com Bolsonaro inelegível, o que acontece com o ex-presidente após a condenação decidida no TSE

Ex-presidente fica impedido de disputar eleições até 2030. Seus...

Concurso público unificado terá 6,5 mil vagas em 20 órgãos em órgãos federais

Outros órgãos ainda podem aderir à nova modalidade de...

Você também pode gostar
Recomendado para você