Conheça os riscos da Covid-19 para gatos, cães e os seus tutores

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Caso de veterinária infectada acendeu alerta, mas especialista assegura não haver motivo para pânico.

O primeiro registro de uma possível transmissão do coronavírus de um gato para uma pessoa reacendeu a discussão sobre o impacto da pandemia nos animais de estimação. Porém, não há motivo para pânico. O risco continua o mesmo, ou seja, muito pequeno tanto para os pets quanto para os seus tutores, assegura o veterinário brasileiro Hélio Autran de Morais, professor titular do Departamento de Ciências Clínicas e diretor do Hospital Veterinário da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos.

Autran é autor de numerosos estudos científicos sobre o Sars-CoV-2 e animais e garante que os pets não têm impacto sobre a disseminação da pandemia nem são afetados como o ser humano por ela. Porém, há cuidados que todos deveriam ter.

A seguir, o cientista explica os principais pontos da Covid-19 nos animais e também fala sobre outras viroses que causam preocupação, como a varíola dos macacos e a gripe aviária.

Foto: Divulgação

Cuidado: Se uma pessoa quer evitar qualquer risco de transmissão do coronavírus, trate seu pet como membro da família. Isso significa evitar o contato com ele, caso esteja infectado. E, óbvio, veterinários e outros profissionais que têm contato com animais devem usar todo o equipamento de proteção necessário para examiná-los, especialmente coletar amostras. Não foi o caso. A veterinária tailandesa não usava proteção facial nem óculos ao coletar amostras nasais do gato e, muito provavelmente, foi contaminada pelos olhos, quando o animal espirrou.

Gatos: Já se sabe, desde 2020, que os gatos são mais sensíveis do que os cães ao coronavírus Sars-CoV-2, ainda assim o risco de transmitirem é mínimo, o de adoecerem menor ainda e o de morrerem quase nulo. Há apenas um caso de gato que comprovadamente morreu de Covid-19, um filhote de 4 meses, no Reino Unido.

Transmissão: Helio Autran diz que experimentalmente havia se mostrado que, em alguns casos, os gatos podem expelir quantidade suficiente de vírus para transmitir a outros gatos e a pessoas. Porém, faltava comprovar que isso poderia ocorrer naturalmente.

Tailândia: O caso da Tailândia é exemplar porque, como foi muito bem documentado, se mostrou que de fato a transmissão de gato para humano pode ocorrer. A veterinária contaminada morava sozinha, não havia tido contato com qualquer pessoa infectada pelo coronavírus e o sequenciamento genético mostrou que ela, os dois tutores do gato e o animal tinham exatamente o mesmo vírus.

Impacto: O risco de um gato transmitir o coronavírus é tão baixo, que se todos os gatos do mundo desaparecessem de uma hora para outra, não faria diferença alguma do ponto de vista epidemiológico da pandemia, garante Helio Autran.

Como o gato foi contaminado: Pelo contato direto com os tutores infectados. Ele dormia na cama com eles. O contato com o pelo do animal não seria suficiente para infectar o animal ou ser infectado por ele. Hoje se sabe que os chamados fômites (objetos, pelo de animais etc.) não têm importância na transmissão do coronovírus, o risco é a transmissão pelo ar.

Cães: Para os cães, o risco é insignificante. Eles são resistentes. Podem ser infectados, mas não adoecem. Podem até, em condições de laboratório, expelir o vírus. Mas não contaminam pessoas. Não há casos comprovados de cães que tenham adoecido ou morrido de Covid. Menos ainda que tenham infectado pessoas.

Outros animais: São tantas as espécies de animais que podem contrair o vírus, que os cientistas literalmente perderam a conta. A lista inclui todos os felinos, cães, furões, ratos, camundongos, veados e até peixes-boi e tamanduás brasileiro.

O mais transmissível: Como a variante Ômicron, o Sars-CoV-2 superou o sarampo e se tornou o mais transmissível vírus conhecido. O vírus, à medida que se espalha como fogo, adquire mutações que o tornam capaz de se adaptar a mais espécies.

Ratos: Camundongos e ratos não eram sensíveis ao coronavírus. Mas agora são. Eles passaram a contrair e a adoecer em função da Delta e depois da Ômicron, variantes que têm mutações que as torna capazes de infectar e adoecer esses animais extremamente numerosos e que vivem perto do ser humano. Em testes de laboratório, eles mostraram que podem transmitir o coronavírus.

Cervo-do-rabo-branco: Essa espécie de veado comum nos EUA foi infectada por caçadores. Ela se mostrou altamente sensível e o vírus se alastrou. Hoje é um possível reservatório silvestre do Sars-CoV-2.

Mutantes: O risco é que a infecção em animais favoreça o aparecimento de variantes tão diferentes, que sejam capazes de escapar completamente das vacinas.

Varíola dos macacos: Embora muito menos transmissível que o coronavírus, o monkeypox tem mostrado que se adaptou a mais espécies de animais, inclusive o ser humano. Os casos recentes em humanos podem ser resultado de uma melhor adaptação a seres humanos.

Gripe das aves H5N1: Esse vírus influenza já causa doença em dezenas de espécies de aves no Hemisfério Norte e tem levado ao sacrifício de milhares de animais de granja na Ásia. Em seres humanos, por ora, os poucos casos conhecidos são de pessoas em contato direto com aves. Ele até agora não passa de uma pessoa para outra. A ameaça maior é para a avicultura.

Por Ana Lucia Azevedo — Rio de Janeiro – O GLOBO

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