Brasileiro que criou mosquitos “anti-dengue” é eleito um dos cientistas mais influentes do mundo

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O pesquisador Luciano Moreira está na lista das 10 pessoas que moldaram a ciência mundial em 2025, segundo a revista Nature.

A revista Nature, considerada a mais influente e citada no cenário científico em todo o mundo, elegeu o pesquisador, engenheiro agrônomo e cientista brasileiro Luciano Andrade Moreira como uma das dez pessoas que moldaram a ciência em 2025. A lista “Nature’s 10” foi divulgada na última segunda-feira (08).

Foto: Peter Illiciev

Há cerca de 17 anos, o cientista estuda o uso de uma bactéria natural (Wolbachia, que está, por exemplo, na mosca-da-banana) no mosquito Aedes Aegypti para bloquear a transmissão de vírus como o da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa vem sendo responsável pela diminuição dessas doenças, podendo causar sua eliminação, no futuro.

A técnica desenvolvida por Luciano, em parceria com outros cientistas, é chamada de “Método Wolbachia”, e a pesquisa desenvolvida a partir do método afirma que os mosquitos portadores da bactéria têm menor probabilidade de contrair os vírus.

A revista Nature afirma que “os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais”.

O método desenvolvido pelo engenheiro agrônomo tem a capacidade de ser decisiva no controle de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti, já que os mosquitos portadores da bactérias (os wolbitos, como são chamados) reinfectam a bactéria para as novas gerações de mosquitos, ao serem liberados em áreas urbanas e se reproduzirem com outros Aedes.

Luciano Moreira dirige uma biofábrica de mosquitos wolbitos, que tem sede em Curitiba, capital do Paraná. O local foi criado em parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização sem fins lucrativos com atuação em 14 países.

Atualmente, o Método Wolbachia faz parte da estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses, do Ministério da Saúde, e está em implantação em Balneário de Camboriú (SC), Brasília (DF), Blumenau (SC), Joinville (SC), Luziânia (GO) e Valparaíso de Goiás (GO). As cidades beneficiadas são escolhidas pelo ministério de acordo com indicadores epidemiológicos (ocorrência de casos de arboviroses em padrões elevados nos últimos anos).

O pesquisador é o quinto brasileiro a ser citado pela lista da revista Nature nos últimos 10 anos, se juntando a nomes como Marina Silva (citada em 2023), Tulio de Oliveira (2021), Ricardo Galvão (2019) e Celina Maria Turchi Martelli (2016).

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