A violência entre estudantes no Piauí não se limita a casos de bullying e envolve situações mais graves, como abuso sexual e até relação forçada. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 17,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de violência sexual no estado.

O índice representa crescimento em relação a 2019, quando era de 12,8%, e acende um alerta sobre a vulnerabilidade desse público.
Dentro desse cenário, a pesquisa revela um dado ainda mais sensível: 9,1% dos estudantes afirmaram ter sido obrigados a manter relação sexual contra a própria vontade. Em quase todos os casos, a violência ocorreu ainda na infância: cerca de 84,8% das vítimas tinham até 13 anos quando sofreram o abuso.
Outro ponto que chama atenção no levantamento é o perfil dos agressores. Na maioria dos casos, a violência sexual é praticada por pessoas próximas das vítimas. “Outros familiares” aparecem como os principais autores, citados por 28% dos estudantes, seguidos por conhecidos, amigos e parceiros afetivos.

A pesquisa também mostra que meninas são as principais vítimas: 22,9% relataram já ter sofrido violência sexual, quase o dobro do registrado entre meninos (11,9%).
Bullying atinge 4 em cada 10 estudantes
A violência no ambiente escolar também se manifesta por meio de agressões psicológicas e humilhações. No Piauí, 41,8% dos estudantes relataram já ter sofrido bullying, percentual superior ao registrado na edição anterior da pesquisa.
Entre os principais motivos das agressões estão características físicas, como aparência do rosto, cabelo e corpo, além de fatores como raça, forma de falar e até roupas utilizadas.

O problema também ultrapassa os muros da escola.
De acordo com a pesquisa, 13,8% dos adolescentes piauienses disseram já ter sido ameaçados, ofendidos ou humilhados em ambientes virtuais, como redes sociais e aplicativos de mensagens.
O dado indica que o bullying não apenas persiste, como se amplia com o uso da internet, tornando mais difícil o controle e aumentando o alcance das agressões.
Com informações do IBGE





